A estrutura de resgate a submarinos da Marinha do Brasil

Na foto, o Navio NSS K-11 "Felinto Perry" nosso especializado em salvamento de submarinos da Marinha do Brasil.
Esta matéria foi escrita originalmente dentro do contexto dos fatos ocorridos no final de semana do acontecido acidente com o submarino ARA San Juan da Armada Argentina em 2017, quando surgiram nas redes sociais os mais diversos questionamentos do por quê da Marinha do Brasil se envolver na operação de resgate daquele submarino .
Gràfico via “covert shores”/Hisutton.com

Semelhantes questionamentos foram fomentados também na semana do acidente com o submarino russo “Losharik” ocorrido no dia 01 de julho, que vitimou 14 militares e quase colocou a embarcação em risco de afundamento, o que poderia agravar a situação e causar maiores riscos, incluindo o risco de vazamento de substâncias radioativas do reator nuclear.

Dentro do ocorrido, a estrutura internacional de resgate de submarinos da “ISMERLO” ficou de sobre alerta, aguardando para uma eventual operação de resgate caso fosse solicitada pelas autoridades navais e governamentais da Rússia.

O fato é que o Brasil tem mais um motivo para se orgulhar de sua Marinha, pois pertencemos à um seleto grupo de apenas 16 países que possuem uma estrutura mínima, mas altamente operacional e eficiente, para efetuar a busca e salvamento de submarinos em emergência, bem como dar o adequado tratamento para as vítimas resgatadas.

Uma imagem interessante de um treinamento recente da OTAN no Mar Mediterrâneo, onde navios de diversas Marinhas dessa organização participara do exercício Dynamic Monarch, um exercício exclusivo para atividades de busca e salvamento de submarinos em emergência realizado em setembro desse ano (2017). O equipamento ao lado da embarcação é um SRC (submarine rescue chamber) que foi descido e acoplado ao submarino da Real Armada Espanhola “Tramontana”. NATO Photo by FRAN CPO Christian Valverde

Poucos sabem mas existe uma entidade internacional que ajuda a organizar e, eventualmente, coordenar atividades de resgates à submarinos e outras embarcações afundadas que necessitem de apoio para o  resgate, e, essa entidade é a ISMERLO ou “International Submarine Escape and Rescue Liaison Office”.

E felizmente o Brasil faz parte dessa organização, colaborando e recebendo colaboração quando necessário para as atividades de prevenção e resgate quando necessário para submarinos em emergência que estejam em nossas águas ou nas proximidades.

Estabelecida em 2003 como resposta internacional ao acidente do submarino russo Kursk em agosto de 2000, a ISMERLO é na prática uma organização que funciona como um escritório de ligação entre nações que operam submarinos de todos os tipos, e, seu principal objetivo e missão é fomentar a prevenção de acidentes com submarinos e organizar os meios necessários para uma eventual operação de resgate coordenando meios diversos dos países mais próximos que possam oferecer ajuda. 
As atividades submersas só perderm em risco para o trabalho dos astronautas, em nível de perigo para os profissionais de Marinha de Guerra ou de setores de prospecção de petróleo e pesquisas científicas em niveis similares.  Na foto, o treinamento de resgate de tripulante de submarino durante o exercício Dynamic Monarch, realizado pela NATO/OTAN no mês de setembro de 2017. NATO Photo by FRAN CPO Christian Valverde.

Além de escritório de ligação, a ISMERLO reúne permanentemente um time internacional de experts (Submarine Escape and Rescue Working Group-SMERWG) em uma base permanente em Norfolk, estado da Virgínia-USA, e que trabalham permanentemente para estabelecer procedimentos padrões para as ações de resgates à submarinos em qualquer parte do mundo em tempos de paz.

