As “PsyOPs” que ajudaram as forças dos USA no Iraque e na Síria

An EC-130J Commando Solo aircraft prepares to land at an air base in Southwest Asia. The EC-130J conducts information operations, psychological operations and civil affairs broadcasts in the AM, FM, HF, TV and military communications bands. (U.S. Air Force photo/Staff Sgt. Tia Schroeder)

As força militares dos USA nunca fizeram segredo sobre o emprego de operações de “Psy Ops”, ou guerra psicológica, em seus teatros de operações contra o ISIS no Iraque e na Síria, assim como para influenciar as populações civis envolvidas nessas regiões de conflitos. O segredo somente esteve durante algum tempo no “modus operandis” e no conteúdo das mensagens direcionadas ao inimigo e/ou para as populações civis, bem como as eventuais sequêlas aos que ficaram expostos aos métodos.

Como vimos no passado,  o mais comum na guerra psicológica foi o  amplo uso de panfletos e mensagens de rádio em vários conflitos do século XX, que inicialmente instigavam de maneira respeitosa os combatentes de forças oponentes a abandonar o confronto, e, a incentivar os civis a colaborar com as autoridades locais e  tropas dos USA, apenas prometendo bom tratamento após a rendição. Porém, a sistemática evoluiu muito tanto para melhor ou para pior em seu modus operandis, mas sem perder a eficiência no seu objetivo final.

Air Force cyber warriors, located on Port San Antonio

Graças ao “Freedon of Information Act” que garante o acesso à informação governamental, está ocorrendo um acesso facilitado para muitas informações antes classificadas como restritas e até mesmo secretas sobre quase tudo o que ocorreu nos últimos anos da participação das ações especiais das forças militares dos USA no Afeganistão e Síria.

Em uma quantidade impressionante de documentos que detalham as ações já operadas, estão também os conteúdos de transmissões de rádios broadcasting (rádios AM/FM) até sons aleatórios, como o de choro de crianças,gritos de mulheres, orações islâmicas desvirtuadas, entre muitos outros áudios, tudo destinado a criar estados mentais de confusão próximas ao abalo psicológico grave e até mesmo a estados de loucura, tudo para o intento final de criar condições que levassem aos combatentes terroristas islâmicos a abandonar o combate nas regiões dominadas no Iraque e na Síria, causando rendições em massa e permitindo aos militares dos USA a vencer sem precisar lutar e causar baixas desnecessárias para ambos os lados.

Um dos muitos cartazes que data da 1a Guerra do Golfo e que foi lançado aos milhões sobre o Iraque no ano de 1990/91 pelas aeronaves da coalizão ocidental liderada pelos USA.

Essas atividades recentes de “PsyOPs” foram elaboradas em 2015 e conduzidas a partir do ano de 2016, sob coordenação conjunta entre o U.S. Combined Joint Task Force-Operation Resolve (CJTF-OIR), o Combined Joint Operations Center-Jordan (CJTF-J, o comando avançado que coordena as operações na Síria) e diversos consultores sócio-culturais dos USA, especializados na cultura e costumes das populações dos locais a serem objetivados nas ações.

Apesar da necessidade inicial ser para operações na Síria, a  primeira “PsyOps pesada” ocorreu na cidade de Mosul (Iraque) em dezembro de 2016, inicialmente como uma experiência de campo para avaliar a eficácia das novas estratégias e conteúdos, e, para ajudar nos esforços de liberação da cidade que já estava a algum tempo sob completo controle do ISIS em atuação no Iraque.

Telemarketing anti-ISIS

Outro meio que foi considerado de grande eficácia foi o envio sistemático de mensagens de SMS para telefones celulares e até mesmo de áudios em ligações telefônicas aleatórioas para os aparelhos fixos e portáteis da região aonde ainda existia sinal de rede ou linhas físicas em operação. Um verdadeiro “telemarketing” anti-ISIS!

No caso das mensagens de áudio, em muitos casos foi experimentado o emprego de mulheres e homens treinados que telefonavam para as pessoas simulando serem parentes ou amigos, e durante a conversa, tentavam convencer as pessoas a não colaborar com os terroristas islâmicos ou a abandonar as regiões nas quais os terroristas estariam em campo, para assim não ocorrer nenhum tipo de apoio civil.

No caso de mídias sociais e aplicativos de comunicação via smartphones as mensagens são enviadas de diversas bases localizadas pelo mundo, e o conteúdo das mensagens é praticamente o mesmo, mas apesar que para tal ação, o resultado não tem sido significativo devido à ausência de conexão com a internet na maioria das regiões que estão em conflito no oriente médio.

