As maletas espiãs contra o Presidente Bolsonaro

O jornalista Allan dos Santos denunciou um esquema de espionagem extremamente alarmante e que se configurava crime inafiançável e imprescritível

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Nos dias finais do mês de julho de 2020, o jornalista Allan dos Santos denunciou um esquema de espionagem extremamente alarmante e que se configurava crime inafiançável e imprescritível contra a ordem constitucional e o Estado democrático, a operação ativa de escutas exclusivamente instaladas na Esplanada dos Ministérios para interceptar as conversas do Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Segundo Allan, a empresa Rohde & Schwarz foi contratada por um funcionário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chamado Igor Tobias para fazer uma varredura em Brasília.

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Reprodução

Na época, o presidente do TSE era nada mais e nada menos que Luís Roberto Barroso, que chama o presidente de “apoiador da ditadura e da tortura”, e esbanja simpatia com a inteligência política e história ao afirmar que a Venezuela vive um estado radical de direita.

Reunião do ministro Luís Roberto Barroso com os presidentes da Câmara e do Senado, em 08.06.2020.
Agência Senado/Abdias Pinheiro/TSE

O problema, que fora denunciado há 8 meses e que poucas entidades do meio de comunicação deram importância, novamente veio à tona após uma reportagem pífia e sem crédito da Revista Veja, afirmando o que já sabíamos: a existência de um conluio entre os ministros do STF e deputados federais que integravam a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado na época, como Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, respectivamente.

O plano seria cassar o presidente da República no TSE utilizando todas as “provas” das buscas e apreensões que ocorreram nos inquéritos das “fake news” e dos “atos antidemocráticos”.

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Área Militar/Google Maps

A então empresa contratada por um funcionário do TSE varreu a Esplanada com equipamentos que detectam a emissão de frequência das maletas de escuta telefônica, que se comportam como “torres de celular e permitem interceptar o aparelho telefônico”, e determinou três locais de origem: Nas embaixadas da Coreia do Norte e da China e na casa do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como “Kakay”, morador na região da QL-4, todas em Brasília.

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Mas como funciona a maleta espiã?

Muitos acreditam que o sistema de ID facial ou os leitores de impressão digital estão mantendo os dados sigilosos dos aparelhos celulares protegidos, entretanto é um engano terrível.

Os coletores de identidade de usuário móvel internacional, conhecidos como IMSI Catchers, estão causando estragos na segurança de dados em escala global, e foi exatamente esta ferramenta de interceptação utilizada na Esplanada de Brasília, a arma preferida para atingir usuários desavisados.

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Método IMSI Catchers

Este método por IMSI Catchers agem como falsas torres de células que enganam o dispositivo da vítima para se conectar a eles. As comunicações (chamadas, mensagens de texto, tráfego da Internet e outras ações) são interceptadas e, em seguida, retransmitidas para a torre de celular de destino da operadora de rede.

Para piorar a situação, a vítima quase nunca tem consciência do que está acontecendo. Esse tipo de espelhamento de torre, vamos dizer assim, também é conhecido como ataque Man In The Middle (MitM).

Na verdade, é de responsabilidade das operadoras de Rede Móvel a correta segurança dos “Data Flow” – o fluxo de dados, mas não sei se existe uma lei específica no Brasil, por exemplo na Anatel, que obrigue as operadoras a identificar e denunciar este Data Flow espelhado, bem como obrigar as empresas a adicionar camadas de proteção cibernética às suas redes, péssima realidade brasileira.

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Uma das partes do relatório da empresa contratada pelo TSE. Allan dos Santos

Esta atividade cibercriminosa só é possível devido a uma lacuna no protocolo do Sistema Global para Comunicação Móvel (GSM) ou simplesmente 2G, que torna os dados do celular criptografados digitalmente.

Os telefones celulares estão constantemente procurando a torre com o sinal mais forte para fornecer a melhor recepção, que geralmente é a mais próxima. No entanto, pode não ser uma torre genuína de provedor de serviços móveis.

Assim, ao passo que um dispositivo se conecta a uma torre de celular, realiza autenticação por meio de sua Identidade Internacional IMSI.

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O IMSI é um identificador único vinculado ao seu cartão SIM e é um dos dados usados para autenticar seu dispositivo na rede móvel. O problema está no feedback dos dados, ou seja, a torre não precisa ser autenticada de volta.

É por isso que a Maleta Espiã IMSI Catcher é tão eficaz, simplesmente finge ser uma torre de celular perto do seu telefone, conecta-se perfeitamente a ele e começa a coletar informações.

As soluções são diversas, desde detector de anomalias IMSI Catcher a maiores investimentos das operadoras de telefonia móvel em segurança cibernética, além, é claro, no boicote de equipamentos do tipo sem autorização no Brasil, que muitas vezes são importados por diplomatas em missão no País e pelo mercado negro, facilmente encontrado na China.

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Existem empresas no mercado que fornecem capacidade de nível militar exclusiva para detectar estes métodos de ataque no nível da rede.

Além disso, os métodos de espionagem também são utilizados na inteligência da polícia federal para interceptar conversas entre investigados, mas são dispositivos com métodos controversos porque fazem vigilância em massa, não vigilância direcionada.

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Manchete “Nixon Renunciando”

Este caso faz lembrar Escândalo Watergate envolvendo o presidente norte-americano Richard Nixon na década de 1970, nos EUA. Nesse escândalo ficou comprovado que pessoas próximas a Nixon conduziam um esquema de escutas ilegais contra o Partido Democrata.

O escândalo ganhou repercussão internacional pelo trabalho investigativo conduzido por dois jornalistas do jornal The Washington Post que, na época, também sofreram tentativas de silenciamento, contudo, Nixon renunciou à presidência em agosto de 1974.

O mais espantoso da omissão do problema na Esplanada em Brasília, é que o Presidente Bolsonaro não fora avisado das maletas espiãs pelo presidente do TSE. A partir da denúncia do jornalista Allan dos Santos, membros diretos da presidência da República decidiram trocar os aparelhos celulares e melhorarem os protocolos de segurança.

De fato, o conluio não deu certo, e para dar credibilidade aos Ministros do Supremo responsáveis pelo envolvimento, mostrar que são sérios e formais com a Constituição, decidiram alertar seus pares e a segurança interna.

Infelizmente o caso está congelado na Procuradoria Geral da República (PGR), quem sabe agora a divulgação do ocorrido, que já era de conhecimento no ano passado, pelas “grandes mídias marrons” não estimule o movimento da inércia política na PGR e achem os verdadeiros responsáveis pelas escutas de Brasília e, quem sabe, resulte no IMPEACHMENT ou RENÚNCIA de políticos ou membros do judiciário ativistas.

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