Captação de Primeiras Imagens por meio do CBERS-4A e Primeiro Contato com o Floripasat-1 ocorrem com sucesso

Lançamento foi realizado na madrugada do dia 20 de dezembro, horário de Brasília, do Centro de Lançamento de Taiyuan (TSLC), na China.

A primeira passagem do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS-04A) com imageamento do território brasileiro ocorreu em 27 de dezembro de 2019. Após uma semana de testes com todos os subsistemas do satélite e de uma sequência de manobras para colocá-lo em sua órbita nominal, as três câmeras do CBERS-04A foram ligadas sobre o Brasil por 11 minutos, de 10h56 a 11h07, horário local de Brasília. A estação terrena do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), instituto de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em Cuiabá recebeu e gravou dados brutos das câmeras WPM, MUX e WFI.

O lançamento do satélite e a capitação de imagens foram realizados com investimento do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e outros parceiros e a iniciativa teve apoio do Ministro Astronauta Marcos Pontes desde o início do governo Jair Bolsonaro, reforçando o compromisso com o desenvolvimento da área espacial.

Inicia-se, a partir de agora a fase de comissionamento do CBERS-04A, com previsão para durar três meses. Durante essa fase serão avaliadas a qualidade radiométrica e geométrica das imagens das três câmeras. Todos os ajustes necessários, tanto no software de processamento quanto nos parâmetros de configuração de cada câmera, serão feitos nesse período com o objetivo de gerar produtos de imagens com a melhor qualidade possível. Essa fase se encerrará no final de março de 2020 com uma discussão técnica e aprovação do relatório final do comissionamento pela equipe de especialistas do Programa CBERS. A partir daí o satélite CBERS-04A será então declarado operacional.

Seguem exemplos das imagens das três câmeras do satélite, captadas e processadas em território brasileiro.

 

FloripaSat -1

A equipe de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que trabalha com o FloripaSat-1 ,que foi colocado em órbita no mesmo foguete lançador, também tem recebido sinais de telemetria em todas as passadas do nanossatélite por Florianópolis (SC).

Eles também recebem dados de radioamadores de diversos países. A página preparada com instruções para os radioamadores é bastante útil, onde os radioamadores conseguem configurar os equipamentos praticamente sozinhos, sem precisar de apoio da equipe. Para os alunos que desenvolveram o satélite, o plano funcionando “foi o melhor presente de Natal” da vida deles, declarou o professor Eduardo Bezerra, coordenador do projeto.

Entusiasmados com os primeiros resultados obtidos, os estudantes chegaram a montar uma ground station estação terrena fora da UFSC, na casa de um deles, para não precisar se deslocar até a universidade na noite de Natal.

A equipe de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que trabalha com o satélite FloripaSat-1.

Missões universitárias como essa do FloripaSat-1 possuem impacto social importante. Durante todo o desenvolvimento do projeto que tem o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), por meio do programa Uniespaço, a equipe contou com integrantes carentes de baixa renda, que foram contemplados com bolsa de estudos. A participação em projetos como esse é importante como um fator motivacional que auxilia na redução da taxa de evasão escolar e também para possibilitar que os alunos coloquem em prática os conceitos trabalhados durante o curso.

“A atuação dos alunos nas atividades de projeto, desenvolvimento, integração, testes, e operação do satélite geram resultado direto no desempenho acadêmico.”, conta o professor Eduardo Bezerra.

A equipe de estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que trabalha com o satélite FloripaSat-1.

O satélite CBERS-04A e o nanossatélite FloripaSat-1 estão em órbita a 628 km da Terra. Os dois foram lançados a 00h22 (horário de Brasília) do dia 20 de dezembro, um minuto além do previsto. Aproximadamente 15 minutos após o lançamento, o terceiro estágio do foguete liberou o satélite na trajetória nominal.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Marcos (do MCTIC), Marcos Pontes, o presidente da AEB, Carlos Moura, o diretor de Projetos da AEB, Paulo Barros, o diretor do INPE, Darcton Damião, o coordenador da Missão Floripasat-1, Eduardo Bezerra e outras autoridades brasileiras acompanharam presencialmente o lançamento dos satélites do Centro de Lançamento de Taiyuan (TSLC), na China.

