Batalha Naval do Riachuelo, Almirante Tamandaré, Marcílio Dias e heróis de nossa Pátria – José Ananias Duarte Frota

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Batalha Naval do Riachuelo, Almirante Tamandaré, Marcílio Dias e heróis de nossa Pátria.

                                José Ananias Duarte Frota – Cel BM R1 (ESG-CAEPE)

“O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”

Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva – Barão do Amazonas

Preâmbulo

Esta Delegacia no Estado do Ceará da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, recebe o ilustre contato do Professor Edson Schettine de Aguiar, filho do glorioso Patrão-Mor José Maria de Aguiar informando que a Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais fará uma live no dia 11 de junho às 19h, que será transmitida pelo perfil da Marinha do Brasil no Youtube, referente a sua data magna atinente a Batalha Naval do Riachuelo.

Suas apresentações são marcadas por uma mistura equilibrada de músicas populares e eruditas, instrumentais e cantadas. A Banda Sinfônica foi criada na década de 70 e pertence à Companhia de Bandas do Batalhão Naval, situado à Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, Rio de Janeiro-RJ.

A Batalha do Riachuelo

O confronto ocorreu em 11 de junho de 1865 às margens do Riachuelo, afluente do rio Paraguai, província de Corrientes, na Argentina. De um lado, estavam forças do Paraguai e, do outro, as do Império do Brasil, que junto com Argentina e Uruguai integrava a Tríplice Aliança.

O Paraguai perdeu a luta e, depois, a guerra. Do lado dos derrotados, foram 351 mortos e quatro navios afundados. Pelo Império do Brasil, morreram 104 pessoas e um navio foi perdido.

Alguns de nossos Heróis da Batalha do Riachuelo.

 

 Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva

O Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva, filho do Tenente-Coronel Teodósio Manuel Barroso, e de Antônia Joaquim Barroso da Silva, nasceu em 23 de setembro de 1804, em Lisboa, Portugal. Ingressou na Academia Real dos Guardas-Marinhas, já sediada no Brasil, como Aspirante a Guarda-Marinha, em 15 de outubro de 1821; foi promovido a Guarda-Marinha, em 23 de novembro de 1822; a 2º Tenente, em 10 de fevereiro de 1827; a 1º Tenente, em 18 de outubro de 1829; a Capitão-Tenente, em 22 de outubro de 1836; Capitão-de-Fragata,, em 14 de março de 1849; Capitão-de-Mar-e-Guerra, em 3 de março de 1852; Chefe-de-Divisão, em 2 de fevereiro de 1856; Chefe-de-Esquadra, em 21 de janeiro de 1857 e a Vice-Almirante, em 12 de abril de 1865.

Depois de embarcar em vários navios da esquadra, em sua carreira na Marinha Imperial do Brasil, comandou a Divisão Naval em Operações em Santa Catarina, a Charrua Carioca, em 1831, o Brigue Imperial Pedro, as Corvetas Imperial Marinheiro, Sete de Abril e Bahiana e o Patacho Patagônia.

Ao longo de sua brilhante carreira naval, o Almirante Barroso revelou-se possuidor da coragem e da audácia que caracterizam os verdadeiros marinheiros. Tendo sido designado para comandar a Corveta Bahiana, que estava em operação na bacia do rio da Plata, em conturbada época de nossa história, fortaleceu ainda mais, o seu prestigio profissional ao novamente alcançar expressivo êxito no exercício de uma das mais nobres missões de um Oficial da Marinha: O Comando no Mar.

Em 1865, durante a Guerra do Paraguai foi nomeado Chefe do Estado-Maior da Divisão Naval, comandada pelo insigne Almirante Tamandaré, e Comandante da 2ª Divisão Naval. Em maio, a 2ª Divisão se achava em Corrientes, operando, contra as forças da República do Paraguai.