As plataformas aéreas da “PsyOps” no Iraque e Síria

MIDDLETOWN, Pa. — The sun rises behind a C-130J at the Pennsylvania Air National Guard’s 193rd Special Operations Wing at Harrisburg International Airport here Oct. 1. (U.S. Air Force photo by Senior Airman Matt Schwartz)
Foram usadas como estações de rádio e tv aéreas, seis aeronaves C-130J Super Hércules da “Pennsylvania Air National Guard’s 193rd Special Operations Wing*”, que já são equipadas especialmente para a função, com estações de rádio e TV embarcadas para a transmissão sobre locais específicos sobre a cidade de Mosul e outras regiões, sempre nos canais de rádio e TV de maior popularidade local ou de estações que tramistem programação islâmica radical a partir do Irã, bem como canais usados por trasmissões de rádio e TV piratas instaladas nas localidades visadas pelas operações.

Praticamente foi “negado o uso” do espectro de rádiofrequências ao inimigo para qualquer tipo de transmissão de RF alheia aos interesses da estratégia americana anti ISIS/Daesh.

U.S. Air National Guard Photo by Senior Airman Claire Behney/Released

O uso dos C-130J Super Hércules em transmissões de “Psy-Ops” não é novidade recente, pois já na invasão do Afeganistão em 2001 após os ataques do 11 de setembro, os C-130J efeturam operações consideradas mais “lights”, transmitindo apenas programação de músicas variadas e informações diversas consideradas impuras pelo regime Talibã, que proibia música e qualquer outro tipo de divertimento considerado “mundando” e ocidentalizado para a população que deveria ser mantida sob os “valores das leis islâmicas”… 

As plataformas terrestres

Além das transmissões usuais de rádio e TV que ainda são emitidas de estações de broadcasting no Iraque, as plataformas mais eficiêntes foram veículos blindados equipados com alto-falantes de grande potência, direcionados para a cidade de Mosul e para outros locais que já havia a certeza da presença de terroristas islâmicos e da atividade da população civil que os apoiavam, sendo esse o método que causou mais resultados imediatos e também sequêlas graves nas populações civis atingidas.

Já no caso das técnicas usadas na cidade de Mosul (Iraque) e depois aplicadas em diversas outras cidades da Síria, o conteúdo das transmissões e sons emitidos foi algo considerado mais enérgico e até mesmo “pesado” de acordo com especialistas em psicologia. 

Da parte dos especialistas do U.S. Combined Joint Task Force-Operation Resolve (CJTF-OIR) nada foi admitido ou declarado oficialmente aṕos numerosos questionamentos da imprensa nos USA, mas de acordo com análises de especialistas independentes, os conteúdos dos sons e mensagens aplicados em Mosul e na Sìria foram tão intensos e pesados que deixaram muitos terroristas islâmicos abalados de tal forma que estavam já a beira da incapacitação psicológica e mental grave.

Gunnery Sgt. John Ciupak, a VOCALIS instructor, shows a member of the Iraqi Security Forces how to operate a Long Range Acoustic Device during training in Baghdad, July 11, 2018. VOCALIS is a comprehensive program designed to train, equip, and enable the advancement of the ISF Inform, Influence, and Persuade capabilities. ISF requires IIP capabilities to counter the influence of ISIS and affiliated/associated group propaganda in the information environment. (U.S. Army photo taken by Sgt. Dennis Glass)

No caso dos sons emitidos pelos sistemas de alto falantes direcionais em terra e embarcados em aeronaves, foram empregados sons de crianças e mulheres chorando intensamente, sons de pessoas agonizantes em dor, sons de explosões diversas, sons de veículos blindados em avanço, tropas em invasão e combate, orações islâmicas pedindo pela condenação espiritual dos terroristas islâmicos, assim como muitos outros sons diversos em graves e agudos, que operam em frequências irritantes aos ouvidos e que acabam por causar todo um quadro de stress intenso aos que são submetidos às respectivas emissões sonoras.

As emissões de áudios duravam períodos específicos, mas em outros momentos chegaram a perdurar por 24 horas ou mais, chegando em alguns casos a durar dias.

Sobre os sistemas de altos-falantes com capacidade de concentração e diretividade de som, isso também é uma tecnologia que já empregada no mundo civil, porém com o uso dentro de normas rígidas com a supervisão de técnicos e engenheiros de som em espetáculos de grande porte. No mundo civil esses equipamentos são conhecidos como sistemas “Line Array” que podem direcionar o som em um “cone” a distâncias superiores a 3km de distância sem perder a fidelidade e intensidade sonora.
Um dos muitos headsets q cancelam sons e ruidos externos intensos
facilmente encontrados no mercado civil destinado para profissionais.

