A equipe Bravo Rocket da Univap conclui o projeto do Foguete Demonstrador de Tecnologia Multiestágio“Tereshkova”

Operadores da DCE usam EPI durante preparativo de lançamento do foguete. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Por Mateus de Paula Vieira.

O que é
O FDT (Foguete Demonstrador de Tecnologia) “Tereshkova” é um foguete acadêmico bi-estágio à propulsão sólida aerodinamicamente estabilizado. É o primeiro foguete com separação de estágios acionada por aviônica desenvolvido pelo Laboratório de Jato Propulsão da Univap, com tradição no desenvolvimento de foguetes. O Veículo leva o nome da primeira mulher a ir ao espaço, a soviética Valentina Tereshkova, que orbitou a Terra em 1963 a bordo da nave Vostok VI, quebrando paradigmas e tornando-se heroína da União Soviética durante a corrida espacial.

O FDT pode levar um experimento científico como uma mini sonda de cerca de 100g até 300m de altura na versão 1 e à 600m de altura na versão 2. Foi desenvolvido durante o ano de 2019 e contou com 3 protótipos até a versão final. 

Figura 1 – Estágios do FDT “Tereshkova”. Fonte: Os Autores, 2019.

Objetivo

A missão do FDT “Tereshkova” é demonstrar a tecnologia de separação de estágios para foguetes de sondagem e veículos lançadores desenvolvida pela equipe. O desenvolvimento é fruto de pesquisas envolvendo eletrônica e computação; química; aerodinâmica e análises estruturais, e da integração entre a academia, instituto de pesquisa e empresas privadas.
A Equipe
Divisões de Projeto
A equipe Bravo Rocket é estruturada em 4 divisões de projeto: Combustão e Propulsão; Eletrônica e Computação; Aerodinâmica e Recuperação e Cargas, Estruturas e Integração.

Cada divisão é responsável por pesquisa e desenvolvimento dentro de sua área e são chefiadas por um Capitão-de-Divisão, além de contarem com um Professor Especialista para auxiliar os demais membros que projetam e constroem os subsistemas que irão integrar o veículo no momento da montagem final.  

Os Capitães-de-Divisão atuam distribuindo tarefas e gerenciando suas equipes, auxiliando seus subordinados a realizar as tarefas em dia, dentro do cronograma; já o  Capitão-Geral da equipe cuida para que haja sintonia entre todos os grupos de modo a facilitar a integração do projeto como um todo.

Figura 2 – Laboratório de Jato Propulsão durante os trabalhos. Foto de André Toledo, 2019.

Gerência e Operações

A coordenação das divisões de projeto e das demais áreas necessárias a manutenção das atividades da equipe é realizada por uma junta formada pelos capitães, professores e orientadores da equipe. Esta junta é chamada de Departamento do Estado-Maior e é dirigida pelo Chefe de Operações. O time atua elaborando os cronogramas do projeto, controlando orçamentos, compras, gestão de pessoas e documentações. O Departamento também é responsável pelo marketing da equipe e pela logística por trás do planejamento das operações de testes e lançamentos.

O Programa de Desenvolvimento do Produto
O Projeto do FDT Tereshkova contou com 4 fases: 

