06 de Junho de 1944: O Mais Longo dos Dias ou simplesmente “DIA-D”

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6 de junho de 1944, mais conhecido como Dia D, marca a data em que os aliados ocidentais desembarcaram nas costas da França, dando início ao fim da II Guerra Mundial, começada cinco anos antes pela invasão nazista à Polônia.

Simultaneamente ao desembarque do lado ocidental, no Leste da Europa, a URSS lançou uma poderosa ofensiva contra os nazistas.

O que foi o Dia D?

Foi a maior operação militar aeronaval da história, aquela dia, 155 mil homens dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França atlântica, dando início à libertação europeia do domínio nazista.

Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazistas de Paris e, em seguida, marchar em direção à fronteira da Alemanha.

Era o primórdio do colapso final do III Reich, o império que, segundo a propaganda nazista, deveria durar mil anos. As praias da Normandia foram o palco de uma das ações militares mais audaciosas da Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, as tropas aliadas invadiram a região, causando a abertura do front-ocidental, em uma grande ofensiva. Durante o mês de junho, a Europa festeja um dos acontecimentos marcantes de sua história: o aniversário do Dia D, que significou um gigantesco passo na libertação do front ocidental ocupado pelos nazistas.

Assim, no dia 6 de junho, tropas aliadas invadiram as praias da Normandia, região noroeste da França — que na época estava sob domínio nazista. Foi a partir desse dia, com o sucesso do desembarque dessas tropas, que os aliados deram um grande passo rumo ao fim da Segunda Guerra Mundial (que ocorreu em setembro de 1945).

A expressão “Dia D” não era nenhuma novidade no mundo militar — já havia sido usada durante a Primeira Guerra Mundial pelo exército britânico e servia para designar o dia exato em que uma operação militar deveria ser iniciada.

O dia teve um novo e marcante significado, pois denominou uma das mais ambiciosas e perigosas operações da Segunda Guerra Mundial: o desembarque na Normandia.

Para muitos leigos o desembarque em uma região que nem sabe direito em que lugar do mundo fica, fora taxado como algo sem importância, mas vamos demonstrar a complexidade daquela operação…A Normandia é uma região situada no noroeste da França.

A antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) já havia dado o primeiro grande golpe nas forças nazistas: em janeiro de 1943, venceu a Batalha de Stalingrado. Nesse mesmo ano, as forças aliadas atacaram a Itália e retiraram do poder o líder fascista Mussolini.

Com isso, as potências do Eixo sentiram o peso das forças aliadas: chegava a hora de expulsar os alemães do território francês. O local escolhido para a invasão francesa foi o litoral da Normandia. Entretanto, não era fácil desembarcar soldados e tanques em praias bem protegidas pelo inimigo. Os alemães não dormiram no ponto para defender o litoral francês.

A partir de 1942, construíram uma linha de defesa chamada Muralha do Atlântico, que, além de percorrer a costa francesa, estendia-se pela Bélgica e Holanda. O objetivo principal dessa construção era prevenir e proteger o litoral desses países no caso do ataque das forças aliadas.

A Muralha do Atlântico era constituída por numerosas defesas submarinas, minas, casamatas com canhões de grande calibre, pontos para metralhadoras e alambrados de arame farpado. Em 1943, foram instalados sobre o litoral 140 baterias de longo alcance, montadas sobre casamatas de cimento e aço.

Apesar de ser uma super defesa, a Muralha Atlântica não era perfeita; ao contrário, possuía muitas falhas, tanto que os líderes alemães tinham planos de melhorá-la, mas não tiveram tempo hábil e pessoal suficiente para isso, pois os aliados foram mais rápidos.

A OPERAÇÃO OVERLORD

Durante meses, os maiores estrategistas militares aliados se reuniram e planejaram, minuciosamente, como seria a invasão da França. Mapas detalhados do litoral francês, estudos da geografia da região, fotos aéreas e boletins meteorológicos foram estudados meticulosamente antes que eles decidissem como e onde seria a invasão.

