Commandos dos Royal Marines concluem o “Artic Training 2021”

O terrivel "Batismo de gelo" dos neófitos do Artic Training". Foto via Royal Mariners Commandos.

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Iniciado em 02 de fevereiro de 2021, o “The Cold Weather Warfare Course” ou simplesmente “Artic Training” é considerado um dos cursos mais difíceis da carreira de um Commando dos Royal Mariners britânicos.

Os Royal Marines completaram a primeira fase intensiva de sua implantação no Ártico depois de exercitar os novatos e reclicar os antigos em suas habilidades de sobrevivência em um dos lugares mais inóspitos do planeta nesse 23 de fevereiro de 2021.

Especialistas em guerra de clima frio do Commando 45 retornam todos os anos no inverno, ao norte da Noruega em regiões do círculo polar Ártico, para refinar suas habilidades de combate nos arredores atordoantes mas brutais do alto norte, onde as temperaturas podem cair para -30°C e, durante as fases iniciais, o sol pouco ilumina o céu, na conhecida noite ártica que pode durar até 4 meses dependendo da região, em um dos ambientes considerados mais extremos do mundo nas montanhas do norte da Noruega.

Durante o inverno em altas latitudes na localidade onde o curso é realizado, temos apenas quase quatro horas de luz do dia e temperaturas bem abaixo de zero recebem centenas de boinas verdes, principalmente do Commando 45, baseado em Arbroath, mas também de uma série de unidades especializadas de cerca de 3 Brigadas de Comando, quando eles começam sua implantação no inverno de 2021.

Todos os Fuzileiros Navais destacados para o curso de operações em regiões árticas passaram por um período de quarentena rigoroso, com as tropas do Reino Unido se adquando as diretrizes das regras preventivas sanitárias da Noruega, o país anfitrião do treinamento.

Os exercícios com tropas da Noruega, Estados Unidos, Holanda e a Alemanha foram cancelados pelos noruegueses devido às restrições da pandemia de covid19, mas o treinamento principal foi retomado rápidamente para aqueles que passaram pela quarentena.

O Comando 45 está atualmente destacado na Noruega, conduzindo um treinamento essencial como Unidade de Comando Líder, para eventualmente atuar em conjunto com cerca de mil U.S. Mariners que também ficarão de forma permanente na Noruega devido aos acordos existentes dentro do escopo das atividades da aliaça OTAN, da qual a Noruega faz parte.

Como os especialistas em Guerra em Tempo Frio se mantém em alta prontidão, este treinamento é vital para manter a capacidade de ação em qualquer lugar do mundo em caso de crise e para apoiar os aliados da OTAN na região, incluíndo o aliado especial extra-OTAN, a Suécia.

Artic Training in action!

Todos os Fuzileiros Navais engajados no curso são inicialmente postos à prova por instrutores experiêntes do Royal Marines Mountain Leader Cadre, um grupo de Comandos altamente treinados e especialistas em todas as atividades de combate no clima frio de regiões árticas e de montanha, para estarem prontos para sobreviver, mover-se e lutar nas condições geladas (até 0°C) e glaciais extremas (abaixo de 10°C).

O “The Cold Weather Warfare Course” ( “curso de combate em tempo frio” ou também chamado de “Artic Training”) tem três fases; sobrevivência, mobilidade e guerra. Isso cria um guerreiro de inverno completo, permitindo que os comandos operem com eficácia neste ambiente implacável.

Antes de aprimorar suas habilidades de combate na neve e no gelo, as novas gerações de Fuzileiros Navais do Reino Unido devem estar prontas com a aclimatação fisiológica individual para sobreviver nas regiões selvagens do Ártico, onde as tempestades de neve e o terreno implacável podem facilmente alterar estados mentais e físicos quando não se tem o treinamento adequado.

Em primeiro lugar, aqueles que são novos no Ártico devem passar por uma série de testes intensivos de aclimantação para garantir que sejam capazes de sobreviver, construir abrigos, viver da terra e lidar com o choque frio durante os infames exercícios de quebra de gelo, que envolvem ser mergulhado em um buraco no gelo e saindo da água sem ajuda de bastões de esqui.

Esta parte brutal do treinamento é projetada para ajudar os participantes a reconhecer e reduzir os riscos de choque do frio: uma resposta física ao ser humano mal adaptado fisiologicamente, que imerso em água fria que pode incapacitar e até matar rapidamente dependendo da relação de temperatura do corpo humano, da água e do vento.

Cruzar um lago ou rio congelado pode trazer uma vantagem tática, mas apresenta um risco significativo, onde quebrar a camada de gelo é preparar-se para repentinamente afundar ou até mesmo mergulhar em águas congelantes.

Metade da batalha é gerenciar a equação “clima/operações/terreno”. Tempestades de neve podem ocorrer repentinamente, então aprender os fundamentos da meteorologia local para a sobrevivência é uma das chaves para operar satisfatoriamente nas condições do Ártico.

Depois de dominar as habilidades de sobrevivência, os Reais Fuzileiros Navais britânicos se aperfeiçoaram em suas capacidades de deslocamento individual e em grupo pelo terreno ártico com o uso de esquis e sapatos de neve e outros acessórios, treinam técnicas de resgate em situações diversas, principalmente resgate em rios com superfície semi-congelada e avalanches, antes de aperfeiçoar táticas e habilidades de combate no estágio final da implantação.