⦁ Projeto Preliminar do Primeiro protótipo do FDT Tereshkova-1

⦁ Segundo protótipo do FDT Tereshkova-1

⦁ Terceiro protótipo do FDT Tereshkova-1

⦁ Projeto do FDT Tereshkova-2

O projeto preliminar do primeiro protótipo do FDT Tereshkova foi feito entre dezembro de 2018 e junho de 2019, envolvendo uma série de pesquisas e a aplicação de conceitos de “Systems Engineering” para facilitar o desenvolvimento do projeto de engenharia. A ideia inicial era de utilizar motores à propulsão sólida classe H e classe F desenvolvidos pelo grupo, porém, para que projeto prosseguisse decidiu-se que estes motores seriam desenvolvidos em paralelo aos protótipos iniciais do FDT, estes propulsados por motores comerciais classe D que poderiam ser facilmente encontrados no mercado. Ao final do desenvolvimento dos motores H e F, o projeto do foguete já estaria maturo para recebê-los.
O primeiro protótipo foi lançado em 15 de junho de 2019, o voo foi um sucesso, a separação de estágios ocorreu como o esperado, porém, o sistema de recuperação não funcionou corretamente devido à uma falha do sistema de ejeção dos paraquedas. Este lançamento encerrou a primeira fase do projeto. A segunda fase iniciou-se com a mitigação das falhas ocorridas durante o primeiro voo, fazendo uso do método “Fault Tree Analysis” (Árvore de Falhas) para avaliar o que poderia ter ocorrido e possíveis soluções. 
Todas as fases do projeto são gerenciadas seguindo o ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act), uma ferramenta muito eficaz em projetos de engenharia. O PDCA consiste em projetar, construir, testar e analisar os resultados, avaliando possíveis alterações e buscando sempre a melhoria contínua do produto desenvolvido.
Figura 3 – O Ciclo PDCA. Imagem retirada da internet.

O Programa de Desenvolvimento do Produto (PDP – Product Development Program) seguiu com mais dois protótipos. Em agosto de 2019 o segundo protótipo voou, certificando que o problema anterior havia sido solucionado. O terceiro protótipo voou em setembro de 2019 com alterações no computador de bordo, onde acelerômetros e giroscópios foram incrementados para realizar o acionamento dos paraquedas no momento do apogeu.

Com o fim do desenvolvimento dos motores H e F, pôde-se realizar a quarta e última fase do desenvolvimento do projeto do FDT Tereshkova, que consistiu na troca dos 9 motores classe D do primeiro-estágio por 1 motor classe H, e da troca dos 3 motores D do segundo-estágio por um motor classe F. Algumas alterações na estrutura do foguete foram necessárias, não só para integrar o novo sistema propulsivo à estrutura do foguete mas também para garantir a estabilidade de voo por meio da margem estática. 

Grupo de Trabalho

Aerodinâmica e Recuperação

O trabalho da DAR (Divisão de Aerodinâmica e Recuperação) começa com o projeto preliminar do foguete, trabalhando geometrias aerodinamicamente eficientes para o voo. Análises em softwares de CFD (Computed Fluid Dynamics) e Ensaios no Túnel de Vento são indispensáveis nesta fase do projeto.  A divisão também atua no projeto das empenas do foguete, de modo que possibilitem um voo com estabilidade e gerem baixo arrasto. 

Figura 4 – Projeto do FDT Tereshkova-1 na interface do software OpenRocket. Fonte: Os Autores, 2019.

A DAR também projeta os paraquedas utilizados pelo projeto, de acordo com a necessidade da missão. Os paraquedas são responsáveis por frear a queda dos módulos do foguete e trazê-los de volta ao solo em segurança. Para o projeto destes dispositivos a equipe desenvolveu um software computacional capaz de manipular equações matemáticas e fornecer um dimensionamento adequado para todo o conjunto velame – cordas – amarrações. 

O trabalho de pesquisa aerodinâmica foi auxiliado pela Profa. Dra. Heidi Korzenowski e contou com o uso do Túnel de Vento da FEAU (Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo da Univap) para testes, principalmente a respeito da dinâmica de abertura dos paraquedas.

Figura 5 – Paraquedas do segundo-estágio unido a coifa e ao corpo do foguete. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

Eletrônica e Computação

Sem dúvidas, a eletrônica embarcada do FDT é o cérebro do foguete, é ela quem faz o acionamento dos motores principais para a decolagem e comanda a ignição dos motores do segundo-estágio no momento certo para a separação, além de também ser responsável pelo acionamento do sistemas de recuperação, efetuando o disparo da carga de ejeção dos paraquedas no momento exato.

Figura 6 – Computador de Bordo desenvolvido pela DEC. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

Auxiliados pelo Prof. Dr. Alessandro Correa Mendes, os alunos da DEC (Divisão de Eletrônica e Computação) desenvolveram mais de 300 linhas de código em programação de baixo nível, atribuídas ao Computador de Bordo composto por microcontroladores conectados a sensores responsáveis por altimetria e telemetria, como acelerômetros, giroscópios e altímetros. O computador de bordo também pode coletar dados como temperatura e pressão da atmosfera durante o voo, fazendo a sondagem e armazenando os dados na memória.

