Bolívia e Paraguai contratam Boeing “Supertanker” para apagar mega-incêndio florestal

Aeronave B-747 Supertanker começarà a efetuar o combate ao fogo nessa sexta dia 23. Foto de Kent POrter via Associated Press USA.

A Bolívia e o Paraguai concordaram em unir esforços para combater os gigantescos incêndios florestais que atingem os dois territórios e atacam a flora e a fauna, informou nesta quinta-feira o ministro do Meio Ambiente e da Água da Bolívia, Carlos Ortuño.

A área afetada por incêndios no departamento boliviano de Santa Cruz (leste) atinge 654 mil hectares, enquanto no Paraguai os focos, na fronteira entre as duas nações, ainda não foram quantificados.

Imagem via NASA, https://www.nasa.gov/image-feature/goddard/2016/scores-of-wildfires-crisscross-bolivia

“Estamos em contato com nossos pares na República do Paraguai, temos o compromisso de trabalhar juntos em ambos os países, tanto no território boliviano como no território paraguaio”, disse Ortuño em coletiva de imprensa em Santa Cruz.

O funcionário acrescentou que no momento as autoridades dos dois países estão “em plena implementação de medidas de contingência”, que ele não citou.

Por outro lado, o chefe da Defesa Nacional da Bolívia, Javier Zabaleta, disse que a chegada do avião tanque SuperTanker, inicialmente prevista para hoje, foi adiada para sexta-feira.

A aeronave “começará a operar nas (cidades de) Charagua e Puerto Busch. São cerca de 40 km2 onde o fogo está queimando incontrolavelmente, acreditamos que com o avião poderemos extinguir essas fontes de calor”, afirmou Zabaleta.

Enquanto isso, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, depositou suas esperanças no trabalho do avião tanque e dos socorristas, bombeiros, policiais, militares e civis voluntários que trabalham na zona.

“Não há previsão de chuva nos próximos dias, o que faz com que tenhamos mais responsabilidade”, disse ele.

Os incêndios foram causados na Bolívia pela queima de campos cultivados, uma prática ancestral chamada “chaqueo”, segundo a qual a cinza melhora a qualidade da terra para o plantio.

Floresta na região de Santa Cruz completamente devastada em foto do dia 19 de agosto. Courtesy of Santa Cruz Department via REUTERS.

A seca, os fortes ventos e o antigo hábito de limpar a terra usando o fogo causaram nos últimos dias numerosos incêndios florestais em uma dezena de municípios da região boliviana de Santa Cruz, especialmente na localidade de Roboré. Os incêndios queimaram até agora cerca de 470.000 hectares de florestas e áreas de plantação. Embora ameacem algumas comunidades rurais, mantêm-se longe das áreas urbanas graças ao trabalho de contenção do Exército. As chamas não causaram perdas humanas. Os danos materiais, que as autoridades avaliam serem substanciais, ainda não foram determinados com precisão.

Declaração do presidente Evo Morales via rede social.
Fonte: https://twitter.com/evoespueblo/status/1164206110213103618?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.euronews.com%2F2019%2F08%2F22%2Fbolivia-like-neighbour-brazil-battles-intense-wildfires-that-have-so-far-burnt-500-000-hec

Nesta segunda-feira, o presidente Evo Morales sobrevoou a área em chamas e, embora tenha dito que viu progressos significativos nos esforços para controlar os incêndios, ressaltou que o resultado final dependerá do vento, muito forte nesta época do ano. Nesta região boliviana, a temporada de ventos coincide todos os anos com o período de limpeza e preparação dos terrenos para a agricultura e a pecuária. Apesar da proibição legal, essas atividades continuam a ser feitas por meio da queima (chamadas de “chaqueos”) com o objetivo de reduzir o trabalho do agricultor. Uma predileção favorecida pela crença tradicional de que a fuligem melhora a fertilidade do solo.

O Ministério Público prometeu que encontrará e processará quem provocou os incêndios, mas a Bolívia não tem experiência nesse tipo de investigação: normalmente, a umidade tropical reduz – de forma natural– a extensão e a importância dos incêndios florestais. Este ano, no entanto, a escassez de chuva permitiu que os incêndios prosperassem. Além disso, de acordo com grupos ambientalistas, as chamas também foram favorecidas pela mão aberta do Governo com o desmate – o corte de árvores, cujos ramos com frequência são queimados–, como parte de sua política de promover atividades agrícolas e pecuárias, consideradas prioritárias em relação à conservação da floresta.

Semanas atrás, Morales suspendeu os limites legais para essa prática em Beni, região vizinha de Santa Cruz, onde normalmente é costume o desmate para limpar terras e destiná-las ao gado. Os porta-vozes oficiais, no entanto, afirmaram que não há relação entre essas medidas e os incêndios, e que estes se devem exclusivamente à irresponsabilidade de quem recorreu ao “chaqueo” para limpar suas terras.

A Bolívia está imersa na campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 20 de outubro, de modo que os incêndios são motivo de debate dos candidatos, que por um lado tentam culpar Morales pelo que está acontecendo e, por outro, pedem que o assunto não seja “politizado” e lembram os fatores estruturais –como a pobreza da população– que estão por trás dos problemas ambientais do país.

 

Com informações El Pais, AFP, Reuters via redação Orbis Defense Europe.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Enter the text from the image below