A Rússia Enfrenta As Defesas Da OTAN Com Seus Bombardeiros

Tu-160 cruzando os céus de Moscow em 9 de maio de 2015. Reuters/Grigory Duko

Nos turbulentos anos de 1960, os soviéticos precisavam de um dispositivo aéreo multi-missão que fosse condicionado a destruir alvos em áreas geográficas remotas e nas profundezas de teatros de operações continentais com o menor dano possível aos próprios militares e aos quadros de aeronaves da URSS.

Sukhoi Tu-4 em 1970.

Como alternativa direta ao fracassado Sukhoi T-4, o projeto “145” da empresa Tupolev ganhou dimensão no alto comando da união soviética, e representava um bombardeiro supersônico multi-modo que era capaz de voar em velocidade subsônica em pequenas altitudes e em velocidade supersônica para superar as defesas aéreas.

Na ocasião, a aeronave deveria transportar mísseis Kh-22 ar-superfície que já haviam sido implantados em outras aeronaves, e segundo a Federação de Cientistas Americanos, após interrompidas as atividades nos bombardeiros T-4, a Tupolev passou a desenvolver a aeronave “145” em 1967, o que mais tarde foi designada como Tu-22M BackFire.

Anos mais tarde, um novo conceito de aeronave surgiu, ainda na intenção de manter a superioridade aérea de um bombardeiro de combate que superasse as defesas inimigas. Surgiu um projeto que se baseou numa competição aberta pelas empresas tradicionais, a Tupolev apresentou um projeto de aeronave usando elementos do Tu-144, a Myasishchev do M-18 e a Sukhoi na aeronave T-4.

Foi sublime que o projeto da Myasishchev era considerado o mais bem-sucedido, embora a Tupolev fosse considerada como tendo o maior potencial para a conclusão deste projeto complexo pelas instalações já fundadas, e pelas aeronaves já conhecidas e operantes na União Soviética, o Tu-22 Blinder e o Tu-22M BackFire.

Tu-160 com míssil guiado AS-15 Mod 8 soviético.

Assim, o governo entregou a responsabilidade à Tupolev, que deveria seguir os elementos do projeto do bombardeiro M-18, dando origem ao Tu-160, a maior aeronave supersônica e de asa geométrica variável da história da aviação militar, bem como a aeronave de combate mais pesada do mundo com o maior peso bruto de decolagem entre os bombardeiros.

Tu-160 expandindo suas asas variáveis. Viktor Korotayev/Reuters

Os infindáveis momentos e operações que o Tu-160 desempenhou nas operações especiais soviéticas e russas, permitiu à Força Aérea Russa conduzir programas de modernização ao bombardeiro nos anos 2000 para que pudesse sobreviver às variáveis escaladas de exigências do cenário bélico internacional, tornando-se também um porta-mísseis moderno e robusto capaz de carrear até 40 mil kg de armamentos em 2018.

Tu-22M e Tu-160 durante evento internacional russo. Google Imagem

Por seu poder e graça, o Tu-160 foi extraoficialmente chamado de “Cisne Branco”, e junto com o Tu-22M tornaram-se a linha de frente contra inimigos terrestres e aéreos.

A OTAN, organização ocidental contra as forças chinesas e russas que remontam a gênese do contexto pós-segunda guerra, percebeu nas últimas semanas uma intensa atividade aérea de alta dissuasão nos principais mares do norte e leste europeu.

A Força Aérea Russa conduziu uma série de exercícios militares envolvendo os bombardeiros Tu-160 e Tu-22M3, e uma aeronave anti-submarino Tu-142 de longo alcance da sua Força Aérea Naval.

Um Su-30SM escoltando uma aeronave aeronave anti-submarino Tu-142.

Segundo o próprio Ministério da Defesa russo em comunicado oficial, evidenciou que, em 16 de setembro, o Mar Negro teve uma visita surpresa ao receber a aeronave anti-submarino Tu-142 que sobrevoou o espaço aéreo internacional sob escolta dos caças Su-30SM, no dia seguinte, sem prévia declaração de atividades aéreas, bombardeiros russos Tu-22M e Tu-160 iniciaram voos sobre as águas neutras do Mar Negro, e para manter a segurança da aeronave estratégica e sensível, alguns caças Sukhoi Su-27 fizeram a escolta dos equipamentos como apoio.

Esquadrão estratégico russo composto por dois MiG-31 e um Tu-160 durante operação sobre o mar norte russo.

Mais tarde, dois Tu-160 penetraram em voo programado sobre os mares de Barents e da Noruega, bem como também sobre o oceano Atlântico, também escoltados por MiG-31 russos, entretanto, tiveram uma pequena surpresa ao longo do percurso com duração de 10 horas.

Alguns caças F-16 da Força Aérea Norueguesa, um membro OTAN, interceptaram o esquadrão de aeronaves táticas sem qualquer intercorrência. Todas essas incursões aéreas russas ocorrem em meio ao aumento em mais de 30% das missões de vigilância da OTAN sobre as fronteiras russas.

Os arsenais de defesas antimísseis e ataques baseados em terra e mar da OTAN espalhados pela Europa tornaram-se vulneráveis ao passo que a Rússia desloca seus equipamentos na região.

Lançamento de um míssil padrão SM-6 RIM-174 de um destróier.

Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), só nas proximidades do Mar de Barents e do Mar negro, a OTAN possui um grande sistema de defesa aérea baseado nos mísseis SM-6 ou RIM-174, um interceptor endo-atmosférico de longo alcance que usa uma ogiva de fragmentação de explosão para engajar mísseis de cruzeiro, aeronaves e mísseis balísticos na fase terminal a incríveis 430 Km de distância.

Barreira russa com sistemas de defesa aérea compostas por S-300 e S-400. CSIS

Putin não seria tão ingênuo em deslocar seus esquadrões de bombardeiros tão próximos do ciclo de defesa e ataque ocidental sem respaldo bélico, além da escolta de caças, Putin possui acoplado à Crimeia os sistemas de defesa aérea S-400 que operam a 400 km, e caso essa barreira seja quebrada, no interior do complexo de mísseis, há os sistemas S-300.

Já na porção Ártica, o S-400 também está ativo no Comando Estratégico Conjunto da Frota Norte, a área de Severomorsk, uma parede para qualquer inimigo ocidental, especialmente Norueguês ou americano.

Um T-160 tomando a frente do esquadrão composto por Tu-22M3 durante a parada do Dia da Vitória em Moscou, em 4 de maio de 2019. REUTERS/Tatyana Makeyeva/File Photo

Mesmo sendo equipamentos estratégicos da era da Guerra Fria, os russos modernizaram e reaparelharam a maioria dos bombardeiros para suportar a atual geração bélica, condicionaram-nos na aptidão de portar mísseis de longo alcance a velocidades supersônicas e em baixa altitude, e dissuadir a OTAN sobre a real capacidade do pronto-emprego de Bombardeiros Táticos Russos a qualquer tempo e a qualquer hora.

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