1º de junho, o Exército Brasileiro comemora o Dia do Guerreiro de Selva – José Ananias Duarte Frota-Cel BM R1 (ESG-CAEPE)

1º de junho, o Exército Brasileiro comemora o Dia do Guerreiro de Selva

José Ananias Duarte Frota-Cel BM R1 (ESG-CAEPE)

“Em terra de perenes desafios, uma grande cruzada para o crescimento, onde o épico confronta com a realidade. Não basta querer fazer e querer desenvolver: é preciso um esforço de Hércules para que todo dia superemos as dificuldades.”
(Jorge Teixeira de Oliveira)

Selva!

Selva! A palavra singela, de poucas letras, que se refere a porções territoriais ainda não necessariamente rasgadas pelo desenvolvimento, de grandes extensões no Brasil, aos poucos vai se firmando como uma expressão forte e popular em toda a Amazônia. Ela é ao mesmo tempo um cumprimento militar em todos os recantos amazônicos e uma espécie de grito de guerra nas formaturas que ocorrem nas dezenas de unidades vinculadas ao Comando Militar da Amazônia (CMA), espalhadas em 62 localidades e envolvendo seis estados e partes do Maranhão e do Tocantins.

Com o Decreto Presidencial 53.649, de 02 de março de 1964, foi criado o Centro de Instrução de Guerra na Selva, subordinado ao Grupamento de Elementos de Fronteira. No passado existia uma grande lacuna na formação militar na Região e a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva – CIGS veio preencher essa lacuna, dando a certeza de mais segurança nas fronteiras e presença militar, preservando a soberania nacional

Coronel de Artilharia Jorge Teixeira de Oliveira

Hoje, 1º de junho, o Exército Brasileiro comemora o Dia do Guerreiro de Selva, em homenagem ao nascimento do Coronel de Artilharia Jorge Teixeira de Oliveira, mais conhecido como “Teixeirão” (1921-1987).

“Teixeirão”, gaúcho apaixonado pela Amazônia fez história ao ser o primeiro comandante, ainda como major, do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), de 1964 a 1971, participando do planejamento e implantação da Unidade.

A determinação e o amor pela Amazônia fizeram com que pioneiros, como o coronel Teixeirão, trabalhassem dia e noite para criar toda a estrutura física e organizacional do CIGS, assim como toda a mística que envolve o Guerreiro de Selva.

O Coronel Teixeira também foi o idealizador e o primeiro comandante do Colégio Militar de Manaus, no início da década de 1970, onde ficou até passar para a reserva. Mas a passagem para a reserva não significou a inatividade.

Em 1974, foi nomeado, pelo Presidente da República Ernesto Geisel, Prefeito da cidade de Manaus (1974 – 1979). Logo em seguida, foi nomeado Governador do Território Federal de Rondônia e o primeiro Governador do Estado de Rondônia até 1985. Sua passagem política deixou um grande legado desenvolvimentista para Manaus e o Estado de Rondônia.

Casado e pai de dois filhos, o Coronel Teixeira faleceu, em janeiro de 1987, na cidade do Rio de Janeiro.

 

As Leis da Guerra na Selva, “Coronel Gélio Augusto Barbosa Fregapani”

Cel Gélio Augusto Barbosa Fregapani, gaúcho filho de Taquari, guerreiro de Selva nº 017, 6º Comandante do CIGS e autor das Leis da Guerra na Selva.

As Leis da Guerra na Selva

1ª   Tenha a iniciativa, pois não receberás ordens para todas as situações, tenha em vista o objetivo final.

2ª   Procure a surpresa por todos os modos.

3ª   Mantenha seu corpo, armamento e equipamento em boas condições.

4ª   Aprenda a suportar o desconforto e as fadigas sem queixar-se e seja moderado em suas necessidades.

5ª   Pense e aja como caçador, não como caça.

6ª   Combata sempre com inteligência e seja o mais ardiloso.

A Oração do Guerreiro da Selva “Coronel Humberto Batista Leal” Instrutor CIGS 1982

A primeira idéia que tive de escrever uma oração para os combatentes de selva nasceu durante o meu curso de guerra na selva em 1980, precisamente na área destinada ao descanso dos alunos na Base de Instrução II. Ali eu falei para alguns companheiros de curso que desejava escrever um poema para ser recitado pelas tropas de selva. Eu juntava, em silêncio, as palavras mais simples que encontrava, para compor os versos que tivessem a simplicidade da floresta e dos homens que usavam o brevê da onça. Havia instantes de incerteza e angústia naqueles dias difíceis, e imaginávamos o que seria a guerra naquele ambiente hostil. Nessas horas de se buscar forças para vencer fadigas diárias, desafios ameaçadores, não há como o homem evitar o mergulho dentro de si mesmo; e, ao fazê-lo, conduz naturalmente o pensamento a Deus – o mesmo Deus que não explica nossas guerras, mas nos fortalece diante das interrogações do destino, mesmo as mais enigmáticas e incompreensíveis indagações. Em junho daquele ano, pouco mais de vinte oficiais concluíam o curso.

