Breve análise das vantagens de uma base militar dos USA no Brasil

Por: Yam Wanders.

O assunto já é antigo e vem fomentando polêmicas desde a época do período do governo militar de 1964/1985, e, hoje mais do que nunca está causando controvérsias entre leigos e especialistas na geopolítica naciona e internacional.
A realidade em uma visão geral da polêmica que ocorre atualmente é; existe pouco conhecimento sólido e idôneo do contexto, mesmo entre os possuidores de formação de nível superior, principalmente devido à influência nefasta do controle ideológico das instituições de ensino superior brasileiras e internacionais nos últimos 30/40 anos. É raro encontrar estudos sobre o tema sem viés politico atrelado.

Descrever todos os detalhes jurídicos que vão desde a decisão até a instalação de uma base militar de uma potência extrangeira em território nacional é algo extremamente complexo, e, não é esse o intento dessa matéria. O que será descrito é um apanhado de conclusões concretas observadas na realidade dos fatos atuais e históricos recentes, explicados em linguagem fácil para todos. Então vamos aos fatos já observados e ao contexto que interessa ao Brasil na sua atual situação, sem se apegar ao ideologismo ultra nacionalista ou alienígena de qualquer vertente política que seja.

O Brasil precisa de uma base militar dos USA em nosso território?

Precisar realmente no momento não precisamos, mas no atual contexto do cenário geopolítico internacional não seria uma má idéia desde que tratada com os devidos parâmetros de cooperação com as Forças Armadas Brasileiras. Mesmo que não tenha ocorrido problemas de grande envergadura à nossa soberania nos últimos decênios, isso não significa que estamos livres dessas ameaças, ainda mais com o crescimento das ameaças assimétricas, que são conhecidos fatores de enfraquecimento de nações e que acabam por deixá-las vulneráveis para ameaças ainda maiores à soberania.

Exemplo maior para o fato é a nossa vizinha Colômbia, que após submergir em uma guerra civil de décadas contra as narco-guerrilhas marxistas, somente conseguiu enfrentar o problema após efetuar acordos com os USA para a instalação de uma base militar, o que foi fundamental para o apoio ao confronto contra as conhecidas FARC’s, que dispensam maiores apresentações e explicações sobre sua existência.

Obviamente os USA querem aliados e não uma ocupação territorial que os faça gastar recursos desnecessários, já que eles tem em teoria muitos problemas mais sérios para se preocupar do que com a América Latina, que aparentemente já está se “alinhando politicamente” por si mesma depois de amargas experiências com governos de tendêcias ideológicas anti-nacionalistas.

Então enquanto não chegarmos a atingir parâmetros adequados para um estado ooperacional que garanta a dissuassão efetiva e projeção de forças adequadas aos interesses de nossa defesa nacional, ter a presença de aliados fortes em nosso território não seria de maneira alguma uma perca de soberania, ao contrário, ajudaria muito na manutenção dessa soberania através da dissuassão.

È fato de conhecimento público o rombo orçamentário causado pela corrupção de governos anteriores nos últimos 30 anos! E essa situação hoje reflete de imediato nas difíceis condições operacionais das nossas Forças Armadas. Sendo assim, para que possamos ter uma real capacidade de dissuação contra nações vizinhas que procuram “aventuras guerreiras” para o extravasamento de seus problemas internos, ter a presença de aliados fortes é fundamental até que possamos atingir a efetiva auto-suficiência segura para a defesa e projeção de forças de dissuassão que atendam à manutenção de nossa soberania.

O que é observado em países nos quais existem bases militares dos USA?

Em resumo, a presença das bases americanas em outras nações se dá ainda pelos mesmos motivos que são basicamente dois; a ocupação em caso de guerra e tratados de cooperação.

Nunca na história moderna os USA implantaram bases em outras nações em tempo de paz sem acontecerem estudos políticos para a instalação das bases, sem a celebração de acordos para a autorização das lideranças políticas dos respectivos países, fosse com a intenção que fosse. Com exceção aos casos de ocupações de guerra, todas as instalações de bases militares dos USA em países extrangeiros se deram por pedidos oficiais por vias diplomáticas das nações nas quais as bases estão presentes.

 

Hoje os USA possuem bases em pelo menos 50 nações, e, somente uma não aproveita devidamente essa presença por motivos políticos que é Cuba, no tocante a Base de Guantánamo, mas o governo usufrui ainda assim dos rendimentos financeiros de locação territorial da referida base, porém não os aplica ao povo dos arredores.