Em 11 de junho de 1865, o Almirante Barroso teve importante atuação durante a Batalha Naval do Riachuelo pois, em um momento decisivo, resolveu lançar a proa da lendária Fragata Amazonas, Capitânia de Esquadra Brasileira na Guerra do Paraguai, contra os navios da Força Naval inimiga que, a mando de Solano Lopes, procuravam retirar dos brasileiros o domínio da navegação no rio Paraná, o que era imprescindível para a defesa dos nossos interesses.

A Impotância da nossa vitória elevou o Almirante Barroso ao patamar de herói nacional, tendo sido agraciado com os seguintes galardões: Comendador da Ordem de São Bento de Aviz, 1854; Dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, em 1865; e Barão do Amazonas, em 1866.

Faleceu, em Montevideo em 8 de agosto de 1882. (Fonte:naval.com.br)

Almirante Abreu

Natural de Rio Grande, Joaquim Francisco de Abreu nasceu em 13 de março de 1836. Durante a batalha do Riachuelo, já almirante, comandou a corveta Belmonte, que sofreu intenso ataque da artilharia paraguaia.

Com 37 rombos no casco do navio, o almirante Abreu, ferido, encalhou a embarcação para remendar os buracos. Em seguida, seguiu em combate. Além da Guerra do Paraguai, ele participou da tomada de Paysandu, em 1865, durante a Guerra do Uruguai, e do cerco de Montevidéu. Morreu aos 59 anos, em 14 de julho de 1895, em Rio Grande.

Comandante Felinto Perry

Nascido em 16 de janeiro de 1844, Felinto Perry também é rio-grandino. Ingressou na Escola da Marinha e, depois de atuar em diferentes navios, passou a integrar a tripulação da canhoneira Mearim, que participou da batalha do Riachuelo. Como segundo-tenente, Perry foi descrito pelo almirante Tamandaré, comandante das forças navais em operação na bacia do Prata, como “bravo entre os bravos”. Passada a guerra, o militar atuou como administrador da barra de Rio Grande, tendo se destacado no controle das entradas e saída dos navios. Morreu em 2 de abril de 1892.

Marcílio Dias

Segundo, Álvaro Pereira do Nascimento, na atual Praça Paris, entre os bairros da Glória e da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro, mantém-se um belíssimo monumento em homenagem ao Almirante Barroso e a outros homens do mar que morreram na Batalha do Riachuelo.

A imponente estátua de Barroso apoia-se num imenso suporte de alvenaria, revestido por um granito branco, no qual o artista, Correia Lima, distribuiu destacadas e centralizadas placas com os nomes dos principais navios de guerra e imagens de oficiais vitimados naquela batalha.

Entre outras peças de rara beleza destacam-se em bronze a imagem em relevo da batalha, muito próxima à obra de Victor Meirelles, e mais dois rostos em perfil, que estão logo abaixo à estátua de Barroso. São peças riquíssimas e muito bem trabalhadas. A primeira imagem é a do jovem guarda-marinha Greenhalg, que morreu abraçado à bandeira brasileira. A segunda mira a charmosa alameda central da bela praça. A segunda mira a charmosa alameda central da bela praça.

Trata-se do perfil do rosto de Marcílio Dias, o marinheiro mais homenageado na história da Marinha de Guerra. Talvez, o nosso primeiro herói nacional.

Ele reservou quantidade expressiva e destacada de linhas para um marinheiro de 1ª classe. Dizia o comandante do Parnahyba, o oficial Aurélio Garcindo de Sá:

O imperial marinheiro de 1ª classe Marsilio (sic) Dias, que tanto se distinguira nos ataques de Payssandu, imortalizou-se ainda nesse dia. Chefe do rodízio raiado, abandonou-o somente quando fomos abordados para sustentar braço a braço a luta do sabre com quatro paraguayos. Conseguiu matar dois, mas teve de sucumbir aos golpes dos outros dois. Seu corpo, crivado de horríveis cutiladas, foi por nós piedosamente recolhido, e só exalou o último suspiro ontem pelas 2 horas da tarde, havendo-se-lhe prestado os socorros de que se tornara a praça mais distinta da Parnahyba. Hoje, pelas 10 horas da manhã, foi sepultado com rigorosa formalidade no Rio Paraná, por não termos embarcação própria para conduzir seu cadáver à terra.