Ao retornar a Manaus, numa daquelas noites de descanso na casa do Rosa Filho, conversávamos na varanda quando peguei uma caneta e escrevi os versos que levaria, no dia seguinte, à apreciação do nosso Comandante Fregapani. Ele gostou do que leu e ouviu. Reuniu, naquela mesma semana, no anfiteatro da Base de Instrução V, os oficiais e sargentos, e falou da Oração do Guerreiro de Selva. Disse-me para recitá-la e aos demais para que repetissem o que eu dizia. Foi a primeira vez que a recitamos – ainda timidamente.

A partir de então, passamos a declamar a Oração do Guerreiro de Selva antes e após o início das atividades nas bases de instrução. Mandamos pintar placas com o poema e as afixamos nas bases. Todos procuravam memorizar a Oração. Logo começamos a declamá-la nas formaturas e nas atividades de instrução. Isto só acontecia no Centro de Instrução de Guerra na Selva. Foi assim que tudo começou.

Oração do Guerreiro da Selva

Senhor, tu que ordenaste ao guerreiro de selva:

“Sobrepujai todos os vossos oponentes”,

dai-nos hoje da floresta:

a sobriedade para persistir,

a paciência para emboscar,

a perseverança para sobreviver,

a astúcia para dissimular

e a fé para resistir e vencer.

E dai-nos também, Senhor,

a esperança e a certeza do retorno,

mas se defendendo esta brasileira Amazônia

tivermos de perecer, ó Deus,

que o façamos com dignidade

e mereçamos a vitória!

Selva!

O BRADO DE “SELVA!”

General-de-Brigada Adaberto BUENO da Cruz (Turma 1963/ Infantaria/AMAN)

Quando do início de suas atividades, as idas à área de selva eram muito frequentes. O movimento de viaturas era grande e a nova unidade ainda não dispunha de “Ficha de Saída de Viaturas” para serem controladas no Portão do Corpo da Guarda. Normalmente a sentinela ao ver a saída de uma viatura perguntava qual o seu destino e o motorista ou quem ia à boléia respondia “SELVA”.

Como a maioria das saídas era para a área de instrução, o motorista ao passar pelo portão dizia que ia para a selva. Daí nasceu uma tradição, de maneira simples e espontânea. A partir daí espalhou-se para o Grupamento de Elementos da Fronteira (GEF) e pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) e hoje, caracteriza no Exército inteiro, os Guerreiros de Selva, a tropa da AMAZÔNIA.

Até agosto de 1968 a saudação “SELVA” era restrita ao CIGS e de caráter interno. Porém, no desfile do dia Sete de Setembro deste ano, o grito foi utilizado pela primeira vez em público e em formatura oficial. Os instrutores para manter a cadência da tropa contavam o tradicional “um-dois-três” e depois gritavam “SELVA!”. A sua implantação não foi fácil. Houve muita reação principalmente dos mais antigos do GEF que reagiam as idéias novas, mas o CIGS tinha a sua destinação histórica de renovar os “corações e mentes” da tropa da AMAZÔNIA, e obteve sucesso.

Este simples brado mudou a fisionomia militar dos que serviam na AMAZÔNIA, despertando o espírito de operacionalidade que estava adormecido pelos chavões “área castigo”, “ninguém quer nada”, “só tem gente problema” e outros.

 “Facão do Guerreiro de Selva”

O Facão do Guerreiro de Selva é um facão de mato (terçado), representativo do guerreiro de selva, concedido pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva àqueles que ousaram enfrentar um dos mais difíceis testes do Exército Brasileiro, o Curso de Guerra na Selva, e conquistaram o direito de ostentar no peito o brevê da “cara da onça”. A distinção é, também, estendida às autoridades que, inquestionavelmente, tenham contribuído com a difusão da mística que norteia o espírito dos aguerridos soldados guardiães da Amazônia brasileira.

O Facão do Guerreiro de Selva alude ao pioneiro Comandante do CIGS, Coronel Jorge Teixeira, o “Teixeirão”, cuja empreendedora ação de comando serve de inspiração às sucessivas gerações de guerreiros de selva. O Facão do Guerreiro de Selva Nr 001 é, simbolicamente, do “Teixeirão”.

O Facão é constituído de lâmina em metal preto-fosco, de alta resistência, de duplo corte, em formato de meia-lua. Em uma das faces, possui as inscrições “Guerra na Selva” e “CIGS”, seguidas do número de série. A outra face é personalizada com a inscrição do nome de guerra e do número de guerreiro de selva do detentor. Na extremidade do cabo, uma cabeça de onça, em metal dourado, representa o animal-símbolo da guerra na selva.

