Capitão de corveta da Marinha do Brasil Marcia Braga é premiada com o Faz Diferença na categoria ‘Mundo’

Foto: Jorge William

A capitão de corveta da Marinha do Brasil, Marcia Braga atuou de abril de 2018 a maio de 2019 como assessora de gênero militar na Minusca, a missão da ONU na República Centro-Africana, no que ela define como a missão mais gratificante de sua vida.

A tarefa de Marcia era articular soluções para minimizar o impacto do conflito civil sobre a população, com especial foco nas mulheres que, além de vítimas de estupro e outros crimes de guerra, têm seus papéis de chefes de família e líderes de comunidade reforçados, devido à morte ou à ausência dos homens.

“Este prêmio simboliza não só o reconhecimento do meu trabalho, mas também a possibilidade de divulgar uma metodologia pouco conhecida, porém muito importante para a proteção de civis, principalmente em áreas de conflito’, disse. “É uma forma de inspirar as pessoas a mostrar que mesmo em situações complexas você pode fazer a diferença”.

Marcia, reconhecida pela ONU com o Prêmio de Defensora Militar da Igualdade de Gênero, estabeleceu uma rede de conselheiras de gênero e propôs a incorporação de mulheres em todas as fases da operação da Minusca, de modo a estabelecer uma interlocução direta com as centro-africanas.

Além disso, começou a recomendar soluções simples para proteger as mulheres, como a criação de hortas comunitárias e bombas de água em locais seguros, assim como a instalação de painéis de luz alimentados por energia solar, de modo a reduzir sua vulnerabilidade quando a noite cai. As iniciativas foram incorporadas ao mandato da Minusca pelo Conselho de Segurança da ONU.

De volta ao Brasil, Marcia continua a trabalhar com questões relacionadas à proteção de populações vulneráveis em áreas de conflito e buscando maneiras de aumentar a participação feminina em operações da ONU.

Junto com uma equipe da Marinha, organiza um estágio para mulheres que têm o desejo de se voluntariar para participar de missões de paz. A comandante também tem viajado para diversas cidades e países não apenas para falar das estratégias que desenvolveu, mas para buscar outras.

“É importante mostrar que é possível. Esse tipo de iniciativa é importante para inspirar pessoas que querem mudar algo, mesmo que no dia a dia”, afirmou. “É um impulso para abandonar uma postura observadora, apenas crítica, e tentar fazer algo”.

  • Com informações do O Globo




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