Saiba mais detalhes de como é a complexidade de uma missão de busca e salvamento de um submarino, SARSUB: https://www.defesa.tv.br/sarsub-como-funciona-uma-missao-de-salvamento-de-um-submarino/
A Marinha do Brasil e sua estrutura de resposta à acidentes com submarinos
 Imagem via Marinha do Brasil
Na América Latina, o Brasil possui uma estrutura única e pioneira para as atividades de apoio a mergulho profundo e também para o treinamento, apoio e operações de resgate de submarinos, estrutura essa que compreende não só o navio especializado NSS K-11 “Felinto Perry” como o sino de resgate (SRS) e toda uma estrutura hospitalar espalhada pelo Brasil para o atendimento e tratamento de vítimas de acidentes em profundidade. 
 Sino de resgate de submarinos brasileiro, projetado e construido no Brasil e utilizado pelo NSS K-11 Felinto Perry da Marinha do Brasil. Imagem via Marinha do Brasil.

O  SRS brasileiro ( Sino de Resgate Submarino ) é um sino de resgate submarino projetado e construído no Brasil. É baseado em um sino de mergulho de saturação com um assento de resgate adicionado.

É operado a partir do navio especializado NSS K-11 “Felinto Perry”, um navio de resgate submarino cuja missão básica é  salvar tripulações de um submarino desabilitado e também para apoiar atividades de mergulho profundo.

O NSS K-11 “Felinto Perry”Ex-Holger Dane, ex-Wildrake, em 1988, foi adquirido pela Marinha do Brasil à empresa norueguesa A/S Sentinel Offshore para substituir o navio NSS Gastão Moutinho nas tarefas de socorro de pessoal e salvamento de material e de apoio ao mergulho profundo.

O NSS Felinto Perry tem esse nome em homenagem ao Almirante Felinto Perry (Rio de Janeiro, 12 fev. 1871 – 2 dez. 1929), filho do comandante Felinto Perry (Rio Grande, RS 16 jan. 1844 – 02 abr. 1892) que participou de batalhas na Guerra do Paraguai, tendo recebido por isso o título de cavaleiro da Ordem de Cristo, além de medalhas e condecorações. Ao morrer, era Capitão dos Portos do estado e Administrador da Barra do Rio Grande.

Detalhes da popa do NSS K-11 Felinto Perry, e seus guindastes para manobras e trabalhos.
As características do navio especializado NSS K-11 “Felinto Perry” incluem o Sistema de Posicionamento Dinâmico e um complexo de sino e câmara hiperbárica de mergulho para divisões saturadas além de 300 metros de profundidade, o qual é o limite de sua capacidade de resgate submarino.
As pessoas resgatadas de um DISSUB pressurizado podem ser tratadas no complexo hiperbárico integrado do navio, embora ainda não seja possível realizar uma “Transfer Under Pressure” (TUP). Se necessário, eles também podem ser tratados na câmara hiperbárica da plataforma traseira.
 Câmaras hiperbàricas no CIAMA, Base Naval do Rio de Janeiro.
A Marinha Brasileira tem uma série de câmaras hiperbáricas distribuídas ao longo da costa, que podem ser usadas em apoio às operações de Escape e Salvamento Submarino. 5 dessas câmaras são colocadas em hospitais navais e um enorme centro hiperbárico está localizado na Base Submarina Brasileira no Rio de Janeiro.
Este complexo hiperbárico é capaz de testar equipamentos a grandes profundidades, simular mergulho saturado e tratar um grande número de pessoas que sofrem de distúrbios de mergulho por vez. A Marinha do Brasil tem a única escola de mergulho no Brasil capaz de treinar Deep Divers.
Estes cursos são realizados no Centro Hiperbárico. Além de formar mergulhadores saturados e supervisores de mergulho no mar profundo para as marinhas brasileiras e de nações amigas, também recebe estudantes civis de mergulho que serão designados para trabalhar na indústria do petróleo após completar o curso.
Recursos adicionais no campo de “Submarine Escape and Rescue” incluem uma instalação de treinamento de fuga composta por uma torre de escape de 20 m de profundidade, também localizada na Base Submarina Brasileira no Rio de Janeiro.
 O Brasil é um dos poucos paìses do hemisfério sul que possui uma bem localizada estrutura hospitalar com câmaras hiperbàricas para o adequado tratamento de vìtimas de acidentes de atividades de mergulho.

* Referências e fontes:


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