 

CANÇÃO DO CIGS

 Tempestades, chavascais, charcos e espinhos,

 Perigo à espreita na mata tão voraz,

 Sombra e silêncio pelas trilhas e caminhos,

 Guerra na Selva, um teste eficaz.

 A fraterna convivência nos ensina,

 O valor de uma sã camaradagem,

 Com justiça liberdade e com estima,

 Sempre alerta com bravura e coragem.

 Estribilho

 Nós somos uma tropa de vanguarda,

 Para quem o perigo não existe,

 Com orgulho usamos esta farda,

 Investindo com as armas sempre em riste.

 A Amazônia inconquistável é o nosso preito,

 A nossa vida por tua integridade,

 A nossa luta pela força do direito

 Com o direito da força em validade.

 Se a selva não pertence ao mais forte,

 Mas ao sóbrio, habilidoso e resistente,

 Temos tudo pra lutar até com a morte,

 No perigo nossa força está presente.

 Estribilho

 Nós somos uma tropa de vanguarda,

 Para quem o perigo não existe,

 Com orgulho usamos esta farda,

 Investindo com as armas sempre em riste.

Autor: Newton Aguiar

Onça Pintada

Fonte: Divisão de Doutrina e Pesquisa do CIGS

Os Guerreiros da Selva são como a onça, que cerca pacientemente a presa para atacar no momento oportuno, fazendo ecoar um esturro ubíquo e aterrador. (Divisão de Doutrina e Pesquisa do CIGS)

Se na América não vive o Leopardo, em compensação vive a onça, também conhecida por Jaguar ou Onça-Pintada, nome comum do maior e mais poderoso felídeo do continente americano. Seu nome, nas línguas indígenas das florestas subtropicais, é Jaguar. É impropriamente chamada de tigre, pois é mais feroz que este e maior que a pantera. A onça pintada é o maior felino do continente americano, sendo encontrada do extremo Sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Essencialmente carnívora, se alimenta de mamíferos de portes variados como antas, veados, capivaras e porcos do mato, podendo ainda, eventualmente, se alimentar de quelônios, peixes e jacarés. A pelagem varia entre amarelo escuro quase dourado até castanho claro. A onça preta é uma variação melânica, possuindo maior quantidade de pigmento (melanina) em sua pele. Nesse caso, a coloração amarela é substituída por uma pelagem preta ou quase preta com o mesmo tipo de manchas osciladas encontradas nas onças pintadas (rosetas). O corpo é completamente revestido por pintas negras, que formam rosetas dos mais diversos tamanhos, com um ou mais pontos negros em seu interior. Habita florestas tropicais úmidas, subtropicais e matas de galeria, incluindo ainda cerrado, caatinga e pantanal.

Seu período de vida varia entre 18 a 20 anos, podendo, em cativeiro, alcançar os 28 anos. Pesa em torno de 65 kg (55–110 kg), medindo em torno de 132 cm de comprimento (110–175 cm) até 60 cm de altura (48–75 cm), com a cauda relativamente curta (40–68 cm). Tem hábitos solitários, diuturnos, com locomoção cuidadosa e sem ruídos, perseguindo a presa sem ser percebida. Atinge a maturidade sexual aos 3 anos, com uma gestação variando entre 93 a 110 dias, quando nascem, em média, dois filhotes. Exímia nadadora utiliza a ponta da cauda como isca para obtenção de pescado.

Possui ainda garras potentes e retráteis, que são afiadas em troncos largos, cujas ranhuras auxiliam na demarcação de seu território. A força de sua patada pode chegar a 200 kg. Ela mergulha, salta, corre, e tem sentidos muito aguçados. Constitui o terror das selvas Sul americanas, pois a ferocidade, tenacidade, paciência e a agilidade surpreendem e revela bastante sagacidade na caça. Por tudo isso, é considerada por combatentes e guerreiros de selva brasileiros o seu animal símbolo.

A Delegacia dos Associados da Escola Superior de Guerra no Estado do Ceará, rende suas homenagens aos guerreiros que do passado edificaram o Centro de Instrução de Guerra na Selva – CIGS e os combatentes atuais que sempre estão prontos para defender a Amazônia e fortalecer o Poder Nacional.

Nossas continências ao nobre Cearense e Comandante Militar da Amazônia, o Gen Ex Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira por esta data relevante, aos outros amigos de Selva, Gen Div R1 Ubiratan Poti e o Ten R2 João Luciano de Abreu Matos Junior da época do comandante do CIGS, o Cel Gélio Augusto Barbosa Fregapani.





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