Figura 7 – Membros da DEC trabalhando no LJP. Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Durante o projeto, a divisão de eletrônica também desenvolveu uma bancada de testes estáticos para os testes de qualificação dos motores desenvolvidos pela equipe de propulsão e iniciou pesquisas a respeito de sistemas para localização dos módulos do foguete após o pouso, com auxílio de sinais de rádio, VHF/UHF e GPS.

Figura 8 – Linhas de código por traz da eletrônica embarcada. Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Toda a operação de ignição dos motores do primeiro-estágio do FDT é feita à distância e sem o uso de cabos ligados a baterias para fornecer energia aos ignitores elétricos. Isso se dá graças à mesa de ignição Wireless desenvolvida pelo time da DEC, responsável pelo acionamento dos ignitores mesmo à uma distância de cerca de 50 metros da rampa de lançamento.

Figura 9 – Protótipo da mesa de lançamento via rádio. Foto de André Toledo, 2019.

A mesa de ignição à distância conta com chaves de segurança e com o botão de lançamento acionado ao fim da contagem regressiva. Toda a comunicação entre a mesa de lançamento e a rampa onde o foguete é posicionado é feita por sinal de rádio.

Combustão e Propulsão

O sistema propulsivo é o coração do foguete, afinal, são os motores quem garantem que o foguete vá decolar. O desenvolvimento do FDT Tereshkova foi feito em paralelo com o dos motores à propulsão sólida Classe H e Classe F, ambos trabalhos de pesquisa dos alunos do laboratório. 

Os membros da DCP (Divisão de Combustão e Propulsão) auxiliados pelo Prof. Me. Silas Camargo de Matos desenvolveram o propelente dos motores H e F, feito à base de mistura de Nitrato de Potássio e Sucrose (KNSu). Esta etapa contou com apoio do IP&D e da Prof. Dra. Ivone Regina de Oliveira que possibilitou o acesso à laboratórios químicos avançados como o Laboratório de Caracterização de Materiais e a Central Analítica.

Figura 10 – Processamento de material.  Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Para o desenvolvimento do propelente foram utilizados softwares para equilíbrio químico como o GDL Propep, CEA e RPA. Posteriormente, a estrutura dos motores foi definida, utilizando materiais poliméricos como o CPVC para o envelope e argamassa de alta resistência para a construção das tubeiras e tampões. Estes materiais foram submetidos à testes e se mostraram adequados para substituir o metal usinado usado em larga escala no projeto de envelopes para motores-foguete.

Figura 11 – Imagem ilustrativa do motores H (direita) e F (esquerda). Fonte: Os Autores, 2020.

 O trabalho de desenvolvimento dos motores envolveu testes qualitativos e quantitativos, como os testes de queima e os testes estáticos de bancada. Os ensaios são necessários para garantir a estabilização da queima e alto rendimento do propelente. A estrutura também é analisada durante os testes, onde observa-se seu comportamento durante o funcionamento do motor e pode-se averiguar o aparecimento de trincas ou deformações.

Figura 12 – Teste de Operação do Motor Classe F. Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Os três primeiros protótipos do FDT Tereshkova são chamados de modelos 1. Estes não voaram propulsionados pelos motores desenvolvidos pela equipe, pois os motores classe F e H ainda não estavam operacionais. Nestes três primeiros lançamentos, foram utilizados motores comerciais Classe D comprados pela equipe e testados em parceria com o grupo de foguetes do ITA.

O primeiro-estágio do foguete contou com um cluster de 9 motores classe D fornecendo 315 N de empuxo para o lançamento, já o segundo estágio contou com 3 motores classe D fornecendo 105 N de empuxo para a separação e continuação do voo.

Figura 13 – Cluster de 9 motores no primeiro-estágio do FDT Tereshkova-1. Foto de André Toledo, 2019.

Cargas, Estruturas e Integração

A escolha de materiais e métodos de fabricação para construção do corpo do foguete e seus componentes são responsabilidade da Divisão de Cargas, Estruturas e Integração. São realizados pesquisas e testes a fim de escolher o material mais leve e resistente para cada elemento do foguete, de modo que o veículo tenha alta eficiência estrutural.

