Com desfile naval, China exalta seu poderio militar e apresenta navio da nova geração antimísseis

Durante desfile naval nesta terça-feira (23) que marcou os 70 anos da fundação da Marinha chinesa, foi revelado o primeiro de sua nova geração de navios contratorpedeiros armados com sistemas de defesa antimísseis, sob os olhares atentos do presidente Xi Jinping.

A grande parada militar é vista como uma oportunidade de demonstrar força aos rivais, estreitar os laços com as Marinhas de países convidados a participar do desfile, e cultivar o sentimento nacionalista no público chinês.

O desfile naval fora descrito pela mídia estatal como o maior já organizado pela China, empenhada em reduzir a diferença entre as suas capacidades navais, antes restritas à proteção da costa, e as dos Estados Unidos, que mantêm hegemonia militar no Pacífico desde a Segunda Guerra Mundial. A Marinha chinesa tem sido uma grande beneficiária da modernização militar promovida por Xi Jinping.

O atual plano de desenvolvimento naval inclui a construção e a fortificação de ilhas em áreas disputadas do Mar do Sul da China, a construção do primeiro porta-aviões no país, o novo destroier de 10 mil toneladas Type 55 (com equipamentos de defesa antiaérea e antissubmarinos), e o estabelecimento da primeira base naval no exterior, em Djibuti, na África.

Antes da construção da ‘Type 55’ a China tinha 15 navios equipados com sistemas antimísseis, contra 87 dos EUA. A produção do novo navio estreitará essa diferença. Embora venha aumentando seus gastos militares, de modo proporcional ao crescimento do seu PIB, a China gasta atualmente pouco mais de um terço dos que os EUA dispendem anualmente com defesa.

Depois de embarcar na nova embarcação, que só foi encomendado dois anos atrás, o presidente chines observou uma pequena esquadra composta de navios chineses e estrangeiros realizando a parada naval pelas águas da cidade portuária de Qingdao.

“Saudações a vocês, camaradas. Camaradas, obrigado pelo trabalho duro’, agradeceu Xi a oficiais que estavam no convés do ‘Xining’, enquanto os navios passavam, em imagens transmitidas pela televisão estatal. “Um salve a você, presidente”, eles responderam. Sirva ao povo.

Participaram da parada 32 navios e 39 aviões militares chineses, além de embarcações militares de 13 países convidados, incluindo Índia, Vietnã, Austrália e Japão — aliado americano que abriga o maior número de bases de Washington próximas ao território chinês.

Foi a primeira vez que um navio militar japonês entrou em águas chinesas em oito anos. No total, 61 países enviaram delegações ao evento, que inclui um simpósio naval na quarta e na quinta-feira desta semana.

O primeiro porta-aviões produzido na China, que ainda não foi batizado e atualmente é submetido a testes no mar, não estava presente no desfile. Mas estava o Liaoning, o primeiro do país, comprado em segunda mão da Ucrânia em 1998 e reformado posteriormente em Pequim.

A televisão estatal chinesa mostrou imagens do ‘Nanchang’, o primeiro da nova frota de destroiers Type 55. Detalhes deste e de outros navios ficaram encobertos pela neblina espessa e pela chuva que caía durante parada militar. A China havia anunciado que mostraria novos submarinos nucleares, e a rede pública de TV de fato exibiu embarcações do tipo durante o desfile.

Especialista em defesa da china, mas que se encontra baseado em Cingapura Collin Koh disse que, com base nas evidências disponíveis, o maior submarino em exibição nesta terça-feira era uma versão modificada dos submarinos da classe Jin, movidos a propulsão nuclear e equipados com mísseis balísticos, considerados parte essencial de sua estratégia de dissuasão nuclear.

A Marinha tem quatro submarinos da classe Jin, baseados na ilha de Hainan, no sul do país. O Pentágono diz acreditar que a construção de uma nova geração de submarinos equipados com mísseis balísticos começará nos anos 2020. “Parece que se trata de uma versão modificada, e não de um submarino inteiramente novo, algo que teria sido um desenvolvimento mais significativo.”, disse Koh.

Em artigo para marcar o 70º aniversário da Marinha chinesa, os vice-almirantes Shen Jinlong e Qin Shengxiang exaltaram a “construção de uma força naval proporcional ao status do país e capaz de responder a ameaças de segurança marítimas e de dissuadir adversários”.

Os Estados Unidos enviaram uma delegação de baixo escalão a Qingdao, liderada pelo adido naval de sua embaixada em Pequim, mas nenhum navio. Em 2009, no marco de 60 anos da Marinha chinesa, o então chefe das operações navais dos EUA compareceu ao festejo.

No entanto, o USS Blue Ridge, navio de comando da Sétima Frota dos EUA, baseada no Japão, chegou neste sábado a Hong Kong para uma visita. Um oficial naval a bordo do navio americano disse à agência de notícias Reuters que, a Sétima Frota vai manter suas operações na região, incluindo o que chama de “liberdade de navegação para desafiar reivindicações marítimas excessivas”.

A China se opõe a essas patrulhas perto das Ilhas Spratly, no Mar do Sul da China, onde navios de guerra americanos são rotineiramente observados por navios chineses. Em setembro, um navio contratorpedeiro chinês chegou a navegar a 45 metros da embarcação americana USS Decatur.

O oficial disse acreditar que o incidente foi um evento isolado e que, desde então, outras interações com a frota do Exército Popular de Libertação (ELP) se tornaram mais profissionais.

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  • Com informações de agências de notícias internacionais


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