A parte de ações de combates é a única que não é divulgada em detalhes, apesar que as necessidades básicas não são diferentes de outras tropas de montanhas/alpinas européias. Mas certamente existem novidades que são adaptadas aos cenários dos empregos de modernos equipamentos empregados na atualidade não só pelos Royal Mariners Commandos como também pelos hipotéticos rivais russos e chineses que um dia poderão tentar aventuras nas regiões do círculo polar ártico de interesse da OTAN.

Implantados ao lado do Commando 45 estão Fuzileiros Navais do Grupo de Exploração de Informações do Commandos 30, Regimento Logístico de Commandos e Força de Helicópteros de Commandos, além de tropas do Exército Britânico de 24 Engenheiros Reais de Commandos e 29 de Artilharia Real de Commandos, o que constitui uma força de combate ártica formidável e versátil.

Batismo de fogo? Primeiro o batismo de gelo…

Os participantes do curso liderados por especialistas árticos do Royal Marines Mountain Leader Training Cadre também são submetidos a um dos ritos de passagem da Noruega: a infame “broca” para quebrar o gelo.

Isso envolve pular por um buraco na camada de gelo e entrar na água de um lago em temperantura ambiênte que geralmente varia em torno de -20°C, isso completamente equipado, e em seguida o aluno na àgua devem responder a uma pergunta e relatar seu número de serviço e nome a seus instrutores antes que possam finalmente se arrastar para fora da água e passar.

Esta fase brutal de treinamento é projetada para ajudar os Royal Marines a reconhecer e reduzir os riscos de choque do frio: uma resposta física ao ser imerso em água fria que pode incapacitar rapidamente e até matar.

Após o reaquecimento de seu mergulho no gelo, aqueles que não apresentam alterações fisiológicas severas de resfriamentou ou início de hipotermia dirigem-se para a “selva” (vegetação de taiga/pinheiros) para construir e permanecer em abrigos de sobrevivência.

Como o Grupo de Comando Líder de alta prontidão, o Commando 45 deve estar pronto para conduzir operações em qualquer lugar do mundo a qualquer momento, em todos os extremos do ambiente, do Ártico ao deserto e à selva, o que poucas unidades de Commandos são capazes de efetuar atualmente.

Adaptação do curso começou em novembro na Escócia

Os Royal Marines começaram o preparativo para o “The Cold Weather Warfare Course” com um exigente treinamento nas montanhas das Highlands (Terras Altas) da Escócia em novembro do ano passado, com temperaturas médias de 0°C e sem neve significativa, porém muita formação de geada na parte da manhã, e, finalmente após o período que serve também de aclimatação pogressiva, os especialistas em guerra de clima frio do Commando 45, de Arbroath embarcaram para o norte da Noruega em janeiro de 2021.

Antes de seguir para o norte da Noruega, os Commandos, que têm uma grande história de guerra no Ártico que remonta à Segunda Guerra Mundial, receberam um treinamento rigoroso de guerra de montanha na região montanhosa escarpada de Cairngorms.

Este pacote intensivo de treinamento é projetado para impulsionar os novatos Commandos Fuzileiros Navais em algumas de suas habilidades básicas de Commando, construir uma compreensão do ambiente da montanha e o que é necessário para lutar e sobreviver neste ambiente implacável.

No centro disso está a Future Commando Force. Essa modernização ousada é uma reestruturação que vai reformular a forma como as boinas verdes mundialmente conhecidas funcionam.

Trata-se de devolver as forças de comando às suas raízes como invasores do mar na ponta de lança das operações em todo o mundo, incluindo todos os extremos do ambiente como deserto, selva e Ártico.

Este treinamento na montanha viu os fuzileiros navais testarem as táticas e técnicas da Força de Comando do Futuro, incluindo o trabalho em pequenas equipes em ataques às montanhas.

A primeira fase foi uma atualização nas técnicas e estratégias de navegação, lidando com as mudanças climáticas dos Cairngorms e o impacto do terreno na capacidade de navegação, já que a região tem incidência de nevoeiros intensos em pelo menos 50% do dia durante o outono e inverno.

O treinamento logo aumentou de intensidade quando os comandos começaram a fase tática, durante a qual eles praticavam ataques verticais em encostas íngremes.

As táticas de assalto vertical são usadas para escalar obstáculos, sejam eles um penhasco ou terreno montanhoso no interior, usando técnicas avançadas de escalada e rapel que permitem aos Commandos não serem detectados e peguem o inimigo desprevenido.

A técnica foi desenvolvida pelos primeiros Commandos durante a Segunda Guerra Mundial para lançar ataques contra as forças alemãs atrás das linhas inimigas. A tecnologia moderna melhorou o equipamento usado, mas o princípio básico mudou muito pouco.

Os comandos também trabalharam em técnicas usadas para resgatara e evacuar vítimas das montanhas, montando postos de observação para monitorar a atividade inimiga e treinando em ‘Extração Sob Fogo’, retirando-se do combate sob pressão de um adversário enquanto atacava posições ‘inimigas.

  • Com textos adaptados das publicações originais da Royal Navy via redação Orbis Defense Europe.

Links para referência das publicações originais:

https://www.royalnavy.mod.uk/news-and-latest-activity/news/2021/february/23/200223-arctic-survival
https://www.royalnavy.mod.uk/news-and-latest-activity/news/2021/february/02/210202-arctic-commandos
https://www.royalnavy.mod.uk/news-and-latest-activity/news/2020/november/04/200411-mountain-training



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