Comando de Operações Táticas, a unidade de operações especiais da Polícia Federal

Constituído no final dos anos 1980 como uma unidade contra terrorista a serviço do Brasil, o Comando de Operações Táticas (COT) oferece à Polícia Federal (PF) uma opção tática para qualquer crise envolvendo ações terroristas executadas dentro do território brasileiro.

A PF participou ativamente dos esquemas de segurança durante os grandes eventos sediados pelo Brasil desde 2011, bem como as visitas de dignitários estrangeiros ao país.

Estes incluem os implementados para os V Jogos Mundiais Militares (2011); a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável Rio+20 (2012); a Jornada Mundial da Juventude (2013); a Copa das Confederações FIFA (2013); a Copa do Mundo FIFA (2014); os XXXI Jogos Olímpicos e XV Jogos Paralímpicos (2016).

Como unidade de pronta intervenção, o COT realiza operações de baixa visibilidade em apoio a unidades de inteligência da PF, tais como resgates de reféns, além de operações em ambientes com ameaça de ataque químico, biológico, radiológico ou nuclear.

Durante os Jogos Olímpicos de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, operadores do COT estiveram diretamente envolvidos na execução de mandados de prisão de alvos implicados na Operação Hashtag, uma investigação a cargo da Divisão Antiterrorismo da PF contra uma suposta célula da organização terrorista Estado Islâmico no Brasil.

A utilização de equipes do COT em operações de contraterrorismo faz parte do protocolo de atuação das unidades de inteligência da PF. Portanto, os operadores do COT se responsabilizaram pelo planejamento e pela execução dos mandados de prisão, trabalhando sigilosamente no rastreamento de alguns alvos envolvidos na Hashtag.

ATRIBUIÇÕES DO COT

Ainda que as operações de contraterrorismo sejam a razão de ser da unidade, o escopo de atuação do COT em apoio às unidades centrais e descentralizadas da PF não se limita às ações de enfrentamento ao terrorismo.

Empregando meios e pessoal altamente capacitados em todo tipo de missão, o COT também conduz operações de combate ao crime organizado em todo o território brasileiro.

A unidade possui um raio de atuação muito diversificado em operações contra o narcotráfico, com destaque nas ações de interdição de embarcações, operações em áreas urbanas de altíssimo risco e interdição de aeronaves em solo.

Por exemplo, nos últimos anos, organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, vêm investindo pesado em mão de obra especializada e em tecnologia, tais como dispositivos de visão noturna e equipamentos modernos de comunicação.

Eles usam isso, bem como criminosos com treinamento militar, como forma de contra-atacar as ações do COT quando o objetivo é promover à apreensão de entorpecentes e armas contrabandeados para o Brasil.

NOVO CANGAÇO

Recentemente, uma modalidade violenta de crime organizado denominada Novo Cangaço se popularizou no interior do Brasil.

O termo “cangaço” passou a ser adotado devido à semelhança com o gênero de banditismo ocorrido na região nordeste do Brasil, no período entre o final do século XIX e o início do século XX.

Diferentemente do que ocorria no passado, quando os cangaceiros tinham motivações culturais e ideológicas, os “cangaceiros” contemporâneos têm motivações que se limitam apenas a levantar fundos para patrocinar o crime organizado.

Assim como no passado, o modus operandi dos bandos/quadrilhas de cangaceiros é balizado pela extrema violência, visando a gerar na população das cidades do interior do país sensação de medo e insegurança.

No enfrentamento a esta modalidade de crime, o COT busca adotar uma postura proativa em virtude da extrema complexidade das ocorrências, caracterizadas pelo elevado potencial de efeitos colaterais envolvendo civis.

Assim, pode reduzir ao máximo os riscos à população inocente. Por exemplo, os operadores do COT se esforçam na tentativa de antecipar iniciativas de assalto a bancos (atividade típica dos “cangaceiros” contemporâneos), abordando a quadrilha antes que a ação seja concretizada, uma vez que, na maioria das vezes, os criminosos se apoderam de reféns para assegurar a consecução de seus objetivos.

Transcorridos quase 30 anos desde sua formação, por ter competência para operar em toda a extensão do território nacional, o COT é uma das Forças de Operações Especiais brasileiras que mais se envolveram em situações de confronto real, fato que contribuiu substancialmente para o desenvolvimento e a evolução de doutrinas próprias de atuação minuciosa, sigilosa, eficiente e com elevado percentual de sucesso.

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Fonte: Revista Diálogo América, por: Alfredo Carrijo – delegado da Polícia Federal do Brasil, lotado no COT. Possui mestrado em Estudos de Segurança Internacional pela Universidade de Defesa Nacional do Departamento de Defesa dos EUA.

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