Marcos Pontes relembrou sua trajetória de vida a bordo de um foguete. Segundo ele, quando a situação se inverte, ou seja, quando passa a ser um espectador, a situação é bem diferente. “Ver o foguete decolar é algo maravilhoso”, disse. O ministro aproveitou o momento para parabenizar a AEB, o INPE e todos aqueles que trabalharam para o sucesso da operação.

Para o presidente da AEB, autarquia vinculada ao MCTIC, Carlos Moura, foi um voo perfeito que cumpriu completamente o perfil da missão. “As expectativas são as melhores possíveis para o CBERS-04A que continuará, pelo menos por quatro anos, fornecendo imagens para os dois países parceiros. Já o FloripaSat-1 é um exemplo de engenharia aeroespacial que pode produzir pequenos produtos e aplicações interessantes no futuro. É um mundo a explorar. São as novas tendências do new space mostrando-se na prática”, afirmou Moura.

Darcton Damião, diretor do INPE, lembra que este lançamento bem-sucedido é a coroação de um trabalho iniciado logo após o lançamento do CBERS-04, em dezembro de 2014. Ele afirma que a entrada em órbita do CBERS-04A irá dobrar, pelo período que resta ao CBERS-4, a capacidade do Brasil de gerar imagens no espectro óptico em todo o território nacional.

“O novo satélite traz avanços significativos de desempenho em relação ao seu ‘irmão mais velho’, como por exemplo a melhor resolução espacial. Com ele em operação, o INPE tem como aprimorar a sua atuação no monitoramento ambiental, seja da superfície terrestre, seja do mar territorial, entre outras aplicações típicas deste satélite de sensoriamento remoto, explica o Diretor do instituto.

Parceria China x Brasil

O CBERS-04A é o sexto satélite desenvolvido por meio de uma parceria entre Brasil e China, que já dura 31 anos. O Programa é uma iniciativa inovadora entre Brasil e China que estabeleceu um novo paradigma de cooperação. A convergência de interesses para o desenvolvimento da série CBERS resultou em um modelo de cooperação de sucesso, além de ser um empreendimento inédito na área espacial de tecnologia sensível.

Quando o CBERS-04A estiver plenamente operacional, os usuários do sistema CBERS terão o dobro de imagens disponíveis, já que o satélite CBERS-04, lançado em dezembro de 2014, continua em órbita. Desde a implementação da política de livre acesso a dados e imagens do INPE, em 2004, já foram distribuídas gratuitamente quase 2,4 milhões de imagens CBERS a cerca de 20 mil instituições país.

No segmento da indústria, o Programa CBERS vem estimulando a participação e a capacitação da indústria nacional para o desenvolvimento e fabricação de sistemas e subsistemas de satélites. Ter esses componentes provados em voo é um dos critérios para que nossa indústria espacial possa se inserir no mercado internacional. Os benefícios se estendem à criação de novos empregos e à geração de inovações tecnológicas e de processos, presentes em novos produtos e serviços.

Sobre o INPE

É uma das unidades de pesquisa do MCTIC, responsável por produzir ciência e tecnologia nas áreas espacial e do ambiente terrestre e por oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil. O INPE tornou-se referência nacional e internacional nessas áreas, por meio da geração de conhecimento e pelo atendimento e antecipação das demandas de desenvolvimento e de qualidade de vida da sociedade brasileira.

Sobre a AEB

A Agência Espacial Brasileira é uma autarquia vinculada ao MCTIC, responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira. Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para empreender os esforços do governo brasileiro na promoção da autonomia do setor espacial.

  • Com informações Coordenação de Comunicação Social – CCS da Agência Espacial Brasileira via redação Orbis Defense.


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