A falta da Marinha Mercante nacional na doutrina do emprego naval Brasileiro

Eu outro dia indo para o Rio de Janeiro pela minha habitual passagem pela ponte Rio Niterói, vi um navio transporte doca prestando serviços dentro da baia de Guanabara trazendo uma plataforma de petróleo que estava sendo construída para voltar a região de Campos (Plataforma P-67), dias depois vi o mesmo tipo navio navegando para a região do porto do Açu levando blocos para construção daquele porto, e depois fiquei sabendo que dependendo do percurso o mesmo pode transportar até contêineres, embora não seja sua expertise de projeto.

Eu sempre falei que o enfraquecimento da Marinha Mercante nacional, após os governos militares iria afetar no futuro a Marinha de Guerra.

Sem querer entrar no mérito dos motivos escusos por detrás disto, fiquei lembrando que a Marinha americana tem a seu serviço direto nas frotas de sua Marinha de guerra, 5 navios daquele tipo ou similares, dando-se ao luxo de ter um navio destes configurado como base naval móvel.

Quando o USS Cole foi atacado ele foi retirado de águas perigosas por um destes navios, que embora não fosse da US NAVY, devido a ter sido contratado pela urgência na tarefa de retirar o destróier de volta aos EUA, era do mesmo tipo.

Lembro ainda, que o mesmo tipo de navio transporta carga para diversas marinhas, inclusive a soviética recentemente  utilizou este tipo de navio para deslocar dois submarinos classe Akula pra desmanche, já na US NAVY, ele é utilizado frequentemente para deslocamentos de barcos patrulha de águas rasas, que não tem condições de movimentação em mar aberto para áreas de atuação em suas intervenções mundo afora, e anos depois do caso com o USS Cole ele novamente  foi  usado pela US Navy, quando o USS Fitzgerald colidiu com outro navio, tal capacidade de utilidade de gerir apoio a Marinhas de Guerra em tudo se justifica seu emprego,  o que faz na minha analogia todo sentido!

Considerando que a doutrina do emprego naval, necessita de suporte de retaguarda, nas operações de combate, a nossa doutrina neste caso é um completo fracasso, pois embora possamos contratar firmas para serviços desta natureza, esta ausência de equipamentos, nos atrela a uma indisponibilidade no conceito “JUST IN TIME” que a nossa Marinha de Guerra em uma eventual emergência militar necessita, alem de nos submeter as vontades de armadores e interesses estrangeiros no momento da contratação deste tipo de serviço.

Nós modificamos o emprego de transporte e suporte da Marinha de Guerra, nos dobrando as vontades escusas de extinguir nossa Marinha Mercante (eu me recuso a ir com o time de que era necessário fazer isto, é amoral e de um perigo estratégico sem medidas, nem sequer merece essa quantidade de respeito conjecturar estas hipóteses), devemos repensar em re-construir uma Marinha Mercante de porte ao menos de apoio a atividade de exploração de petróleo.

Ou nós mantemos a capacidade de ter suporte naval ao menos nesta área, ou vamos ver “afundar” todo nosso lucro nesta exploração, ou damos aos nossos meios navais espaço nacional, uma construção nacional, suporte e formação de tripulações, bem como mercado a partir do qual eles podem trabalhar em seus próprios veículos, de preferência construídos aqui mesmo, ou vamos ver uma falência total de nossos meios no mar, sejam Mercantes ou de Guerra, bem como os interesses de terceiros se apropriarem de nossas riquezas.

A questão não é se isso pode ser feito. A verdadeira questão é o custo e a vontade/ coragem de admitir que a dilapidação de nossa Marinha Mercante e a entrega de serviços dela a empresas estrangeiras, foram um erro terrível e que temos que recuperar a capacidade perdida.

JG

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