ALA 10: Processo de reestruturação da Força Aérea Brasileira, vem formando grandes polos operacionais

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blankO processo de Reestruturação da Força Aérea Brasileira (FAB) tem trazido novidades. Tais mudanças incluíram a reorganização de unidades, a otimização de processos e a transferência de sede de alguns dos esquadrões aéreos. Com isso, foram formados grandes polos operacionais: um deles é a Ala 10, localizada em Parnamirim, zona metropolitana de Natal (RN). A Organização Militar, que já concentrava diversas unidades aéreas – notadamente as de instrução -, agora tem dois novos esquadrões. Com um histórico marcante na FAB, ela agora se prepara para um futuro de vetores aéreos mais modernos e uma operação ainda maior no cenário da defesa e integração nacional. Nesse contexto, a Ala 10 chega a 2018 atingindo a composição esperada pelo Alto Comando da Aeronáutica.

Os Esquadrões Pastor (2º ETA) e Falcão (1º/8º GAV), transferidos de Recife (PE) e Belém (PA), respectivamente, chegam a Natal, somando cinco unidades aéreas sob a subordinação da Ala, sendo três de instrução (1º/5º GAV, 2º/5º GAV e 1º/11º GAV) e duas operacionais (2º ETA e 1º/8º GAV). Além desses, o Grupo de Instrução Tática e Especializada (GITE) também faz parte do complexo. Fundada em 1942, em uma parceria entre as forças armadas do Brasil e dos Estados Unidos, a unidade foi um ponto estratégico para o sucesso das tropas aliadas na Segunda Guerra Mundial: era o chamado “Trampolim da Vitória”.

Desde então, o local está intimamente ligado à instrução e à operacionalidade da FAB: abrigou o 5º Grupo de Aviação, mais antiga unidade de instrução da FAB, criada em 1947. A estrutura que agora se chama Ala 10 também já teve outras nomenclaturas: Base Aérea de Natal (BANT), Centro de Formação de Pilotos Militares (CFPM), Centro de Aplicações Táticas e Recompletamento de Equipagens (CATRE) e Comando Aéreo de Treinamento (CATRE). A nova concepção estratégica da FAB – Força Aérea 100, lançada em janeiro de 2016 – prevê como a instituição deve ser em 2041, quando completar cem anos.

Substituindo a lógica adotada após a Segunda Guerra, quando as unidades eram mais descentralizadas e espalhadas pelo litoral, a Força está agora preparada para um cenário com aeronaves mais modernas, com maior autonomia e capacidade de realizar variadas missões em todas as regiões do País. O Comandante da Ala 10, Brigadeiro do Ar Luiz Guilherme Silveira de Medeiros, destacou outra vantagem importante da concentração de esquadrões na organização militar.

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Militares do Esquadrão Pastor (2º ETA) posam com C-95 Bandeirante e caminhões que ajudaram na transferência do esquadrão de Recife (PE) para Parnamirim (RN)

“A FAB possui amplitude nacional, tem ao mesmo tempo alcance e flexibilidade. Então, o que precisamos é concentrar os esforços e aumentar a operacionalidade. Daqui de Natal, o 2º ETA continuará cumprindo sua missão do mesmo jeito e o 1º/8º GAV vai cumprir sua missão de uma forma muito mais eficiente. Trazendo eles [os esquadrões] para cá, a Força está diminuindo a carga pública, mantendo a operacionalidade e tornando seus meios mais eficientes”, lembrou. Para abrigar os novos vetores, estão sendo construídos 11 hangaretes: cinco para os H-36 do Falcão e seis para as aeronaves do Pastor.

O Comandante da Ala 10 explica que, além da posição geográfica favorável de Natal, o fato de o aeródromo ser exclusivamente militar também contribui para a gerência das operações dos esquadrões. Com o início das atividades do novo terminal da cidade em 2014 – o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves -, o antigo Aeroporto Augusto Severo foi desativado para voos comerciais e a pista é utilizada apenas pela FAB. “No Recife e em Belém, a demanda civil dos aeroportos está aumentando. A partir do momento em que foi feito o Aeroporto de São Gonçalo e a gente ficou com esse complexo todo para a operação militar, tornou-se mais conveniente trazer essas unidades para cá, até mesmo para utilizar essa estrutura e facilitar a coordenação das operações”, explica o Brigadeiro Medeiros.