No primeiro dia da operação, seriam utilizadas cinco divisões: eram mais de 150.000 homens envolvidos. Após estudos detalhados, foram escolhidas como zona de desembarque as praias da Normandia (que agora você já sabe onde se localiza).

Mas por que a Normandia? Porque ela não havia sido suficientemente fortificada pelos alemães, que a consideravam um local pouco provável para a invasão (em seguida, você vai descobrir o motivo disso). Veja outros números da invasão:

  • As forças aéreas, tanto britânicas quanto norte-americanas, deveriam reunir 11 mil aviões para lhes dar cobertura na área gigantesca da operação.
  • Algumas tropas seriam transportadas por via aérea. Para isso, seriam necessários 2.700 planadores.
  • No Dia D, teriam de ser desembarcados nas praias, juntamente com as tropas de assalto, cerca de 11.500 veículos e 4.600 toneladas de materiais para abastecimento.
  • Deveriam ser montados sobre as praias dois grandes portos pré-fabricados para facilitar as operações.

O general Dwight David “Ike” Eisenhower foi escolhido pelo presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt, para ser o comandante supremo das forças militares que iriam atura na operação Overlord. Quando convidado a participar da operação, Eisenhower falou: “Senhor presidente, compreendo que tal designação implica decisões difíceis (…) Espero que o senhor não se decepcione”.

E Roosevelt não se decepcionou. Se, na guerra, o tempo cronológico era um terrível inimigo; para a operação Overlord, o tempo meteorológico era ainda pior. A operação já estava muito bem planejada por Eisenhower e sua equipe, mas eles precisavam esperar o melhor dia para o ataque.

A invasão deveria acontecer em junho, mas as condições meteorológicas na zona do Canal da Mancha eram péssimas. No ano de 1944, os ventos e as ressacas foram os mais fortes daqueles últimos vinte anos.

A data que havia sido escolhida para o Dia D foi 5 de junho, mas estava sujeita a uma mudança de última hora se o tempo estivesse duvidoso, e foi isso que aconteceu. A partir de 1.º de junho de 1944, Eisenhower participou de reuniões diárias com sua equipe para estudar boletins meteorológicos.

Os dados para os dias 3 e 4 não eram muito encorajadores, por isso, decidiu-se que a operação começaria no dia 5. Mas ela foi atrasada por mais 24 horas. Você sabe por quê? A razão disso foi que, para o dia 6, estava prevista uma melhora nas condições climáticas, o que ocorreria nas últimas horas do dia 5, mantendo-se na manhã seguinte.

O tempo bom, para eles, significava ventos leves e nuvens inferiores a mil metros de altitude. Para a noite do dia 6, porém, estava previsto o retorno dos ventos fortes e da agitação marítima.

No sul da Inglaterra, milhares de soldados esperavam a ordem para marchar rumo ao combate, a qual veio do general Eisenhower nas primeiras horas da madrugada do dia 5 de junho, colocando em ação a vasta operação.

Horas depois, o general escreveu uma nota a ser divulgada caso a operação falhasse. Nela, ele elogiava os homens que comandou e aceitava a total responsabilidade pelos prejuízos que os dias seguintes pudessem trazer.

Uma pista que pode demonstrar o nervosismo de Eisenhower pode ser vista no erro da data do bilhete: 5 de julho, em vez de 5 de junho. A meteorologia não falhou!

O dia 6 amanheceu com ventos mais brandos e massas de nuvens a grandes altitudes, o que forneceu condições favoráveis para operações aéreas como o transporte de tropas e o bombardeio prévio ao desembarque.

A idéia de iniciar um ataque com o tempo instável acabou gerando um efeito surpresa nos alemães, o que auxiliou a operação. Estes achavam que seria impossível qualquer expedição através do canal enquanto as ondas estivessem altas.

Também acreditavam que o desembarque seria feito com lua nova e maré alta e que o local escolhido para o assalto seria próximo aos portos para se evitarem rochas e águas de pouca profundidade, que são muito perigosas. No Dia D, os aliados quebraram diversas crenças dos alemães, pois:

  • Atacaram um pouco antes da maré baixa e com lua cheia;
  • Desembarcaram longe dos portos principais e, em alguns locais, sob encostas íngremes;
  • As águas por onde eles se aproximaram eram cheias de rochas e apresentavam correntes tão fortes que os técnicos alemães haviam catalogado-as anteriormente como impraticáveis para unidades de desembarque.