Os processos de fabricação podem incluir usinagem de materiais metálicos, fabricação de materiais compósitos e montagens manuais, como é o caso do FDT Tereshkova. Processos de manufatura aditiva com uso de impressoras 3D são amplamente utilizados e no projeto do FDT, a ogiva; a baia da eletrônica e os blocos do motor são feitos de filamentos de materiais poliméricos como o PLA ou Tritan.

As empenas do foguete foram construídas de polímero para matriz de materiais compósitos e as fuselagens dos primeiro e segundo estágio são construídas a partir de tubos de papelão. 

Figura 14 – Esquema de Montagem do FDT Tereshkova-1. Fonte: Os Autores, 2019.

Sem dúvidas, um dos grandes avanços do time foi o desenvolvimento do dispositivo interestágio do foguete. Este componente além de conectar o segundo estágio ao primeiro no momento da montagem final do foguete é responsável por efetuar a separação dos dois módulos em voo no momento da ignição dos motores do estágio superior.

O interestágio foi desenvolvido a partir de uma série de pesquisas sobre separação de estágios de foguetes, que serviram de base para decidir-se que a melhor forma de solucionar este problema de engenharia seria desenvolver um dispositivo baseado nos interestágios dos foguetes Soyuz (russo) e Titan II  (americano). 

O interestágio do foguete soviético Soyuz conta com uma geometria cônica posicionada acima do segundo-estágio. Esta geometria favorece o escape dos gases provenientes dos motores acionados no terceiro-estágio e fazem com que eles “empurrem” o segundo-estágio para baixo, separando-os. Esta forma de separação de estágios é chamada de “separação à quente”.

Figura 15 – Interestágio do Foguete russo Soyuz. Fonte: Acervo de Martin T. Mikkelsen. Flickr, 2010.

No momento da separação à quente os gases expelidos pelos motores superiores necessitam de espaço para escaparem do interestágio, desta forma, no projeto do Míssil Balístico Intercontinental americano Titan II  foram incluídas janelas de exaustão de formato retangular, servindo de saída para o escoamento dos gases.

Figura 16 – Janelas de Exaustão do interestágio do Titan II. Fonte: Teitel, 2016.

Unindo as soluções de engenharias apresentadas nos projetos do Soyuz e do Titan II, a equipe desenvolveu um dispositivo capaz de realizar esta missão de acordo com a necessidade do FDT Tereshkova. O componente capaz de conectar os dois estágios foi concebido, contando com um cone central e três janelas de exaustão; foi utilizado software CFD para ensaios preliminares, o que teoricamente provaram que a geometria desenvolvida era capaz de exercer sua função de favorecer a separação dos estágios a partir do escoamento dos motores superiores.

Figura 17 – CFD do interestágio no momento da separação. Fonte: Os Autores, 2019.

O interestágio foi construído de material polimérico em impressora 3D e submetido à testes de resistência estrutural e à temperatura. Nos testes de separação, constatou-se que a resistência estrutural do material era adequada, porém, devido aos gases provenientes da queima de propelente dos motores serem expelidos em alta temperatura pelas tubeiras, o material polimérico era deformado, principalmente na região do cone central. A solução encontrada para o problema do derretimento foi a aplicação de resina epóxi sobre a peça, aumentando sua resistência à altas temperaturas. Em novos testes a peça resistiu a mais de 800º C.

Figura 18 – Dispositivo Interestágio montado para lançamento. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

Durante cada protótipo do FDT construído, alguns pontos eram corrigidos e no terceiro protótipo lançado o interestágio estava 100% funcional.

A Divisão de Cargas e Estruturas também executa o projeto avançado do foguete, efetuando a integração de todos os subsistemas desenvolvidos pelas outras divisões, como os paraquedas, motores e aviônica. Quando todos os componentes estão prontos e a eletrônica está operacional, a divisão efetua a montagem final para os últimos testes antes do lançamento.

Figura 19 – Time da DCE no momento da montagem final do segundo protótipo do FDT. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Após todos os testes finais serem executados, o veículo pode seguir para a operação. No dia do voo, a DCE é responsável pelo posicionamento do veículo na rampa de lançamento e pelas últimas checagens antes da ignição.

