Centenário do tiro esportivo é comemorado em evento no Rio de Janeiro

O evento ocorre no Centro Militar de Tiro Esportivo e conta com com réplicas de armas produzida pela Taurus e munições CBC

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Em 2020, completam-se 100 anos em que atletas do tiro esportivo brasileiro conquistaram as primeiras três medalhas brasileiras durante uma Olimpíada.

Em homenagem a esse feito histórico, entre os dias 8 e 13 de dezembro, está sendo realizado no Centro Militar de Tiro Esportivo (CMTE), no Rio de Janeiro, o Campeonato Brasileiro das Forças Armadas e o Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo, incluindo uma prova especial comemorativa.

A edição, promovida pela Confederação de Tiro Esportivo (CBTE) com apoio da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e da Taurus, irá ocorrer durante o Campeonato Brasileiro de Carabina, Pistola, Rifle e Tiro ao Prato 2020.

Durante a competição acontecerá uma prova especial, simulando a que ocorreu em 1920 nos Jogos Olímpicos da Antuérpia, com os mesmos detalhes das condições e regras da época, seguindo o programa da prova “Army Pistol and Revolver”, da qual o Tenente Guilherme Paraense participou e conquistou a medalha de ouro no individual.

No mesmo Jogos Olímpicos, há 100 anos, o Brasil também conquistou a medalha de bronze por equipe na categoria Pistola 50m com Guilherme Paraense, Afrânio Costa, Sebastião Wolf, Dario Barbosa e Fernando Soledade, e a prata no individual na Pistola Livre 60 tiros por Afrânio.

A prova comemorativa terá os alvos, réplicas oferecidas pela LCL Alvos, a uma distância de 30 metros, onde serão disparados 5 séries de 6 tiros, totalizando 30 tiros de prova.

Os competidores também usarão equipamentos similares aos utilizados nos Jogos Olímpicos da Antuérpia na época, os revólveres TA 86 no calibre .38 SPL, especialmente produzidos pela Taurus para o evento, e munições fornecidas pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC).

Além de reviver um pouco da emoção que certamente tiveram os atletas brasileiros em 1920, neste evento histórico os dez participantes da prova comemorativa que obtiverem os melhores resultados, receberão como premiação os revólveres Taurus que serão utilizados na ocasião.

A CBC e a Taurus também contarão com um estande no local onde haverá exposição de revólveres, pistolas, espingardas, rifles, carabinas e munições do completo portfólio das empresas.

Entre os destaques estará o Rifle CBC .22LR 8122 Bolt Action em versão comemorativa, desenvolvido em homenagem aos 100 anos da primeira medalha olímpica do atleta Guilherme Paraense, além das novas munições CBC .22 LR, produzidas na nova fábrica .22 CBC, inaugurada em outubro de 2020.

O evento contará com um rígido protocolo de segurança contra a COVID-19 e é voltado exclusivamente aos atletas do tiro esportivo. As competições serão transmitidas no canal da CBTE no Youtube, com flashes ao vivo e destaques do dia. Para conferir a programação completa acesse www.cbte.org.br

História dos 100 Anos das primeiras medalhas olímpicas do Brasil

Em 1920, o Brasil fez sua estreia em Jogos Olímpicos, na Antuérpia, Bélgica, 24 anos após a primeira edição da competição na Era Moderna. Para aqueles jogos, a equipe de tiro do Brasil foi formada por Afrânio Costa, Tenente Guilherme Paraense, Sebastiao Wolf, Fernando Soledade, Mário Machado, Tenente Demerval Peixoto e Dario Barbosa.

A equipe brasileira enfrentou várias dificuldades para participar da competição, a começar pela viagem do Brasil à Antuérpia, a bordo do navio Curvello, da Marinha Mercante, cedido pelo Governo Federal.

A viagem durou cerca de 28 dias, com os atletas acomodados na terceira classe, em camarotes pequenos e com ventilação inadequada. Mesmo assim, a equipe brasileira seguiu treinando em alto mar.

