Brasileiras desaparecidas são localizadas em campos de prisioneiros do ISIS na Síria

Mulher caminha no campo de Al Hol, onde está a brasileira Karina Ailyn Raiol Barbosa. Foto de Yan Boechat.

Desaparecida em 2016 e procurada pela Interpol, a paraense Karina Ailyn Raiol Barbosa, de 23 anos, ex-estudante de jornalismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), que saiu de Belém em abril de 2016, então com 20 anos, sem avisar a família, está detida como integrante do Estado Islâmico, em um campo de prisioneiros controlado pelas milícias curdas, no norte da Síria.

Equipes da Interpol e da Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal do Brasil investigavam o caso que corria em sigilo, pois a jovem teria sido aliciada para deixar o Brasil após se converter ao islamismo e suspeita-se que Karina tenha ligações com grupos extremistas e atividades de aliciamento e recrutamento no Brasil.

Karina está presa junto com seu filho, que teria entre um e dois anos de idade, em uma área destinada apenas às mulheres estrangeiras que se juntaram ao califado criado pelo líder iraquiano Abu Bakar Al Baghdadi em uma vasta região entre a Síria e o Iraque. De acordo com autoridades curdas que controlam o campo onde Karina e seu filho estão detidos, outras seis mulheres de nacionalidade brasileira também estão presas, com um número não definidos de crianças.

Todas as brasileiras estão detidas no campo de Al-Hol, uma gigantesca prisão no Nordeste da Síria, nas proximidades da fronteira com o Iraque, onde estão presas mais de 70 mil pessoas*. Quase todas elas são mulheres ou viúvas de combatentes do Estado Islâmico com seus filhos. A maior parte estava vivendo nos últimos redutos dos jihadistas na Síria, no Vale do Rio Eufrates, para onde os extremistas recuaram após terem sido expulsos pelas tropas curdas de Raqqa, a capital do Califado, há cerca de dois anos. De acordo com as autoridades curdas Karina, seu filho, e as demais mulheres brasileiras foram presas ao tentar escapar da cidade de Baghuz no início desse ano. Elas, como a maior parte das mulheres e crianças que vivem em Al Hol, fugiam das intensas batalhas que colocaram um fim oficial ao Califado do grupo extremista em março desse ano.

O Itamaraty tem conhecimento de que Karina está detida no Norte da Síria, mas não iniciou nenhuma tratativa com as autoridades de Rojava, a região semi-autônoma controlada pelos curdos no Norte da Síria, para repatriá-la em conjunto com seu filho. De acordo com as autoridades curdas, nenhum representante do governo brasileiro buscou contato a respeito da situação de Karina. Também não houve nenhum movimento de Brasília na tentativa de identificar quem são as outras brasileiras e seus filhos, que estão detidas em Al Hol, de acordo com as mesmas autoridades curdas.

“Nunca nos procuraram, nós gostaríamos muito que os países dessas pessoas as levassem de volta, elas são perigosas e não são um problema apenas nosso”, diz Leilah Rizgar, a diretora da ala internacional de Al Hol, onde Karina e as demais brasileiras e seus filhos estão detidas. De acordo com ela, pelas leis vigentes em Rojava, a identidade das demais brasileiras só pode ser divulgada se as mesmas aceitarem ser identificadas ou se o governo brasileiro o fizer, após buscar informações junto às autoridades curdas. “São sete, todas com filhos” mas esse nùmero pode ser bem maior pois muitas possuem mais de um passaporte e se recusam a dar informações, diz a diretora.

Desde os anos 90 com o crescimento do uso das redes sociais, muitas mulheres brasileiras viajaram para paìses àrabes em busca de trabalhos não especializados e rentosos, assim como perseguindo a ilusão de promessas de casamentos com àrabes ricos que admiravam mulheres latinas, o que apenas ajudou a fomentar o tràfico humano e a exploração sexual de mulheres ocidentais. Porém a situação também inclui o aumento da doutrinação islâmica extremista que cresce no Brasil entre as populações de origem àrabe e seus pròximos e que é usada para cooptar voluntàrios para a Jihad Islâmica terrorista. A permanência em zonas de conflitos é considerada pelos extremistas islâmicos como uma “peregrinação” pela causa, mas na pràtica funciona como um estàgio de doutritnação ideològica, religiosa e com fins terroristas.

Adaptado da matéria original de Yan Boechat, com informações da Agence France Press & Reuters via redação Orbis Defense Europe.

*informação considerada duvidosa pois não existe ainda um recenseamento definitivo dessa população aprisionada.



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