Figura 20 – Montagem do foguete na rampa de lançamento. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Final do desenvolvimento dos protótipos e motores, nasce o FDT Tereshkova-2

Como dito ao longo do texto, foram desenvolvidos três protótipos do foguete Tereshkova-1 enquanto a Divisão de Combustão e Propulsão desenvolvia os motores H e F. Ao final do desenvolvimento dos motores, o FDT Tereshkova-1 já era um projeto maturo e pôde receber o novo sistema propulsivo. Foi necessário alongar o primeiro-estágio em cerca de 20% para dar lugar ao novo motor classe H, e por consequência, algumas mudanças foram implementadas para corrigir a estabilidade de voo do veículo, como o recebimento de novas empenas para ajuste do centro de pressão e consequentemente, da margem estática.

Figura 21 – Comparativo entre o FDT Tereshkova-1 e sua versão 2. Fonte: Os Autores, 2019.

Como é a operação do FDT Tereshkova

A operação se inicia com um briefing do Chefe de Operações juntamente com os Capitães e Chefes das Seções Operacionais (Segurança, Meteorologia e Manutenção). Juntos, o time avalia as condições climáticas, local de lançamento e possíveis ameaças à segurança da operação e ao sucesso da missão. Se todas as questões avaliadas forem positivas, a operação de lançamento é confirmada.

Figura 22 – Documentação de Operações. Foto de André Toledo, 2019.

Chegando ao Campo de Lançamentos, a área de posicionamento da rampa de lançamento é isolada em um raio de 10 m, sendo permitida a entrada somente do pessoal responsável pela operação. Convidados e demais membros da equipe acompanham e auxiliam de fora da área isolada.

Durante toda a operação, o chefe da Seção de Meteorologia está avaliando as condições meteorológicas e reportando-as para o Chefe de Operações. O Chefe da Seção de Segurança garante que todos os procedimentos sejam realizados de forma correta e que os operadores estejam realizando o uso de EPI. Já o Chefe de Ignição garante que todo o sistema responsável pelo acionamento dos motores esteja 100% funcional.

Figura 23 – Montagem do terceiro protótipo na rampa de lançamento. Foto de Mateus Vieira, 2019.

A equipe da DCE realiza a montagem do foguete na rampa de lançamento, este procedimento conta com o uso de viseiras junto aos capacetes e de luvas de proteção devido ao risco, mesmo que pequeno, de haver ignição acidental dos motores.

Figura 24 – Operadores da DCE usam EPI. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Quando o FDT está totalmente montado na base, o time da DCE pode efetuar a instalação dos ignitores elétricos nos motores e deixar a área isolada.

Figura 25 – Instalação dos ignitores elétricos. Foto de André Toledo, 2019.

Neste momento quem entra em cena é o time da DEC para realizar a sintonia entre a rampa de lançamento e a mesa de ignição através da conexão via rádio entre elas.

Figura 26 – Montagem e Conexão da Mesa de Lançamento. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Com a ignição conectada, todos deixam a área isolada e o foguete está pronto para o lançamento, é hora de iniciar o checklist. O checklist final é feito pelo Chefe do Operações e conta com check de meteorologia, segurança e ignição, onde o chefe de cada uma destas seções pode dar seu “go” ou “no-go”. Se todas as checagens forem positivas, a decontagem é iniciada em 10 segundos e ao final o lançamento do foguete é efetuado.

As fases do voo do FDT Tereshkova estão apresentadas pelo diagrama abaixo: 

Figura 27 – Diagrama do perfil da missão do FDT Tereshkova. Fonte: Os Autores, 2019.

1: O foguete é acionado na rampa de lançamento. Os motores do primeiro-estágio são ignitados fornecendo juntos 315 N de empuxo na versão FDT-1 e 330 N na versão FDT-2.

Figura 28 – Momento do Lançamento. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

2: Após cerca de 1 segundo de voo a eletrônica embarcada efetua o acionamento dos motores do segundo-estágio e a separação à quente ocorre.

Figura 29 – Momento exato do acionamento dos motores do segundo-estágio. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

3: O primeiro-estágio já separado do segundo deixa o conjunto efetuando uma saída lateral devido ao arrasto do próprio corpo. Mantém uma trajetória ascendente de baixa velocidade até seu apogeu.

4: Após desacelerar, o primeiro-estágio atinge seu apogeu em cerca de 80 m de altura.