Em uma escala em Lisboa, Portugal, a equipe decidiu seguir de trem até́ a Bélgica, receosa de que não chegariam à competição a tempo. Assim, viajaram de trem aberto, sob chuva e sol. Mas o pior ainda estava por acontecer.

Na conexão em Bruxelas, a delegação descobriu que parte das armas e da munição da equipe havia sido furtada. Vencida a batalha da viagem, chegaram ao campo de Beverlo, Bélgica, onde estavam concentradas as demais equipes de tiro esportivo que participariam daqueles Jogos.

Por causa do furto, os brasileiros tinham apenas 200 munições calibre 38, o que inviabilizaria a participação de mais de dois atletas nas competições. Contudo, a perseverança, espírito de cumprimento de missão, flexibilidade e comunicabilidade dos nossos atletas foram decisivos nesse momento crítico.

Afrânio Costa, carismático e simpático, característica do povo brasileiro, logo fez amizade com os norte-americanos Alfred Lane e Raymond Bracken, contando-lhes o que aconteceu na viagem. Sensibilizados, os americanos ofereceram parte de seu equipamento: dois mil cartuchos e duas pistolas para a equipe brasileira. Uma atitude de que seria admirável até́ nos dias de hoje.

Após a superação dos problemas fair play iniciais, Afrânio Costa conquistou a primeira medalha olímpica da história do Brasil, a medalha de prata na pistola livre 50 m. No mesmo dia, ocorreu a competição por equipes.

Nesta prova, o Brasil revezava as duas pistolas entre os atiradores (Sebastião Wolf, Dario Barbosa, Fernando Soledade, Guilherme Paraense e Afrânio Costa) e, mesmo com essa logística difícil, o Brasil brilhou com a conquista da medalha de bronze por equipe na prova de pistola livre.

O Brasil fechou o primeiro dia com duas medalhas inéditas, um feito que surpreendeu a todos.

Mas o melhor ainda estava por vir. O Tenente Guilherme Paraense, na prova da pistola rápida, conseguiu 274 pontos dos 300 possíveis, vencendo o campeão mundial, o norte-americano Raymond Bracken – o amigo que lhe emprestou munição e armamento – por dois pontos, conquistando a medalha de ouro.

O primeiro lugar só́ foi decidido no último alvo, o qual Paraense foi certeiro, enquanto Bracken falhou.

A equipe de tiro, com todos os seus percalços, levava três medalhas olímpicas para casa. Guilherme Paraense ainda conseguiu outro feito: ele foi o primeiro porta-bandeira do Brasil em Jogos Olímpicos.

Ao longo do último século, foram inúmeras as homenagens ao nosso primeiro medalhista de ouro olímpico. Dentre as quais destacam-se: a inauguração, em 5 de maio de 1989, do Polígono de Tiro Tenente Guilherme Paraense, nome dado ao conjunto de estandes de tiro da Academia Militar das Agulhas Negras; e selos nacionais confeccionados em sua homenagem para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

Em 2007, com a construção do Centro Nacional de Tiro Esportivo para atender aos Jogos Panamericanos, o Exército mais uma vez o homenageou, batizando a instalação com seu nome e último posto, Centro Nacional de Tiro Esportivo Tenente-Coronel Guilherme Paraense.

Nos anos de 2013 e de 2014, o revólver usado por Paraense na conquista do ouro olímpico foi apresentado na exposição interativa do Comitê̂ Olímpico Brasileiro.

Guilherme Paraense morreu aos 83 anos, no dia 18 de abril de 1968, sendo, ainda, o único competidor brasileiro a ter ganho uma medalha de ouro no tiro esportivo em Olimpíadas.

Não obstante as conquistas propriamente ditas, o que mais engrandeceu os feitos do Tenente Guilherme Paraense e de seus companheiros de equipe foram as circunstâncias nas quais os brasileiros se encontravam nos momentos que antecederam as competições.

Como todo atleta, venceram as adversidades com ânimo forte e entusiasmo surpreendente, valendo-se de uma inabalável fé́ na missão e uma vontade inquebrantável de vencer, representando muito bem o povo brasileiro naqueles épicos Jogos da Antuérpia.



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