Comandante da Marinha revela que breve uma atualização do plano estratégico da força naval será divulgada

blank
O Navio-Patrulha Oceânico “Apa” e o Submarino Tupi nas proximidades da Enseada do Forno, em Arraial do Cabo

Durante webinar sobre o tema “Mobilização Naval e sua Interação com a Base Industrial de Defesa e Segurança”, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), no último dia 4 de junho, o comandante da Marinha, almirante de esquadra Ilques Barbosa Junior, revelou que a marinha do Brasil (MB) irá disponibilizada em breve para indústria e para a sociedade em geral, uma atualização do Plano Estratégico da Marinha (PEM).

A proposta da MB é de se fazer uma ampla e grandiosa divulgação, com informações em seu site das linhas mestras em termos de defesa e de como a indústria pode contribuir para atender às especificações técnicas. O plano tem por objetivo orientar ações legislativas, o compartilhamento de conhecimentos e fomentar arranjos produtivos locais, estimulando a política naval.

Na ocasião, o comandante da Marinha destacou ainda que a capacitação é o programa prioritário da autoridade marítima e pontuou as frentes dos principais programas da força naval.

Entre os futuros projetos da esquadra, a MB estuda a possibilidade de lançar, em breve, processos de solicitação de informações (RFI — request for information) e de propostas (RFP — request for proposal) para obtenção de navios de instrução da Escola Naval — a princípio três unidades.

Também existe a expectativa de dar continuidade aos dois navios-patrulha de 500 toneladas, que não foram concluídos no Estaleiro Ilha S/A (Eisa-RJ), e que estão no Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro. O comandante da Marinha disse que existem recursos financeiros para o projeto.

Em maio, a Diretoria de Gestão de Programas da Marinha (DGePM) e a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) divulgaram a RFP para selecionar a melhor proposta para aquisição de um Navio de Apoio Antártico (NApAnt), a ser construído no Brasil.

Alguns dados técnicos têm sigilo de caráter militar e comercial do projeto. No dia da entrega da RFP, o representante legal da empresa deve assinar um termo de confidencialidade. A entrega, iniciada no último dia 1º, se estende até 30, com agendamentos por email.

O processo para aquisição do NApAnt prevê a substituição do navio de apoio oceanográfico (NApOc) Ary Rongel. A RFI teve como objetivo buscar dados preliminares sobre projetos técnicos existentes de navios polares, sobretudo aspectos tecnológicos e operativos.

A RFI identificou algumas informações que podem ser aprimoradas no conceito. A Marinha considera um desafio importante buscar os menores valores de orçamento possíveis com a melhor capacidade.

Segundo o almirante Ilques, o raciocínio dessa negociação vai ser muito próximo do que foi Classe Tamandaré. Nessa fase inicial, houve necessidade de requisito de Estado Maior e requisito de alto nível de sistemas de forma a trazer para o escopo do que a Marinha pretende fazer desse navio.

A expectativa do comando da Marinha é, após a RFP, partir para fazer desdobramentos, com participação da Emgepron novamente, conteúdo local intenso e assessorias internacionais — se a Emgepron julgar pertinente.

A avaliação da força naval é que a construção do NApAnt no Brasil é um projeto ambicioso, não com a complexidade de uma fragata sobre determinados aspectos, mas com complexidade tecnológica de outros aspectos, como condições de climas, ambientais que navio terá que enfrentar.

A expectativa de que o programa avançará, como o Programa Classe Tamandaré (PCT) e envolverá muitas empresas da indústria nacional. A Marinha avalia oportunidades para novas unidades, não apenas no projeto de fragatas mas também no programa de submarinos.

Em relação às fragatas classe Tamandaré, a força naval avalia que, no momento, não é possível afirmar que o impacto no cronograma não pode ser recuperado ou que haverá atraso no início da construção dos projetos no estaleiro Oceana, em Itajaí (SC). A transferência de tecnologia pode sofrer algumas adaptações, como a inclusão de ensino à distância.

Um ponto positivo é que Santa Catarina não é um dos estados com maiores números de contaminação de Covid-19. A Marinha confirma conversas sobre futuros projetos na base de Itaguaí, construída para o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).

A leitura é que pode ser um momento oportuno para se estruturar e negociar a venda de projetos, o que exige ampla instrumentação jurídica.

“Já estudamos isso na Marinha do Brasil, com apoio da AGU (Advocacia Geral da União). Mas não é um bicho de sete cabeças, dá para fazer. Realmente existe interesse”, revelou o comandante da Marinha.

A partir do controle dos casos de Covid-19, a Marinha pretende avançar com as negociações dos submarinos da classe alemã IKL-209, Timbira (S-32) e Tapajó (S-33), que têm interesse da marinha peruana e de outras armadas estrangeiras.

O entendimento é que a transferência de um submarino exige, inicialmente, a verificação de discrepâncias, devido a questões cíveis e de responsabilidade sobre o meio.

  • Com agências de noticias