5: O primeiro-estágio começa a efetuar sua descida de volta ao solo.

6: O paraquedas do primeiro-estágio é acionado por meio de carga de ejeção. O paraquedas é inflado e freia a queda do módulo, trazendo-o de volta ao solo em baixa velocidade para evitar avarias.

7: O primeiro-estágio toca o solo em segurança.

Figura 30 – Paraquedas do primeiro-estágio aberto. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

8: O segundo-estágio está em plena ascensão, com seus motores em queima.

9: No ápice de sua trajetória balística, o segundo-estágio atinge seu apogeu em cerca de 300 m de altura.

Figura 31 – Segundo-Estágio subindo após a separação. Foto de André Toledo, 2019.

10: Após o apogeu, o segundo-estágio ejeta a coifa contendo a cápsula de carga-útil. Nela, além do computador de bordo podem ser acomodados experimentos de até 100 g.

11: Mantendo a parábola de sua trajetória balística, o segundo-estágio começa a cair.

12: O paraquedas do segundo-estágio é acionado e pode-o trazer de volta ao solo em segurança.

Figura 32 – Paraquedas do segundo-estágio pousando. Foto de Saulo Zonfrilli, 2019.

13: O corpo do segundo-estágio toca o solo.

14: A cápsula mantém sua trajetória. Dados atmosféricos como temperatura e pressão são coletados durante todo o voo.

15: A cápsula inicia seu retorno ao solo.

16: O paraquedas da cápsula é inflado, possibilitando um pouso suave, sem danos ao computador de bordo ou ao experimento.

Figura 33 – Cápsula retornando ao solo após o voo. Foto de Nathan El Khouri, 2019.

17: A cápsula toca o solo. Com todos os módulos no solo inicia-se o processo de localização dos estágios e principalmente da cápsula dentro da coifa. Os estágios pousam não muito longe do local de lançamento, já a coifa pode pousar distante e por este motivo conta com dispositivos de rastreamento por sinal de rádio VHF / UHF e GPS.

Figura 34 – Rastreamento da coifa com a cápsula e computador de bordo. Foto de Mateus Vieira, 2019.

Um drone pode ser utilizado para varreduras aéreas em busca do local de pouso da cápsula e dos módulos, o que fornece ao pessoal no solo informações sobre o acesso ao local onde deve ser feito o resgate.

Figura 35 – Coifa localizada pelo drone. Foto de Rodrigo Justen, 2019.

Após o resgate de todos os módulos, a operação de lançamento é encerrada, os alunos cuidam da desmontagem dos equipamentos e da logística de volta para o laboratório. Um debriefing pode ser realizado entre todos para avaliar o sucesso da missão ou razões pelas quais isto não aconteceu, possibilitando que a fase de análise do ciclo PDCA possa ser executada.

Figura 36 – Parte da equipe após a localização e resgate da coifa. Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019
Quem Apoiou o Projeto do FDT Tereshkova

Toda a tecnologia empregada no FDT foi 100% desenvolvida na FEAU/Univap, com total apoio da universidade e da FAPESP. Foram utilizados diversos laboratórios da FEAU e do IP&D (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Univap).

O projeto contou com patrocinadores como a VidalProteção que forneceu gratuitamente à equipe todo o EPI utilizado, a Rellevo Engenharia/Flashforge BR que contribuiu com a impressão de peças avançadas em impressoras 3D e a New Life Estamparia que confeccionou a preço mais baixo os uniformes da equipe.

Figura 37 – Entrega do EPI doado pela VidalProteção. Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Pesquisa de alto rendimento

A série de pesquisas desenvolvidas pelos alunos do Laboratório de Jato Propulsão resultaram não só no foguete construído como também em diversos artigos científicos, dos quais 7 foram aprovados para apresentação no XXIII INIC (Encontro Latino Americano de Iniciação Científica), evento anualmente organizado pela Universidade de Vale do Paraíba e de destaque internacional.

Figura 38 – Gráfico de artigos apresentados pela equipe no XXII INIC. Fonte: Os Autores, 2019.

