Academia militar de West Point tem maior número de formandas negras em toda sua história

Formandas de 2019 da Academia de West Point, nos Estados Unidos. — Foto: Cadet Hallie H. Pound/U.S. Army via AP

Um número recorde de mulheres negras se formou neste sábado (25) na famosa Academia Militar de West Point (United States Military Academy – USMA), que prepara alunos que já terminaram o ensino médio para o Exército dos Estados Unidos (US Army). Elas são 34 dos cerca de mil estudantes da turma de 2019.

“Eu acabei de mostrar a mim mesma e àqueles que achavam que eu não conseguiria que, sim, eu consigo”, disse a formanda Stephanie Riley. “E não só que eu consigo: eu posso mostrar a outras meninas que, sim, você pode vir para West Point. Sim, você pode fazer algo que talvez o resto dos seus colegas não estejam fazendo. E, sim, você pode ser diferente do resto do grupo”, afirmou.

Stephanie estava entre as formandas negras que posaram para fotos de formatura em seus uniformes cinza, segurando sabres cerimoniais. As fotos — parte de uma tradição para cadetes graduados — foram publicadas online e se tornaram um símbolo da crescente diversidade de West Point, que permanece principalmente branca e do sexo masculino.

As 34 formandos são uma fina fatia dos cerca de mil cadetes da turma de 2019. Ainda assim, as cadetes dizem estar orgulhosas de fazerem parte de um marco histórico na academia, depois de quatro anos testando seus limites.

“Eu estava mais animada para tirar a foto porque significa que estamos todas nos formando. Foi ótimo estar lá com muitas das minhas irmãs, que me apoiaram em momentos difíceis durante o treinamento de verão e o ano acadêmico”, disse a cadete Gabrielle Young. “Eu não esperava que tivesse o impacto que causou em todo o país”.

Embora West Point desafie todos os cadetes, as experiências podem ser diferentes para mulheres negras. Stephanie contou que as pessoas procuravam por ela para fazer comentários durante discussões em sala de aula sobre raça ou escravidão. Já Gabrielle disse que é muito atenta a como se comporta e como é vista por pessoas diferentes.

“Eu sinto que, de alguma forma, eu tenho que me provar um pouco mais, provar que eu pertenço a este lugar. E até mesmo um colega me disse, acho que no nosso primeiro ano, que eu só entrei porque eu era uma mulher negra”, contou Gabrielle, uma das poucas na sala que foram selecionadas para uma faculdade de medicina.

Marco Histórico

West Point impulsionou os esforços para recrutar mulheres e estudantes negros depois de receber, em 2013, uma recomendação do então chefe de gabinete do Exército. A academia mudou sua abordagem de marketing e abriu um escritório de diversidade. Os funcionários de admissões aumentaram o os esforços de alcance para áreas metropolitanas de cidades como Nova York, Atlanta e Detroit.

Nem todos esses esforços foram voltados especificamente para minorias ou mulheres, mas ampliaram a busca por candidatos qualificados. O fato de a academia ter montado times de lacrosse e rugby para jogos universitários também ajudou a atrair atletas do ensino médio.

A turma que se formou neste sábado tem vários recordes: são, ao todo, 223 mulheres — o maior número desde que as primeiras cadetes se formaram, em 1980 —, 110 alunos negros e 88 latinos, os maiores números da história. “Estamos começando a ver os frutos de nossos trabalhos”, disse a a coronel Deborah McDonald, diretora de admissão.

Em outro marco, o tenente-general Darryl A. Williams tornou-se o primeiro superintendente negro em West Point no verão (americano) passado. Em 2017, Simone Askew foi a primeira mulher negra a se tornar a primeira capitã do Corpo de Cadetes, a mais alta posição estudantil na academia.

Mesmo com o progresso na diversidade, West Point não ficou imune a problemas enfrentados pelos militares e pela sociedade. A violência sexual e o assédio têm sido problemas tão persistentes que Williams suspendeu as aulas por um dia, em fevereiro, para que toda a academia pudesse se concentrar neles.

Além disso, foi há apenas quatro anos que 16 alunas negras do último ano inadvertidamente provocaram controvérsias, levantando os punhos cerrados em uma de suas fotos de formatura. Críticos viram implicações políticas em um gesto que, segundo os defensores, foi feito com boas intenções solidárias.

“Eu não acho que trocaria essa experiência por nada no mundo”, disse Gabrielle. “Eu sei que já conquistei muito e sei que estou preparada para o que quer que venha.”
  • Com informações da Agência de notícias Associated Press


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