Nos demais países que permitiram a instalação de bases militares dos USA em todos os continentes, é unâinime a consideração de convivência positiva, até mesmo por nações que possuem fortes movimentos políticos anti-americanos que usam a alegação de imperialismo dos USA.

Exemplos de nações que não são 100% alinhadas com os USA temos a Turquia, que mesmo fazendo parte da aliança ocidental da NATO/OTAN ainda assim históricamente faz jogos de tendências com o ocidente, mas não abre mão da presença militar americana na base de Incirlik, assim como a presença constante de unidades da NATO/OTAN em exercícios militares diversos. A Turquia bem aproveita essa relaçã e hoje é reconhecidamente uma potência regional no oriente médio.

Quase todos os países que possuem bases militares americanas tiveram suas economias locais e até mesmo nacionais reforçadas. Não existe lugar aonde praticamente todas as bases americanas sustentam as economias locais, e, temos também na atualidade nações inteiras que tem grande parte de seus rendimentos oriundos dos aluguéis pagos pelos USA aos governos, como é o caso do Tadjikistão, Uzbekistão e Kyrguistão, todas ex-repúblicas da era soviética que se tornaram nações abandonadas e sem recursos após o fim da URSS.

Um dos exemplos sociais mais conhecidos e positivos de uma base militar dos USA no exterior é o da República da Coréia do Sul, com a base de Camp Humphreys (United States Army Garrison-Humphreys, USAG-H), que conta com um contingente de aproximadamente 28.500 militares, que, juntamente com funcionários civis e suas famílias, somam um total de aproximadamente 50 mil pessoas, todas com renda média acima dos habitantes coreanos de cidades satélites da base, e que ajudam muito na vida comercial local coreana.

O Camp Humprheys hoje é considerada a maior base militar dos USA no exterior, e é responsavel por movimentar a impressionante cifra de US$ 11 bilhões para a sua manutenção de permanência, e, grande parte desse orçamento é destinado à infraestrutura que é toda contratada de empresas coreanas locais. É desnecessário comentar sobre a dissuassão militar que a presença dessa base acrescentou nas negociações das inúmeras crises com a Coréia do Norte e China.

Existem também casos de países que a tempos pedem pela presença de tropas dos USA em seus territórios e até mesmo oferecem a participação nos custos da construção de bases permanentes, como é o caso da Polônia (que já faz parte da NATO/OTAN) e Ucrânia (que não faz parte da NATO/OTAN mas está se esforçando para tal).

O que eu vi “In Loco”

Tive a oportunidade de visitar muitas bases mas uma que me impressionou foi Torrejón, na Espanha. Esta foi uma das bases mais ativas no âmbito de operações da NATO/OTAN até meados os anos 90 devido à 1a Guerra do Golfo de 1991, e ainda comntinua muito movimentada com aeronaves em trânsito.

Torrejón nasceu como um simples campo de aviação mas se tornou uma grande base estratégica graças a acordos feitos com os USA que permitiram seu uso pelo Strategic Air Command no âmbito da dissuassão do período da Guerra Fria.

Base aeronaval de Rota, Espanha. Visitada em 2009.

Nos anos 80 os principais opositores à permanência de forças dos USA em Torrejón foram diversos movimentos políticos ditos “sociais”, que alegaram todo o tipo de motivo para o encerramento de atividades militares no local, e, finalmente quando a estrutura dos USA foi retirada o que ocorreu foi desemprego em massa nas comunidades vizinhas da base e redução drástica na manutenção das infraestruturas de estradas locais. Como é conhecido do público bem informado, a Espanha somente conseguiu recuperação econômica significativa para reestruturar a região (entre outras) após a sua integração a União Européia.

Um outro exemplo curioso de uma cidade que perdeu uma base militar extrangeira e sofreu com isso foi ocorreu na Alemanha. Conheci tembém pessoalmente o caso da cidade de Gatow, nos arredores de Berlim ocidental, que possuia uma base de uso mixto da RAF e USAF no aeródromo que foi a antiga academia de aviação da Luftwaffe durante a 2a Guerra, e, que após a guerra foi ocupada e mantida operacional até 1994, quando passou para a administração da atual Luftwaffe da Alemanha unificada e finalmente desativada em 2002, quando acabou por ser transformada em museu de aviação e área de lazer. Apesar da forte e organizada economia alemã, a cidade de Gatow e outras do entorno demoram mais de 20 anos para recuperar as perdas econômicas causadas pelo encerramento das atividades da base militar. Até hoje morar na região de Gatow é algo considerado “decadente” pelos moradores de Berlim metropolitana.