Os alunos puderam ver os resultados de seus trabalhos não só na forma de um produto que foi construído e lançado por eles como também na forma de artigos acadêmicos publicados e apresentados. Alguns alunos escreveram seus primeiros artigos e foram introduzidos à escrita técnica-científica e à forma de apresentação de trabalhos.

Figura 39 – Alunas apresentando artigos acadêmicos Fonte: Acervo da Bravo Rocket Team, 2019.

Para Vanessa de Souza, que apresentou seu primeiro artigo acadêmico durante o XXIII INIC, o projeto do FDT Tereshkova foi uma oportunidade de colocar a mão na massa durante a construção de um projeto: “No projeto Tereshkova eu tive oportunidade de colocar a mão na massa literalmente: “Posso dizer que acompanhei diversas reuniões e testes, tudo pra que no dia do lançamento tivéssemos o mínimo de erros possíveis. E mesmo assim todos vimos o quão difícil é lidar com situações inesperadas.”

João Vitor Lima, que participou do desenvolvimento da eletrônica embarcada afirmou “Foi incrível poder participar do Projeto Tereshkova, agregando todo o aprendizado obtido no processo, participando do planejamento para que pudéssemos entregar as tarefas a tempo e dos testes realizados para que pudéssemos comprovar os métodos e tecnologias utilizados. O trabalho em equipe possibilitou que pessoas de outras áreas se ajudassem para uma melhor visão do projeto.”

Quem Fez o FDT Tereshkova

Figura 40 – Equipe Bravo Rocket Team. Foto de André Toledo, 2019.

DIVISÃO INTEGRANTES

DCP – Combustão e Propulsão Silas Matos, Prof. Me.

Douglas Ferreira N. P., Cap. de Divisão

Nikole Lima de Oliveira

Milena Gomes R. da Silva

Fabiana Fernandes Farfan

Gustavo Freitas de Souza

Gabriela de Paula Vilela

Marcela Moreira S. Ferreira

Lucas M. de Oliveira Mendes

DAR – Aerodinâmica e Recuperação

Heidi Korzenowski, Profa. Dra.

Kelly S. Marinho, Cap. de Divisão

Weslan Jovino da Silva

Mirela Ponce Biaseto

DEC – Eletrônica e Computação

Alessandro Corrêa Mendes, Prof. Dr.

Vinicius Amaro Bueno, Cap. de Divisão

Pedro Golobovante

Polyane O. Ribeiro Lima

João Victor Feo Lima

Arthur G. C. Menezes Costa

Luiz Mário A. Brandão Jr.

Nikole Korres Borges

Thiago Leite Goulart Braga

Wilton Jaques de Souza Jr.

Gabriel P. Araújo Muniz

Kevin Rodrigues

DCE – Cargas e Estruturas

Vilian Sinka, Prof. Dr.

Carla Soares Vieira, Cap. de Divisão

Marcos Vinicius C. Miranda

Vanessa Viviane de Souza

Dayana N. Gomes da Silva

Nathan José El Khouri

Jônatas J. Monteiro da Silva

Elner Crystian Santos

Cecilia Maia Corsato

Caroline de Vasconcelos Castro

Capitão-Geral

Bruno Marques Carvalho

Chefe de Operações

Mateus de Paula Vieira

Chefia do LJP

Silas Camargo de Matos, Prof. Me.

Referências

  • KHOURI, N. J. E. Acervo Pessoal, São José dos Campos, 2019.
  • MIKKELSEN, M. T. Soyus Rocket Launch Baikonur, Baikonur, 2010. Disponivel em:
  • <https://www.flickr.com/photos/martintrolle/albums/72157624152196106>. Acesso em:
  • 2019.
  • BRAVO ROCKET TEAM. Acervo, 2019.
  • TEITEL, A. S. Why Were There Holes in the Titan Rocket that Launched NASA's Gemini
  • Missions?, 13 maio 2016. Disponivel em: <https://www.popsci.com/why-were-there-
  • holes-in-titan-rocket-that-launched-nasas-gemini-missions/>. Acesso em: 27 julho 2018.
  • TOLEDO, A. L. D. Acervo Pessoal, São José dos Campos, 2019.
  • VIEIRA, M. D. P. Acervo Pessoal, São José dos Campos, 2019.
  • ZONFRILLI, S. Acervo Pessoal, São José dos Campos, 2019.