Comando da Aviação do Estado da Polícia Militar de Minas Gerais recebe inovações para o policiamento aéreo

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O Comando de Aviação do Estado (Comave) da Policia Militar de Minas Gerais (PMMG) é uma das forças de policiamento aéreo mais modernas do Brasil. Para que possam atuar em voos noturnos, por exemplo, os tripulantes das 15 aeronaves que compõem a força dispõem de quatro equipamentos que permitem que os policiais militares enxerguem em ambientes de baixíssima iluminação.

Há aparelhos que contam com imageadores: três câmeras que permitem também a visualização do espectro infravermelho e térmico e favorecem a identificação de pessoas pela emanação de calor corpóreo.

“Com esse equipamento conseguimos distinguir em ambientes com pouca visibilidade onde está um fugitivo, por exemplo. Mesmo se a pessoa estiver atrás de uma árvore, é possível detectar a sua presença”, afirma o chefe da seção de comunicação do Comave, capitão Thiago Vitório de Oliveira, que é copiloto.

Uma outra inovação é o sistema Followair, desenvolvido por uma empresa mineira e que permite o controle situacional de todas as 15 aeronaves do Comave por meio de um monitor. Com isso, o comando pode saber a localização exata de uma aeronave, sua velocidade, altitude, se está pousada ou em manutenção.

E as novidades não param de chegar. Dois blindados à disposição do Batalhão de Choque e do Grupo de Ação Tática Especial (Gate) são chamados pelas tropas da Polícia Militar de Minas Gerais de caveirões, numa alusão a veículos semelhantes que são utilizados no Rio de Janeiro para combater o tráfico que domina comunidades carentes.

Isso porque precisam resistir a disparos de armamentos de guerra em poder de traficantes e de milicianos. Helicópteros com esse tipo de blindagem também dão apoio e por esse motivo ganharam o apelido de “Caveirões do Ar”.

A PMMG rejeita essa designação, mas corre informalmente entre a tropa que o mais novo helicóptero a operar no Comando de Aviação do Estado (Comave) recebeu o mesmo apelido por ser um aparelho de porte avantajado perto dos AS 350 B2 da Helibrás, utilizados de forma mais corriqueira pela corporação.

O helicóptero mais moderno do Comave veio diretamente do hangar do governador. Trata-se de um Dauphin N2 doado em abril, permitindo o transporte rápido de até 12 pessoas, inclusive durante a noite, uma vez que tem a capacidade de operar por instrumentos e não apenas por meios visuais, como as demais aeronaves de asas rotativas da unidade.

O Dauphin N2 é o mesmo modelo utilizado pelo Exército Brasileiro – o Pantera, e poderá ampliar a capacidade de transporte de órgãos para transplantes, por exemplo, em todo o território mineiro e nacional, bem como remover pessoas desabrigadas ou em áreas ameaçadas.

Testemunha da evolução

Missões de apoio na Argentina, no Uruguai, nas florestas da Chapada Diamantina e na Amazônia. O piloto mais antigo em atividade do Comando da Aviação do Estado (Comave), tenente-coronel Carlos Gonçalves Júnior, tem recordações que marcaram a história da aviação policial em Minas Gerais.

Formado pela segunda turma de pilotos da Polícia Militar, em 1995, e com 32 anos de corporação, testemunhou a evolução dessa força, que chegou a ter helicópteros cedidos pela Força Aérea Brasileira (FAB) e hoje opera aeronaves multimotores como o Dauphin N2. São 75 mil horas de voo desde sua criação, há 32 anos.

“A evolução percebida é algo surpreendente, pois ocorre de maneira técnica, obtendo resultados expressivos de otimização do emprego do recurso aéreo para salvar vidas e reprimir o crime organizado a tempo e a hora”, disse Júnior.

Ele se recorda que o primeiro piloto da corporação foi o coronel da reserva Severo Augusto, quando ainda era tenente.

“Somos identificados com o nome da nossa esquadrilha: Pégasus. O Severo é o Pégasus 01. Eu sou o Pégasus 12”, conta o piloto, que atuou em desastres de grande repercussão, como o do soterramento na Vila Barraginha, em Contagem, em 1992, enchentes no Sul de Minas e em Santa Catarina e incêndios florestais na Chapada Diamantina e Roraima.

“Era cadete ainda quando ocorreu uma fatídica rebelião no presídio Nelson Hungria, em 1992, e o Corpo de Policiamento Aéreo (Corpaer) tinha apenas uma aeronave. Foi quando recebemos duas aeronaves modelo Bell 47 doadas pela FAB’, recorda. E essas foram importantes na formação das primeiras turmas de pilotos da corporação.

Mesmo com tanta experiência, a tragédia de Brumadinho é considerada pelo militar como a experiência mais marcante da sua carreira.

“Foi o evento de maior resgate do mundo utilizando helicópteros. Foram 32 aeronaves e isso exigiu de todos, das equipes em terra, mecânicos, pilotos, tripulantes e coordenadores. Foi de extrema importância resgatar as pessoas feridas e a memória dos mortos. Reafirmou o compromisso da aviação. Recebi um investimento da PM e é com o dever cumprido que devolvemos  esse investimento”, considera o tenente-coronel Carlos Júnior.

  • Com informações do Jornal Estado de Minas, por: Mateus Parreiras

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