Aniversário do Corpo de Infantaria de Marinha mais antigo do mundo

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Desembarque anfíbio de tropas da Infanteria de Marina Española. Foto via Armada Espanhola.

O Corpo de Infantaria de Marinha é uma unidade de operações anfíbias de elite enquadrada dentro da Armada Espanhola. É considerada a infantaria de marinha mais antiga do mundo dentro dos conceitos de nomeação e emprego de táticas, criada em 27 de fevereiro de 1537 pelo Rei Carlos I de Espanha.

As funções principais dos Infantes de Marinha é sua especialização em operações anfíbias bem como sua capacidade operacional tanto por mar como por terra, isto é, projeção do poder naval mediante o uso de forças anfíbias sobre uma costa hostil ou potencialmente hostil.

Sua capacidade para embarcar em pouco tempo junto com apoios aéreos e terrestres orgânicos da Armada, convertem-na numa unidade de alto valor estratégico por seu alto grau de adestramento, capacidade e possibilidade de posicionar-se de forma rápida e discreta em águas internacionais; constituindo um fator de dissuasão considerável.

A designação infantaria de marinha, “Infantaria de Fuzileiros Navais” ou infantaria naval compreende as tropas especializadas no embarque a bordo dos navios de guerra ou aeronaves de Porta Aviões com as funções de assegurar a sua segurança e/ou de desembarcar para efetuar operações anfíbias no mar ou em rios.

Os membros dos corpos de infantaria de marinha de alguns países têm designações especiais como “Fuzileiros Navais” (Brasil e Portugal), Fusileiros Navais (Uruguai) “Marines” (EUA e Reino Unido), Infanteria de Marina (Maioria dos países de língua espanhola) ou “Mariniers” (germânicos).

História

A Infantaria de Marinha da Espanha tem sua origem nos Terços Velhos, unidades de infantaria inicialmente destinadas a ir embarcada em navios, coisa que se fazia de forma temporária para realizar campanhas ou combates específicos.

A diferença surge quando se decide que estas tropas deviam ter uma dedicação exclusiva à guerra naval, e , isso diferencia a Infantaria de Marinha da Espanha e a torna assim a mais antiga do mundo. Foi criada pelo Rei Carlos I em 27 de fevereiro de 1537 ao atribuir de forma permanente às esquadras de galés do Mediterrâneo as companhias velhas do mar de Nápoles.

A infantaria de marinha existe desde a antiguidade mas tecnicamente com outras designações diversas. Já em Cartago, na Grécia e na Roma antigas existiam tropas que combatiam nos conveses das galeras, efetuando abordagens e defendendo os seus navios contra ataques inimigos.

A Marinha Romana incluía pessoal treinado para a realização de assaltos anfíbios. Com este pessoal naval foram inclusive constituídas, pelo menos duas legiões (a Legio I Adiutrix e a Legio II Adiutrix) para serviço em terra, com base, respectivamente, na Classis Misenensis e na Classis Ravennas, duas das frotas da Itália romana.

No entanto, apesar de diversas discussões históricas, permanece o fato que foi o Rei Felipe II de Espanha o que criou o conceito atual de Força de desembarque.

Depois do desaparecimento da esquadra de galés do Mediterrâneo em 1748, procedeu-se à reordenação e à modernização da tropa de mar, mudando a denominação das companhias existentes, deixando de ser conhecidas pelo nome do capitão que as mandava, e passando a partir de dezembro de 1749 a serem nomeadas por um sistema ordinal, tal como já se achava instaurado em muitos países europeus. Desta forma, em Cartagena ficaram constituídos um total de oito batalhões, compostos de seis companhias em cada um.

Em 1793, uma mulher, Ana María de Soto, fazendo-se passar por homem com o nome de Antonio María de Soto, se alista na 6ª companhia do 11º Batalhão de Marina, sendo licenciada com pensão e honras em 1798, ao descobrir-se que era mulher. É a primeira mulher Infante de Marinha do mundo.

Estrutura

As duas unidades principais da Infantaria de Marinha, dependentes do comandante geral do Corpo, são o Terço de Armada e a Força de Proteção (estabelecido um máximo de 4.680 efetivos, encontrando-se com 90 % de sua capacidade).

O Terço de Armada (TEAR), situado em San Fernando (Cádis), é a Força Expedicionária de Infantaria de Marinha, e é a responsável por aquelas missões terrestres que se iniciam a partir do mar.

A Força de Proteção (FUPRO) é a encarregada de velar pela segurança das instalações e o pessoal da Armada (ao redor de 2000 efetivos), comandada por um general de brigada.

Dentro da FUPRO existe também a famosa Força de Guerra Naval Especial

É a força de operações especiais da Armada especializada em operações em ambiente marítimo, terrestre e de litoral. Está formada pelo antigo Comando de Guerra Naval Especial, a extinta Unidade de Operações Especiais da Brigada de Infantaria de Marinha (UOE) e a extinta Unidade Especial de Mergulhadores de Combate (UEBC).

Estas unidades agrupam-se em elementos com os seguintes componentes principais:

Comando e controle: Grupo de Comando e Plana Maior e Pelotão CIS da Unidade de Plana Maior e Apoio
Combate: Estoles
Apoio de Combate (CSU): Unidade de embarcações e paraquedismo da Unidade de Plana Maior e Apoio.
Apoio de Serviços de Combate (CSSU): Previdência, Abastecimento, Transporte, dobrado, Armas e Material e Cargo da Unidade de Plana Maior e Apoio

Decálogo do infante de marinha

1º mandamento: Meu primeiro dever como infante de marinha é estar permanentemente disposto a defender a Espanha e entregar se fosse preciso minha própria vida
2º mandamento: Serei sempre respeitoso com meus comandos, leal com meus colegas, generoso e sacrificado em meu trabalho
3º mandamento: Estarei preparado para enfrentar com valor, abnegação e espírito de serviço qualquer missão designada à Infantaria de Marina
4º mandamento: Serei sempre respeitoso com as tradições do Corpo, estarei orgulhoso de sua história e nunca farei nada que possa desprestigiar seu nome
5º mandamento: Ajustarei minha conduta ao respeito das pessoas, sua dignidade e direitos serão valores que guardarei e exigirei
6º mandamento: Como Infante de Marinha a disciplina constituirá minha norma de atuação, praticá-la-ei e exigirei em todos os cometidos que se me atribuam
7º mandamento: Como Infante de Marina minha missão será sagrada em seu cumprimento: vencerei ou morrerei
8º mandamento: Aumentar a preparação física e mental será meu objetivo permanente
9º mandamento: Serei duro na fadiga, bravo no combate, nunca o desalento em meu peito aninhará, nobreza e valentia serão minhas emblemas
10º mandamento: Meu lema!… Valente por terra e por mar!

  • Fontes de referências, com textos adaptados via redação Orbis Defense Europe:

– https://armada.defensa.gob.es/ArmadaPortal/page/Portal/ArmadaEspannola/

-https://armada.defensa.gob.es/ArmadaPortal/page/Portal/ArmadaEspannola/conocenosorganizacion/prefLang-es/03Flota–04Flota-Fuerza-Infanteria-Marina–04organizacionFIM-es
– Armada Española (ed.). «Compañía Mar Océano»
– FAVAL, José H. R., Historia de la Infanteria de Marina Española, Madrid: Ministério de Defensa, 1985