O DESEMBARQUE

  • O ataque estava constituído por cinco forças de assalto. Cada uma deveria invadir uma praia, que recebeu um nome especial para a operação. Clique em Avançar e observe a animação. Depois, passe o mouse sobre o mapa e conheça mais sobre as forças de assalto e as praias que foram invadidas. No dia 5 de junho, véspera do Dia D, as forças de assalto para a invasão zarparam dos portos do sul da Inglaterra, onde haviam previamente se concentrado.
  • Cinco forças de assalto saíram da Inglaterra e concentraram-se no ponto Z, de onde partiram para o sul, rumo à Normandia, as forças de assalto concentradas no ponto Z ficaram escondidas pelas nuvens baixas, fazendo com que os alemães não desconfiassem de tão grande mobilização de barcos.
  • As tropas britânicas e canadenses desembarcariam pelo lado esquerdo; e as norte-americanas, à direita. A frota de invasão compreendia cerca de 4.200 barcos, além dos navios de guerra e unidades auxiliares, e a frota de apoio era composta de encouraçados, cruzadores, destróieres, barcos lança-foguetes e canhoneiras de apoio.
  • Até as praias estarem garantidas, a zona de transporte constituiu o coração da invasão. No Dia D, apesar dos concentrados bombardeios aéreos e navais que precederam o ataque, as defesas costeiras, em geral, não foram destruídas antes do momento do desembarque dos soldados aliados. Os canhoneiros navais neutralizaram as baterias mais pesadas, mas não as colocaram definitivamente fora de combate, graças à enorme espessura das casamatas de concreto.
  • O bombardeio aéreo resultou igualmente ineficaz para transpassar o concreto. As defesas das próprias praias não foram suficientemente destruídas antes da hora H, como se pretendia. A forte ressaca aumentou as dificuldades dos aliados para chegar à praia, mas, mesmo assim, foi feito o desembarque. Na noite do primeiro dia da invasão, todos os setores previstos para o desembarque foram alcançados. A penetração no território desenvolveu-se em diferentes níveis.

O sucesso dos aliados na operação abriu uma brecha na ocupação alemã da Europa Continental que, em três meses, permitiu os primeiros ataques por terra ao território alemão.

Nessa data, os aliados ocidentais iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs no Canal da Mancha. Foi a maior operação de desembarque da história militar. O Dia D foi o ataque estratégico que deu o golpe mortal nas forças nazistas: havia chegado a hora da libertação. A operação Overlord não foi perfeita. Veja alguns erros que foram cometidos:

  • Os pára-quedistas foram lançados na madrugada de 6 de junho de 1944 sobre a retaguarda da Muralha do Atlântico. Sua missão era impedir a chegada de reforços alemães isolando as tropas encarregadas da defesa da costa. Pilotos inexperientes acabaram lançando seus pára-quedistas longe do alvo, em terrenos pantanosos, onde muitos pereceram, apanhados pelas águas lodosas e presos sob o peso do equipamento.
  • A missão foi cumprida pelos sobreviventes, em alguns incidentes, os aliados bombardearam suas próprias tropas. Com medo da artilharia alemã, os primeiros tanques anfíbios desembarcaram prematuramente a quatro quilômetros da praia e afundaram com suas tripulações, abatidos pelas ondas, sem ao menos participarem da batalha.

Apesar do sucesso do Dia D, as tropas aliadas enfrentaram forte resistência. A cidade de Caen, que os ingleses pretendiam libertar no dia 6 de junho, só foi entregue pelos alemães no dia 9 de junho, quase toda destruída.

As defesas nazistas no interior da França só foram rompidas no dia 1.º de agosto, uma semana depois do previsto. No final do Dia D, os aliados haviam perdido cerca de 10 mil soldados; e os alemães, entre 4 e 9 mil. Apesar do alto número de baixas, elas foram menores do que se esperava.