Brasil apresenta à Rússia soluções em biossegurança para combater COVID-19, durante a Feira Army 2020

Brasil apresenta inovações nacionais para proteger não só o campo de batalha, mas também as escolas e hospitais da ameaça representada pelo novo coronavírus

General de Brigada Duizit Brito (centro) acompanhado por tradutores e funcionários de apoio do estande brasileiro no evento Army 2020, 27 de agosto de 2020 Foto: © SPUTNIK / ANA LIVIA ESTEVES

O Fórum Internacional Técnico-Militar Army 2020, que está acontecendo desde o dia 23 de agosto e encerra-se neste sábado (29), na Rússia, vem apresentando mais de 730 tipos de armamentos e equipamentos militares russos, além de contar com estandes de 28 mil empresas do ramo e representantes de mais de 70 países.

Este ano, o Brasil levou uma delegação de alto nível para participar da Army 2020.  Com estande completo, o Ministério da Defesa, em parceria com a APEX Brasil, não quer somente comprar, mas também vender produtos de defesa para a Rússia e região.

A delegação brasileira levou ainda uma série de produtos e soluções focadas na pandemia de COVID-19, desenvolvidos a toque de caixa no Brasil nesses últimos seis meses.

“A defesa é um setor muito mais amplo do que só armamentos. Envolve saúde da nossa população, e segurança alimentar”, afirmou o diretor do Departamento de Promoção Comercial da Defesa (DEPCOM), general de brigada Luis Antônio Duizit Brito.

“Os exércitos têm que ter saúde de campanha, biossegurança e proteção (…) Qualquer exército pode chegar a uma região e ficar exposto a um vírus local, então deve estar preparado em biossegurança e bioproteção”, explicou Brito.

Com base nessa experiência, a indústria de defesa brasileira se mobilizou para desenvolver soluções para a pandemia de COVID-19. “A indústria de defesa […] pode mudar sua linha de produção pra atender de forma dual às necessidades da sociedade”, explicou o general. “Por isso ela deve que ser muito bem preservada.”

A parceria

No início da pandemia, “fronteiras no mundo inteiro se fecharam para exportações”. Por isso, os setores público e privado se uniram para produzir equipamentos médicos essenciais em território nacional e desenvolver soluções para minimizar os efeitos da pandemia.

“Houve uma decisão presidencial de envolver vários ministérios nesse esforço […] e coordenação entre os Ministérios da Ciência e Tecnologia e Inovação, Defesa, Saúde e até da Economia, para facilitar importações e exportações e capitanear financiamento”, contou.

A parceria se formou como uma “tríplice hélice, formada pelo governo, inciativa privada e a academia”, explicou Brito. “Eu ainda coloco mais uma pá nesse sistema: as startups.”

“Isso tudo em uma mobilização voluntária […], um esforço fantástico do povo brasileiro, das empresas, das organizações, que é de se esperar em uma crise de tal gravidade, e foram umas 16 semanas ininterruptas de trabalho, no qual todos se empenharam”, relata o general.

Os resultados

Uma das primeiras tarefas da indústria de defesa em meio à pandemia foi resolver a escassez de ventiladores médicos disponíveis para a população brasileira.

General Luis Antônio Duizit Brito, diretor do Departamento de Promoção Comercial da Defesa, durante evento em Moscou, 27 de agosto de 2020 Foto: © SPUTNIK / ANA LIVIA ESTEVES

“Nós tínhamos quatro fábricas de ventiladores com uma produção baixa. Com a participação da indústria aeronáutica e de motores, todas conseguiram escalar a produção”, contou.

“Hoje nós temos 16 fábricas produzindo ventiladores para a fase aguda da COVID-19 […] e uma rede de produção de ventiladores coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)”, comemorou.

Para ele, a COVID-19 “não é simples, e não se deve comemorar onde tem mortes, mas temos que reconhecer que estamos achando o final do túnel para sair dessa crise pandêmica”, notou.

Inovação

O esforço rendeu soluções inovadoras por parte de empresas brasileiras, cujos produtos foram apresentados durante o Fórum Internacional Técnico-Militar Army 2020.

“Nasceu uma solução muito inovadora […] de uma marca de Minas Gerais [Inspirar Health Tech], que é um ventilador que trabalha com Wi-Fi”, contou. “O médico intensivista pode monitorar a manutenção do aparelho, sua vida útil e o estado de saúde do paciente sem precisar fazer ronda pela UTI.”

O ventilador mineiro “ainda tem uma versão que permite a instalação de uma pequena central de ar comprimido, o que é muito útil para hospitais de campanha”, disse Brito.

“Foi um trabalho que mostrou que quando você tem um ecossistema de inovação e de parceria você consegue superar as dificuldades que uma sociedade pode enfrentar”, acredita o general.

Testes para COVID-19 por saliva

Com a pandemia completando seis meses no Brasil, os testes para COVID-19 por saliva desenvolvidos nacionalmente se tornaram prioridade.

“A Universidade de Uberlândia e a empresa Biogenetics já trabalhavam juntas pelo teste da saliva que, em dois minutos, acusa se a pessoa está com COVID-19, zika, chicungunha, câncer de próstata e de útero e várias outras doenças.”

Com a pandemia, as entidades priorizaram o processo de certificação dos testes para a COVID-19, que “já estão nas fases finais”.

“Pesquisa e equipamentos militares foram usados para testar” as inovações brasileiras para o combate à COVID-19, o que “reforça algo que toda a sociedade tem que estar alerta às [questões relacionadas à] defesa e à proteção biológica”, assegurou Brito.

Defesa brasileira em Moscou

o general acredita que Brasil e Rússia têm o potencial de selar parcerias de longo prazo na área de Defesa. “A Rússia, como um país amigo, que também está muito bem nessa batalha […] chegando na fase final de desenvolvimento de vacina, também pode se beneficiar das inovações” brasileiras, acredita Brito.

“A Rússia é um país impressionante, com um povo muito alegre”, relatou o general, que visita o país pela primeira vez. “Estamos com seis pessoas nos ajudando no estande do Brasil, todas russas, jovens […] falando muito bem o português. Isso foi uma agradável surpresa”, contou.

“Estamos aqui prontos […] para que a gente vire o ano com esse inimigo chamado vírus derrotado”, concluiu.

  • Com informações de agências de noticias russas


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