Areia do Saara torna o céu marron em todo o sul da França até os Alpes

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Imagem feita hoje as 08:07am, no Mont Pilat, na região de Rhône-Alpes, França.

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Não, você não está em um filme de desastre, mas nos Alpes… As massas de ar do norte da África transportaram areia fina (feshfesh) do Saara para o sul da França. Em Grenoble, Lyon, nos vulcões de Puy-de-Dôme e até no topo do Alpe-d’Huez na fronteira com a Suíça e Alemanha, o céu está tingido de um ocre ameaçador e depois com a precipitação, até a neve ficou colorida com tons de marrom…

A última vez que um fenômeno semelhante e com tal intensidade aconteceu foi  em 2010, com as erupções vulcânicas ocorridas na geleira Eyjafjallajökull (pronúncia: eia-fiatla-iocutl) f que ocorreram em na Islândia e que sua poeira causou até interrupções no tráfego aéreo de boa parte da Europa Ocidental.

O céu é ocre e a temperatura amena em pleno inverno, com média de 07 a 10°C durante o dia abaixo de mil metros. Desde esta manhã de sábado, 6 de fevereiro, os Alpes, Auvergne e o vale do Ródano foram cobertos por uma camada de pequenos, mas numerosos, grãos voláteis de areia fina como talco. Um fenômeno não tão raro assim, mas que hoje impressiona pela intensidade da área atingida.

Mas o que a areia faz a uma altitude de 3.000 metros acima do Alpe-d’Huez? ” É um grande clássico do inverno e de suas situações difíceis”, explica Serge Taboulot, engenheiro meteorológico e ex-chefe do Centro Meteo-França nos Alpes do Norte. “ É simplesmente a retomada do fluxo atmosférico das areias de origem saariana ”, acrescenta.

E para cruzar o Mar Mediterrâneo, esses resíduos da tempestade de areia tomaram emprestados ” fluxos de ar suaves do norte da África e que frequentemente cobrem o sul da Europa “. Esses mesmos fluxos garantem temperaturas agradáveis ​​desde o início da semana. Eles vêm de um eixo de baixa pressão localizado na Espanha que traz a umidade retirada do Mediterrâneo, especifica um analista da Météo France em Bron, perto de Lyon.

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Imagem da pista do Altiporto do Mont Pilat (localizado à 1400m de altitude), hoje pela manhã, as 07:00am.

Consequência: a areia sobe e se espalha, às vezes atingindo uma altitude de 10.000 metros, dando ao céu uma tonalidade alaranjada ou marrom  ameaçadora, quase marciana, sobre todo o quadrante sudeste da França.

Sem perigo para a saúde

Segundo Serge Taboulot, esta dispersão de areia ” degrada ligeiramente a qualidade do ar mas não temos provas de que seja perigosa “. Por outro lado, essas partículas podem se depositar sobre o que encontram no solo, se uma chuva fina as derrubar: os carros podem ser cobertos por uma fina película amarelada e a neve em altitude pode ficar ocre. Uma mudança de cor que ” altera as propriedades físicas da neve, faz com que ela absorva mais luz solar e, portanto, aquece e derrete mais rápido “.

Embora impressionante, este episódio não deve durar, garante Serge Taboulot, pois em dois dias, o fluxo de ar frio do Norte da Europa deve dissipar essa poeria em suspensão, afastando estas areias e devolvendo o céu ao seu azul e branco da neve de sempre.

  • Com textos adaptados da reportagem de Thomas Hermans para o France3-regions & Francetvinfo.fr, via redação Orbis Defense Europe.


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