A Força Aérea Brasileira e o dia 22 de abril

No dia 22 de abril de 1945 em um único dia, os pilotos da FAB realizaram 11 missões, portanto este dia simboliza o dia da Aviação de Caça Brasileira

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Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, foi preciso reorganizar as forças armadas com grande urgência. Havia carência de tudo. Armas, veículos, equipamento moderno e até mesmo uma doutrina adequada à realidade de uma guerra moderna.

Até aquele momento, a aviação militar no país estava dividida entre a Aviação da Marinha e do Exército. Em 1941, o Presidente Vargas assinou o decreto que criava a Força Aérea Brasileira (FAB) e que ordenava que todas as aeronaves pertencentes às duas armas deveriam ser transferidas imediatamente para a nova força.

blankAssim o Brasil foi para a guerra, contrariando tudo e todos. Mas seu batismo de fogo se deu apenas no final de 1944 e logo no início do ano seguinte, as tropas fizeram parte da ofensiva de primavera; o grande esforço aliado para acabar com o conflito que já se arrastava desde 1939 na Europa.

Às vésperas do dia 22 de abril, como em muitas ocasiões, o comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça (1° GAvCa) da FAB tivera de tomar importante decisão diante das sucessivas baixas. O grupo perdia em média três pilotos por mês – média igual à da Força Aérea dos EUA (USAF), incluindo pilotos abatidos e mortos, desaparecidos e capturados.

blankSe as ações continuassem neste ritmo breve o 1º GAvCa deixaria de existir, e seus pilotos e mecânicos seriam distribuídos nos demais esquadrões aliados, ou continuariam lutando com um número maior de voos por dia, arriscando mais a vida, mas ainda como uma unidade brasileira.

“Só quem esteve em combate sabe o que é voar mais de uma missão no mesmo dia”, escreveu o major brigadeiro do Ar, Rui Moreira Lima, veterano do Grupo em seu livro “Senta a Púa!”.

blankDesta forma, no dia 22 de abril de 1945, num único dia os pilotos da FAB realizaram 11 missões, na data que simboliza a Aviação de Caça Brasileira. Voaram duas, até três vezes, em intervalos de poucas horas, sob fogo inimigo e enfrentando grande desgaste físico – um piloto perdia dois quilos em uma missão de duas horas de duração.

Engana-se quem pensa que o esforço acabou ali. Por mais três dias, os pilotos brasileiros voaram dez missões diárias.

blank“Em muitas ocasiões, como comandante do 350th Fighter Group, eu fui obrigado a mantê-los no chão quando insistiam em continuar voando, porque eu acreditava que eles já haviam ultrapassado os limites de sua resistência física.” relata o major general Nielsen, ex-comandante da unidade americana à qual os pilotos da FAB estavam subordinados na Itália.

O que significa Jambock?

Ao chegar na Itália, o grupo recebeu dos americanos o nome de código-rádio “Jambock”, ou “Chicote”, segundo explicaram à época. Passados algumas décadas, o Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, pesquisou sobre a palavra e descobriu uma grande ironia.

blank“Por uma ironia dos fatos, o chicote utilizado pelos brancos contra os escravos africanos, indonésios e malaios passou a ser usado contra os arianos puros de Adolf Hitler, manejados por brasileiros livres que foram à Itália defender a liberdade e a democracia”, relata em seu livro “Senta a Pua!”.

A palavra teve origem na Indonésia: era uma vara de madeira usada para castigar escravos, chamada de “Sambok”. Na África do Sul, mais tarde, virou “Sjambok”, um chicote feito de couro de rinoceronte, utilizado como instrumento de tortura contra escravos.

Até hoje, os pilotos da 1º Esquadrão do 1º Grupo de Caça identificam-se na “fonia” como “Jambock”.