B-52, o Avião-Highlander que vai enterrar todos nós

Por Carlos Cardoso

Há 73 anos, em 1945 os EUA perceberam que a guerra do futuro dependeria de aviões levando bombas atômicas por milhares de quilômetros sobre território hostil, e não havia nada no arsenal americano capaz disso. Foi dada a largada para um projeto que resultaria no Bombardeiro do Futuro.

Especificações foram distribuídas aos fabricantes, que apresentaram projetos prontamente alterados com novas especificações e requisitos. O que era para ser um avião com velocidade de 480 km/h, teto de 10.400 m e alcance de 8.000 km. Diversos protótipos foram propostos e construídos, incluindo o YB-49 da Northrop.

Infelizmente ele estava adiantado demais para seu tempo, o formato asa voadora é por natureza instável, isso só foi resolvido décadas depois com os sistemas fly-by-wire e controles de estabilidade do bombardeiro B2. Essa foi a chance da Boeing se manter na disputa e melhorar sua proposta, que havia sido rejeitada pela Força Aérea.

O resultado foi o XB-52 (o X é de eXperimental, não é neutralização de gênero. Aviões são sempre mulheres).

Com velocidade máxima de 825 km/h, teto de 10.700 m e alcance de 11.125 km, com reabastecimento aéreo o B-52 era capaz de levar 4,5 toneladas de bombas a qualquer lugar da União Soviética, e por décadas dezenas deles permaneciam em patrulha permanente, esperando a ordem para rumar em direção a seus alvos e retaliar um ataque russo, dando fim à guerra do fim do mundo.

A Guerra Fria acabou, bombardeiros mais e mais modernos foram desenvolvidos, como o B1, o B2 e o alienígena XB-70, mas ninguém teve coragem de desmantelar a frota de 744 B-52s. Eles eram simplesmente úteis demais.

Os B-52 deveriam ser aposentados no máximo no começo de 1970, mas acabaram reformados, atualizados e mantidos em serviço. Na primeira Guerra do Golfo foram fundamentais para desmoralizar as tropas de Saddam despejando toneladas de democracia na cabeça da Guarda Republicana.

Hoje os B-52 levam muito mais que bombas convencionais e nucleares, eles lançam mísseis, bombas inteligentes, todo tipo de armamento tecnológico, e são usados sempre que preciso em lugares como Afeganistão, Iraque e Síria.

Agora 66 anos depois de seu primeiro vôo o B-52 é tripulado pelos netos dos primeiros aviadores a voar na plataforma, e pelo visto os bisnetos desses veteranos seguirão adiante  a tradição.

O último B-52 saiu da linha de montagem em 1966, mas seu custo mais que amortizado, a facilidade de manutenção e a eletrônica, que liberou toneladas e toneladas de peso ao substituir componentes antigos não permitem que ele seja aposentado.

O último upgrade está ocorrendo neste momento. Os aviões estão recebendo novos aviônicos (instrumentação de vôo), computadores e uma rede digital que dará aos B-52 capacidade de receber informações de alvo em tempo real.

As armas também estão sendo atualizadas, como novos designadores-laser e lançadores rotativos, como este aqui:

Isso garantirá que os B-52 continuarão voando até pelo menos a década de 2050.

É impressionante, uma plataforma de combate com 98 anos de idade é algo inacreditável mesmo para navios, ao menos do ponto de vista operacional. Há barcos bem mais antigos em atividade mas como museus ou cerimoniais, não como unidades de combate à vera.

Os B-52 realmente não são muito úteis numa guerra equilibrada, mas em combate assimétrico, quando o outro lado não tem condições de derrubar os atacantes, eles são ainda e continuarão mortais.

Fonte: Meio Bit





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