“As Forças Armadas Brasileiras Precisam De Maior Operacionalidade!”, General Augusto Heleno

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O cenário mundial atual se tornou muito complexo, árduo e pouco generoso com o tempo. O aparato bélico alcançado pelas grandes potências trouxe muitas mudanças econômicas e geopolíticas em quase todas as regiões do planeta, à medida que nações emergentes e àquelas ainda sob o conceito de “vassalagem ou colônia econômica” de uma “nação satélite” recebem vultosos recursos militares para aparelhar suas forças armadas.

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Momento de tensão durante a Guerra fria. thezoon.com

Apesar da Era da Guerra Fria ter se encerrado oficialmente em 26 de dezembro de 1991 com a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a conformação de choques ideológicos está presente e escalonado a patamares difíceis de serem suprimidos, como o entrave entre EUA e República Popular da China.

Segundo o documento oficial Política e a Estratégia Nacional de Defesa de 2012, neste século, poderão ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo domínio aeroespacial e por fontes de água doce, de alimentos e de energia, cada vez mais escassas.

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Mar do Sul da China

Tais questões poderão levar a ingerências em assuntos internos ou a disputas por espaços não sujeitos à soberania dos Estados, configurando quadros de conflito. Por outro lado, o aprofundamento da interdependência dificulta a precisa delimitação dos ambientes externo e interno.

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General Augusto Heleno durante entrevista. Reprodução Youtube/Pingos nos Is

Durante uma entrevista ao programa “Pingos Nos Is”, o Ministro De Estado Chefe Do Gabinete De Segurança Institucional Da Presidência Da República, General de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira, foi perguntado pelo respeitável repórter Augusto Nunes se o Governo Federal pretende reduzir expressivamente a verba destinada às ações militares do país nas forças de paz que nossos militares atuam pelo mundo, com possibilidade de reduzir a presença no exterior.

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Militar da marinha do Brasil em Missão de paz no Líbano. Marinha do Brasil

Segundo o General Heleno, o Brasil tem participação em algumas missões de paz, na maior parte delas como observador, por exemplo, na Força Interina das Nações Unidades no Líbano, a UNIFIL, criada pelo Conselho De Segurança (CS) da ONU em 1978, constituída após um ataque israelense contra o Líbano.

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Tropas israelense atirando em 1970. AFP/Getty Images

Israel alegava que buscava proteger o norte de seu território dos combatentes da Organização para a Libertação Da Palestina (OLP). Originalmente, a UNIFIL se propôs a restaurar a segurança e paz internacional, assegurar a retirada de tropas israelenses da região meridional libanesa e assistir o governo do Líbano na restauração de sua autoridade.

A atual situação do Brasil na UNIFIL é de protagonismo ativo da Força de Paz, visto pelo atual comandante da Força-Tarefa que é um brasileiro, o Contra-Almirante da Marinha Brasileira Sergio Renato Berna Salgueirinho, e o resultado da atenuação militar no exterior é consequência das circunstâncias que o país enfrenta nas suas próprias forças armadas, declara Augusto Heleno.

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Apresentação de viaturas do Exercício Brasileiro. Cabo Estevam via Jornal Grande Bahia

As falas do General Heleno revelam o descrédito que as Forças Armadas Brasileiras obtiveram ao longo dos últimos 20 anos no país, a Estratégia Nacional de Defesa de 2012 previa que a defesa do Brasil requeria uma reorganização da Base Industrial de Defesa (BID), formada pelo conjunto integrado de empresas públicas e privadas, e de organizações civis e militares, que realizem ou conduzam pesquisa, projeto, desenvolvimento, industrialização, produção, reparo, conservação, revisão, conversão, modernização ou manutenção de produtos de defesa (Prode) no País, para assim ter como produto final melhores equipamentos aos militares brasileiros e a obtenção de tecnologia para a independência em vários setores da Defesa, entretanto, as políticas e estratégias caminharam a passos lentos e burocráticos.

Ao dizer ao repórter Augusto Nunes que o Brasil precisa de forças armadas com maior grau de operacionalidade, o General Heleno trás à tona as demandas que Exército, Marinha e Aeronáutica possuem para assegurar e executar suas missões e exercícios nas reais situações de defesa e segurança nacional.

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Marinha do Brasil adentrando em território de narcotraficantes no Rio de Janeiro.

Para isso, Heleno salienta que renovar os equipamentos militares brasileiros, essenciais na soberania e nas missões constitucionais, sejam de Garantia da Lei e da Ordem e a proteção de fronteiras, é garantir a defesa do território nacional. A consequência desse investimento correto, planejado e legalizado retoma consideravelmente o investimento humano e físico nas missões de paz no exterior.

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Tropas brasileiras fazendo a última patrulha em Cité Soleil, capital Haitiana. Helvio Romero

Um dos pontos bem colocados por Heleno está na certeza da prontidão nos momentos de apelo para que o Brasil participe de missões no exterior, “nós temos uma natural vocação para sermos soldados da paz, o soldado brasileiro é um diplomata nato, o brasileiro por si só é um homem de conciliação”, declara o General.

Uma das maiores lideranças do Exército e da força de paz no Haiti, General Heleno comandou a Operação “Punho De Ferro” em 2005, a missão mais ímpar e resolutiva contra uma grande facção local haitiana.

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Áreas do pré-sal da Bacia de Santos.

As descobertas de fontes de energia no pré-sal estão entre as mais importantes em todo o mundo nas últimas décadas. Para a Petrobrás, essa província é composta por grandes acumulações de óleo leve, de excelente qualidade e com alto valor comercial.

Uma realidade que nos coloca em uma posição estratégica frente à grande demanda de energia mundial. Só no ano de 2018, cerca de 1,5 milhão de barris por dia foi extraído da área, o que levanta certos interesses de nações alheias pela fonte de energia não renovável e abundante na Amazônia Azul.

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Recursos minerais na região norte do Brasil.

Já em toda a porção norte do Brasil situa a maior área de floresta com fauna e flora diversificada do planeta, a Floresta Amazônica, um conglomerado farmacêutico, de espécies de animais de vários tipos e o leito de importantes e raros metais imprescindíveis para a estabilidade econômica de qualquer nação.

A cobiça pelas riquezas da Amazônia Real transcende fronteiras, e submeter as reservas de Estanho, Bauxita, Ouro, Diamante, Manganês, Ferro e Cobre às nações vizinhas ou extracontinentais de forma dissuasiva e tempestiva contra o Brasil não é opção, por esses motivos o planejamento da defesa deve incluir todas as regiões e, em particular, as áreas vitais onde se encontra a maior concentração de poder político e econômico.

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Brasília e o destacamento de mais de 8,5 mil profissionais de segurança e defesa. Agência Brasília

General Heleno, com sua imensurável experiência militar, sabe que arrumar a casa, priorizando-se o aparelhamento das forças e a defesa da Amazônia e do Atlântico Sul, é essencial em tornar o Brasil ainda mais resoluto nas missões no exterior e negar as áreas sensíveis brasileiras como alvos de nações estrangeiras e fontes de cobiças de ONGs.

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