De acordo com o Comandante do 2º ETA, Tenente-Coronel Aviador Marcio Henrique Santos da Costa, a expectativa dessa união na nova casa é muito positiva, por todas as possibilidades de operação em Parnamirim. “Essa é uma das maiores Alas do Brasil, não só pelo espaço físico, mas em relação à estrutura para comportar o esquadrão e para termos uma boa operação. O que facilita para a gente é o fato de a preparação ser melhor observada; primeiro, pela proximidade do 1º/5º GAV, que de alguma forma dita a doutrina; e segundo, porque tem Maxaranguape aqui do lado”, completa o Tenente-Coronel Marcio, citando o estande de tiro de Maxaranguape, de responsabilidade da Ala 10, que permite, também, o treinamento de lançamento de fardos e paraquedistas.

Os esquadrões aéreos

O Esquadrão Rumba (1º/5º GAV) foi ativado em abril de 1947, em Natal (RN), sendo a primeira unidade aérea do 5º Grupo de Aviação a ser ativada. Dotado de aviões North American B-25J Mitchell, tinha a missão de ministrar a instrução aérea para os pilotos de bombardeio da FAB. Além de Natal, o Esquadrão Rumba já foi sediado em Recife (PE) e Fortaleza (CE), e operou ainda aeronaves T-27 Tucano, formando pilotos de ataque. Atualmente, utiliza aviões Embraer C-95 Bandeirante para a formação nas aviações de transporte, patrulha e reconhecimento. O Esquadrão Gavião (1º/11º GAV) foi criado em 1967, junto ao Destacamento da Base Aérea de Santos. Desde o princípio, sua missão foi a instrução de aviadores e especialistas na Aviação de Asas Rotativas – tanto para a pilotagem quanto para a manutenção das aeronaves.

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Checagem de aeronave Oficial estagiário do 1º/11º GAV – Esquadrão Gavião realiza procedimentos de conferência nos contatos da aeronave antes da decolagem, acompanhado do instrutor.

O helicóptero utilizado é o Eurocopter H-50 Esquilo. Ele permite treinar todas as missões e atividades desenvolvidas pela Aviação de Asas Rotativas da FAB – instrução básica, uso de equipamentos especiais e emprego armado com metralhadoras e foguetes. O Esquadrão Joker (2º/5º GAV) está ativado desde 1953, quando o então 3º/1º Grupo de Aviação de Caça, sediado em Santa Cruz (RJ), foi desativado. Seus pilotos e aviões (P-47 Thunderbolt) foram transferidos para Natal, a fim de ministrarem instrução básica de caça aos aspirantes da FAB. Em boa parte de sua história, o Joker operou com a aeronave AT-26 Xavante, utilizada até 2004 na instrução básica dos pilotos até ser substituída pelo Super Tucano A-29B, utilizado até hoje.

O código de chamada Joker é herança do 1º Esquadrão de Instrução Aérea, que também era sediado em Natal. O Esquadrão Pastor (2º ETA) nasceu em 1969, com sede na Base Aérea do Recife (PE), e atualmente está equipado com aeronaves C-95 Bandeirante, C-97 Brasília e C-98A Grand Caravan. O Pastor participa de operações aeroterrestres, realizando lançamento de tropas paraquedistas e cargas, pousos de assalto, pousos em áreas não preparadas e toda sorte de missões voltadas ao preparo de suas tripulações para o pronto emprego. Em seus 48 anos de existência, cumpriu diversas missões em apoio às calamidades e emergências sociais, resgate de feridos, ressuprimento aéreo em apoio às tropas de terra e à população.

Entre outras operações no cenário nordestino, participou das buscas ao Air France 447, além de ser um dos esquadrões mais acionados no transporte de órgãos para transplante. Antes de Natal, o Esquadrão Falcão (1º/8º GAV) era sediado na Ala 9, em Belém (PA). Suas origens estão ligadas ao 1º Esquadrão de Reconhecimento e Ataque (1º ERA), com sede em Canoas (RS). Em 1972, foi desativado para a criação do 1º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque (1º EMRA), em Belém (PA). Em 1980, sua denominação passou a ser o atual 1º/8º GAV, com o dever operacional de: transporte aéreo, ligação e observação, busca e salvamento e operações aéreas especiais.

Na mesma década, sua sede alternou entre Manaus (AM) e Belém. Atualmente, opera o helicóptero H-36 Caracal, tendo em seu histórico ainda o CH-55 Esquilo bi-turbina e o UH-1H. O Grupo de Instrução Tática e Especializada (GITE) foi criado em 1983, com a missão de ser um centro de instrução operacional da FAB. Sua criação padronizou e otimizou o Curso de Tática Aérea, anteriormente ministrado na Base Aérea de São Paulo (BASP). O curso tem como finalidade preparar os oficiais subalternos da FAB para o emprego tático das unidades aéreas, assim como para o exercício das funções no âmbito administrativo. O GITE ainda é responsável por ministrar, dentre outros, o Curso de Preparação de Instrutores de Voo.

Fonte: Revista Aerovisão Nº 256
Por: Tenente Jor Felipe Bueno

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