O conceito utilizado através da imagem de Marcílio Dias, que nos interessa aqui, foi o de cidadão exemplar, sinônimo de respeito à disciplina, às leis e à ordem, de amor à pátria e à nação.

Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, Capitão do Exército Pedro Afonso Ferreira e Tenente Inácio de Andrade Maia, tombados na refrega.

O Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, era filho de Guilherme Greenhalgh e de dona Agostinha Fróis, nasceu no Rio de Janeiro, em 28 de junho de 1845, oriundo de uma família que migrou da Escócia para o Brasil.

Matriculou-se na Escola de Marinha em fevereiro de 1862. Pela ordem de merecimento, nos exames prestados, ocupava o quarto lugar numa turma de trinta e um aprovados.

Da sua turma, nove foram indicados para o acesso a Guarda-Marinha e, em acordo com o Conselho de Instrução, Greenhalgh foi classificado em primeiro lugar, como Chefe de Classe, porque obtivera “maior soma de melhores notas de aprovação nas matérias do terceiro ano e exibe melhor comportamento e respeito dos outros.”

Completou seu ciclo de instrução a bordo da Corveta Dona Januária. Nomeado Guarda-Marinha em 29 de novembro de 1864, foi designado para embarcar na Corveta Imperial Marinheiro, passando a seguir para a Fragata Constituição. Em princípios de 1865, passou para a Corveta Parnahyba, a fim de adquirir a necessária prática de serviço em operações de guerra.

Chegando ao Rio da Prata, apresentou-se a bordo da lendária corveta, ao mando de Aurélio Garcindo de Sã.

A 30 de abril, a Parnahyba partiu de Buenos Aires, juntamente com a Canhoneira Ivaí e a Fragata Amazonas, está com a insígnia do Chefe-de-Divisão Francisco Manuel Barroso da Silva.

A 11 de junho de 1865 trava-se a memorável batalha naval do Riachuelo.

A bravura da tripulação da Parnahyba tornou-se célebre, destacando-se o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, o Imperial-Marinheiro Marcilio Dias, os oficiais do Exército Capitão Pedro Afonso Ferreira e Tenente Inácio de Andrade Maia, tombados na refrega em defesa de nosso pavilhão nacional.

A nossa bandeira que chegou a ser arriada por um oficial paraguaio, o qual também se apoderou do leme, foi defendida até à morte pelo Guarda-Marinha Greenbalgh e pelo Capitão do Exército Pedro Afonso Ferreira, e Tenente Inácio de Andrade Maia que morreram terrivelmente acutilados, mas emergiram para os esplendores da história.

Os Soldados José Alves, Hilário Pereira e Zeferino Leite de Oliveira morreram em combate, e o Sargento Augusto Pires Ferreira foi mencionado em despachos por sua bravura.

Este Fato foi retratado no opúsculo de Paulo Duarte “Voluntários da Pátria do Paraguai”. Esta denominação “Voluntários da Pátria” é de nossa Turma da Escola Superior de Guerra de 1998, onde concluímos com o amigo, Gustavo Alberto Trompowsky Heck, filho do antigo Ministro da Marinha Silvio Heck.

Nossas continências aos bravos defensores da nação brasileira e como afirmava o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva – Barão do Amazonas: “Sustentar o fogo, que a vitória é nossa!”

Ver mais de outras relevantes personalidades de nossa Marinha de Guerra:

Patrão Mor Aguiar

https://www.defesa.tv.br/patrao-mor-aguiar-um-legado-para-as-futuras-geracoes-e-sinergia-com-almirante-joaquim-marques-lisboa-marques-de-tamandare-o-patrono-da-marinha-jose-ananias-duarte-frota-cel-bm-r1-esg-caepe/

Almirante Benjamim Sodré

https://www.defesa.tv.br/tag/almirante-benjamin-de-almeida-sodre/

Delegacia no Estado do Ceará da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra e Instituto CTEM +