Antes que se perguntem sobre a saúde auditiva e mental dos militares operadores dos equipamentos que efetuam as emisões sonoras, já à muito tempo existem sistemas de proteção auditiva especial que anulam sons indesejados através da anulação de frequências próximas ao conduto auditivo, isto é, fones de ouvidos tipo headset, que usam contra-frequências que produzem o quase absoluto silêncio para o usuário do sistema de proteção. Esses headsets especiais em suas versões mais simples já são de uso amplamente difundido entre pilotos de helicópteros e tripulantes de navios, entre outros profissionais obrigados a trabalhar em ambiêntes extremamente ruidosos.

O uso de emissões de sons e ruídos em frequências irritantes ao psicológico humano já foui usado muitas vezes no passado por diversas nações em muitos conflitos, porém o DoD (Departemento de Defesa dos USA) recomendou que não mais fosse empregado esse tipo de método desde que ocorreram sequelas graves a civis que ficaram expostos às emissões durante a Operação Just Cause (operação que derrubou o ditador Manuel Noriega) no Panamá nos anos 80.

Sobre a “Pennsylvania Air National Guard’s 193rd Special Operations Wing”

Transitioning from the EC-121 Constellation (left) to the EC-130 Hercules was a big step for the 193rd Tactical Electric Warfare Group in the late 1970’s. The fuel to run th Connie was being phased out of the Air Force and the newer airframe of the Hercules allowed for newer technology to come to the forefront.

A 193rd Special Operations Wing é uma unidade especial da Guarda Aérea Nacional dos USA, que tem por missão especificamente as ações de transmissão e retransmissão de sinais de rádio, TV e outros incluíndo guerra eletrônica, tudo voltado para o escopo de operações especiais de atividades ligadas à guerra psicológica em áreas de conflitos.

Baseada no Harrisburg International Airport, Middletown, Pennsylvania, mas mesmo sendo uma unidade da ANG (Air Natioal Guard) essa unidade está em finalidade subordinada a USAF através do Air Force Special Operations Command (AFSOC).

Curiosamente nenhuma das transmissões dessa unidade aérea são produzidas por eles, pois os conteúdos das emissões são de criação e responsabilidade do United States Army’s 4th Psychological Operations Group (Airborne), baseado em Fort Bragg, North Carolina. Geralmente as emissões são enviadas por links via satélite e as tripulações não tem contato com seus conteúdos.

Essa unidade iniciou suas operações em 15 de outubro de 1964 como uma das muitas unidades que iniciaram a moderna guerra eletrônica aerotrasportada, empregando aeronaves EC-121 Constelation.

A 193rd SOW participou direta e indiretamente de praticamente todos os conflitos que as forças militares dos USA participaram desde a criação da referida unidade, assegurando todo o tipo de operação de guerra eletrônica e, obviamente a guerra psicológica através das transmissões especiais de rádio e TV linkadas em suas aeronaves.

An EC-130J Commando Solo from the 193rd Special Operations Wing Pa. Air National Guard, Middletown, Pa. performs a defensive manover during a training mission at Bollen Range at Ft. Indiantown Gap, Annville, Pa. July 26, 2005. The 193rd SOW is the only unit in the armed forces that flies the Commando Solo mission. (US Air Force photo taken by SSgt Matt Schwartz 193rd Special Operations Wing, Middletown, Pa) (Released)
Abaixo alguns exemplos das mensagens mais “leves” transmitidas por diversos métodos nas operações no Iraque e na Síria desde 2016 até a recente retirada das tropas americanas nesse final de 2018.

“Do you regret choosing this life with Da’esh [another name for ISIS]? You probably miss your family at home… Or, perhaps you long for some of the comforts of your life before Da’esh… Electricity that works all day… Or being able to watch television, or freely use the internet…join your comrades now that have already saved their lives by leaving Da’esh.”

“I don’t know whether to laugh at you or pity you, Brother. You joined Da’esh to fight and be part of something. But look! The foreign fighters get paid more than you; they get better food, better places to live, and the spoils of war. What do you get? Honestly, my friend, you have been cheated! Da’esh would be nothing without you, and look, you are barely treated better than they would treat a nonbeliever, and enemy prisoner. Is this what you signed up for?”

“To Da’esh rats: Dig as many tunnels and trenches as you wish, and hide as many containers [caches] as you wish. I swear by Allah, we know all of these things, where they are located, and what’s in them. We even know what type of clothing you change into in your homes. God willing, we are coming! And we shall stomp on your heads.”

“Fall back!  They are everywhere! (Pause w/ static) Why is no one answering me? You need to move back! We cannot hold our position if you do not fall back you will be overrun! (Pause w/ static) If you can hear me fall back, I cannot hear you. You must fall back now or you will be killed! Is there anyone there? (Static that fades out)”

Com informações via www.193sow.ang.af.mil e grandes midias dos USA.

www.193sow.ang.af.mil

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