 

Sobre números aproximados

Atualmente é muito dificil ter exatidão sobre os números oficiais, já que os dados mudam muito de ano para ano e de governo para governo dos USA.
Os critérios de análises mudam muito de caso para caso nos estudos. Bases que até alguns anos eram consideradas estratégicas, hoje inexistem, ou, se transformaram em simples unidades representativas e/ou postos avançados de outras unidades.

De uma maneira geral existem oficialmente 1000 (mil) bases militares dos USA em 50 países(1), porém de acordo com estudos do Global Research Institute of Califórnia* (em um estudo do Prof. Jules Dufour), porém somente 10% dessas bases tem uma real capacidade operacional que poderia causar interferência na soberania das nações nas quais estão instaladas, sendo as demais missões expedicionárias temporárias que possuem alta rotatividade de unidades e pessoal, quase sempre com a finalidade de prestar serviços de apoio à atividades diversas e não o combate ou ataque à nações beligerantes próximas.

Mesmo o Departamento de Defesa dos USA não divulgam números exatos oficiais, pois além de muitas informações serem classificadas em diversos níveis de sigilo sobre as funções dessas bases, também a estrutura de emprego de bases e unidades expedicionárias tem mudado muito de acordo com as necessidades geopolíticas e de defesa dos USA e nações aliadas.

Conclusões

Em se tratando de capacidade de projeção de forças, criticar bases em território alheio com a argumentação de ocupação é até algo arcaico, trata-se de uma preocupação secundária em se tratando de capacidade “ofensiva” e de intenções de “dominação” salvo exista objetivo específico e planos de longo prazo para uma ocupação de uma nação comprovadamente beligerante. Hoje vemos todos os dias a capacidade de ataques com os “Strikes Groups” navais que podem praticamente atingir qualquer lugar do globo em poucos dias. A eficiência da guerra moderna em se tratando de mobilidade nunca foi tão grande e eficiênte.

Uma argumentação muito usada desde os anos 80 é a preocupação com o meio ambiênte, com a alegação que bases militares causam impactos graves para a natureza dos locais aonde são instaladas. Esse argumento cai por terra quando observamos que justamente os militares dos USA tem sido responsáveis por organizar e implementar projetos de controle de impacto ambiental para suas atividades em países extrangeiros, programas estes muito mais eficiêntes que de qualquer organização governamental ou não, isso já em antecipação a criação de legislações específicas de muitos países.

No tocante a projetos sociais, as forças armadas dos USA também possuem um amplo destaque que tem se mostrado de grande eficiência em todos os países em que estão presentes. Projetos que vão desde a transparência de atividades até o apoio para instituições que promovem a profissionalização de jovens e adultos sem recursos.

Portanto, a instalação de uma base militar de qualquer potência extrangeira que seja em território de outra nação, acaba por ser sempre mais interessante ao país emergente que a recebe, e, uma bela propaganda geopolítica para a nação que a instala. Sendo assim, a troca é justa para ambos, quando devidamente alinhados nas mesmas políticas governamentais que visam o progresso e afinidades culturais e/ou sociais dos povos envolvidos. A relação de presença militar estrangeira em uma nação, geralmente só se torna nociva ao país anfitrião quando inexistem as respectivas afinidades socio-culturais e políticas.

(1) Vemos muitos estudos e matérias citarem cifras maiores, como uma recente matéria do jornal “O Estado de São Paulo”, explanado sobre o tema, que cita o numero de mais de 80 bases militares dos USA pelo mundo e incluem o Brasil como jà possuidor de uma. Porém o fato é que em muitos casos se trata apenas de bases ou representações administrativas que operam em apoio orgânico aos consulados e embaixadas pelo mundo, como por exemplo o destacamento que aloja um grupo de Mariners encarregado da segurança do Consulado Geral de São Paulo, instalação essa que ocupa um imovel residencial no bairro do Morumbi proxima à residência do Cônsul.

Referências e fontes:

Global Research Institute USA

https://www.globalresearch.ca/the-worldwide-network-of-us-military-bases-2/5564

US Military Troops and Bases Around the World :
http://www.globalpolicy.org/empire/intervention/2003/0710imperialmap.htm

U.S. Military Troops and Bases Around the World /united for peace & justice:
http://www.unitedforpeace.org/article.php?id=884

OTAN – Le grand jeu des bases militaires en terre européenne :

http://www.mondialisation.ca/index.php?context=viewArticle&code=DIN20060509&articleId=2414

 

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