BATALHÃO TONELERO: onde só se pode prever o imprevisível

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O Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais é uma das mais prestigiadas unidades especializadas em combate ao terrorismo da Marinha do Brasil (MB) no Brasil.

No filme 13 horas: Os soldados secretos de Benghazi, um grupo de contratistas que protegia uma instalação da CIA, na Líbia, tem a tarefa de defender a missão dos Estados Unidos no país após este ter sido alvo de um atentado terrorista.

Baseado nos feitos verídicos de 2012, o que ocorreu na produção hollywoodiana de 2016 foi similar ao vivido pelo Suboficial Fuzileiro Naval (FN) Givanildo Santos, que na época foi enviado para a Embaixada do Brasil em Benghazi.

“Os americanos já tinham retirado todo seu pessoal diplomático, assim como as nações da União Europeia. Faltavam alguns países, entre eles o Brasil. Um dia depois da nossa saída, a Líbia fechou todas as suas fronteiras. Mas nós conseguimos retirar nosso embaixador e seu pessoal de lá sãos e salvos”, relembrou o SO Givanildo.

Giva, como é chamado pelos companheiros, trabalhava no Batalhão Tonelero, a unidade de operações especiais do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. “Atualmente sou adjunto de operações do Tonelero mas, naquela época, era o responsável pelo adestramento do pessoal do Grupo Especial de Retomada e Resgate [GERR]”, contou.

Aí veio o convite para eu ser instrutor do curso de segurança em embaixadas do Brasil, cujo propósito é qualificar oficiais e praças fuzileiros navais para assumirem funções de destacamento de segurança em apoio a missões diplomáticas no exterior. O curso é ministrado pela Companhia de Polícia do Batalhão Naval.

“Já estava nessa função (como instrutor na Companhia de Polícia) há um ano quando veio a missão em caráter emergencial de cuidar da segurança da Embaixada do Brasil na Líbia, visto o que havia ocorrido com os americanos em Benghazi”, disse.

Treinando para o imprevisto obviamente, o que aconteceu com o SO Givanildo não é algo corriqueiro, porém nada que chegue a surpreender os integrantes do Batalhão Tonelero.

“Nós trabalhamos e treinamos para o imprevisto”, contou o Capitão de Mar e Guerra (FN) Stewart da Paixão Gomes, comandante do Batalhão Tonelero. O CMG Stewart explica que o Tonelero foi criado em 1971 para atender às necessidades da força naval em operações de guerra.

“O batalhão foi criado, a princípio, para ações diretas, uma vez que o Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) já contava com uma companhia de reconhecimento voltada para as operações anfíbias.”

Quando foi criado, o Tonelero estava subordinado à Tropa de Reforço. À medida em que as operações especiais passaram a ganhar mais importância por proporcionarem resultados significativos, com grande economia de meios, rapidez e extrema precisão, reduzindo efeitos colaterais e possibilitando intervir em todos os níveis do combate, foi tomada a decisão de subordinar o batalhão diretamente ao comando da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE).

A FFE tem sua origem após a Segunda Guerra Mundial, quando a MB quis se constituir em uma força moderna com capacidade anfíbia. A subordinação do Tonelero à FFE seguiu uma tendência mundial de valorização das operações especiais.

“Ao longo das últimas décadas, foi verificada a importância que possui uma tropa altamente especializada, capaz de realizar tarefas em condições muito difíceis”, explicou o Vice-Almirante (FN) Paulo Martino Zuccaro, comandante da FFE.

“Então, essa associação mais direta entre os elementos de operações especiais ao comando das forças teve como consequência natural, na MB, a colocação do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais em subordinação direta à Força de Fuzileiros da Esquadra.”

A estrutura do Tonelero

O Tonelero possui três companhias de operações especiais em sua organização. A primeira é dedicada às tarefas de reconhecimento distante e profundo. A segunda se dedica às tarefas de ação de comandos.

Já a terceira companhia fornece o GERR de comandos de operações especiais para cumprir tarefas de retomada de instalações e resgate de reféns. O batalhão possui, ainda, o Pelotão de Apoio às Operações Especiais.

“A tarefa principal deste pelotão é prestar o apoio de serviços ao combate para os grupos de comandos anfíbios, por meio do cumprimento de atividades tais como dobragem de paraquedas e manutenção dos meios (embarcações, motores de popa, equipamentos de mergulho etc.), além de dar suporte às atividades de adestramento, organizando equipes de terra para os saltos com paraquedas, equipes para recolhimento administrativo de embarcações pneumáticas, equipes de apoio administrativo para mergulhadores, preparação e lançamento de suprimentos por paraquedas, entre outras, necessárias à condução do adestramento e das operações do Batalhão”, explicou o CMG Stewart.

“Todos os nossos dias são atípicos, porque nossa rotina é diferenciada, muito acelerada”, disse o Suboficial-Mor (FN) Marcelo Barros de Abreu, do Batalhão Tonelero. “Hoje, por exemplo(primeira semana de outubro de 2018), temos menos de um terço do efetivo aqui. Nossos homens estão em missões no Rio de Janeiro [apoio à intervenção federal em garantia da lei e da ordem], na Operação Formosa [que visa a manter as condições de pronto emprego dos militares da FFE], enfim, um típico atípico dia em nossas vidas.”

Lição aprendida

Durante a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016, ambas realizadas no Brasil, também era difícil encontrar alguém no Batalhão Tonelero. A unidade foi parte fundamental da estrutura antiterror montada pelas forças de segurança responsáveis por manter a tranquilidade durante estes chamados megaeventos.

O Capitão de Corveta (FN) Saulo Xavier de Pina Filho, oficial de operações do Batalhão Tonelero, disse que a interoperabilidade foi a maior lição aprendida dos grandes eventos.

“Foi fantástico trabalhar em uníssono com membros de outras forças armadas, da Polícia Federal e até com agentes de segurança estrangeiros. Fez com que nos sentíssemos especiais em saber que nosso treinamento e capacidades não deixam a desejar a nenhum outro país.”

Aliás, sentir-se especial parece ser rotina também para os integrantes do Tonelero. “Me sinto especial por fazer parte de uma unidade que é conhecida como uma irmandade de guerreiros”, disse o Terceiro-Sargento (FN) Carlos Mendonça Martins, operador do GERR.

“No passado, os gregos utilizaram a coesão como arma de guerra, onde o escudo que formavam servia para proteger o companheiro ao lado. Nas unidades de operações especiais, hoje em dia, não é diferente. Em situações de combate, a vida do nosso camarada é mais importante do que a nossa própria vida. E o nosso camarada acaba pensando da mesma maneira que a gente, e isso nos deixa mais fortes no teatro de operações.”

  • Matéria Orginal da Revista Diálogo Américas, Por Marcos Omatti
  • Nota da redação: A presente matéria fora realizada durante a parte final da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, em 2018.


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