Base militar no Quênia utilizada pelos EUA é atacada por grupo terrorista

O grupo ‘jihadista’ somali Al-Shebab realizou neste domingo (05) uma tentativa de ataque a uma base militar no leste do Quênia, também utilizada pelas forças armadas dos Estados Unidos, e pelo menos quatro terroristas morreram, segundo exército queniano.

“Esta manhã, por volta das 05h30 (hora local), houve uma tentativa de passar pela segurança da guarda na base aérea de Manda Air Strip. A tentativa foi repelida com êxito”, conforme comunicado das Forças de Defesa do Quênia (KDF).

“Até agora, quatro corpos de terroristas foram encontrados. A pista de pouso está segura. Devido à tentativa fracassada de invasão, ocorreu um incêndio que afetou alguns tanques de combustível localizados na pista. O fogo está sob controle e procedimentos de segurança padrão estão em andamento”, explicou a nota da KDF.

A base aérea de Manda Air Strip está localizada no condado de Lamu, na fronteira com a Somália, e também é usada por tropas norte-americanas. O grupo ‘jihadista’ somali Al-Shebab, ligado à Al-Qaida desde 2012, reivindicou o ataque num comunicado, identificando a base como “uma das muitas plataformas de lançamento da cruzada norte-americana contra o Islã na região”.

Este seria, portanto, o segundo ataque que este grupo terrorista comete na mesma região do Quênia nos últimos dias, já que na quinta-feira (02) um ataque a um ônibus deixou pelo menos três mortos e três feridos.

Desde outubro de 2011, quando o Governo queniano enviou tropas militares para a Somália em resposta a uma onda de sequestros supostamente realizada pelo Al-Shebab no seu território, radicais islâmicos perpetraram numerosos ataques no Quénia.

A esse grupo – que controla parte do centro e sul da Somália e aspira a estabelecer um Estado islâmico wahhabi (ultraconservador) naquele país – foi atribuído, por exemplo, o ataque de 15 de janeiro do ano passado contra um complexo hoteleiro em Nairobi que causou 21 mortos.

O Al-Shebab reivindicou o ataque com um camião-cisterna cometido em 28 de dezembro em Mogadíscio e no qual pelo menos 92 pessoas morreram e mais de 125 ficaram feridas, o pior ato terrorista do grupo desde 2017 na capital somali.

A tentativa de ataque à Manda Air Strip ocorre no meio da crescente tensão entre os Estados Unidos e países do Médio Oriente, causada pela morte do general iraniano Qassem Soleimani, que ocorreu num bombardeio dos EUA em Bagdad.

A ação militar dos Estados Unidos causou grande instabilidade nessa área e um crescimento das hostilidades contra os norte-americanos. Há também uma crise em ebulição, que poderá complicar a já difícil situação de segurança na África e, especialmente, na Somália.

A Somália vive em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, o que deixou o país sem um Governo efetivo e nas mãos de milícias e senhores da guerra islâmicos.

  • Com informações do Jornal JN de Portugal