Como Está O Arsenal Nuclear Dos EUA?

Bombas B61 sendo acopladas em bombardeiros da Força Aérea Americana. U.S. D.O.D. por SSGT PHIL SCHMITTEN

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Em 28 de dezembro de 1942, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt autorizou a constituição do Projeto Manhattan com o intuito de reunir vários cientistas e oficiais militares americanos e aliados no desenvolvimento de um grande dispositivo nuclear de destruição em massa, a bomba atômica, em resposta aos temores de que cientistas alemães estivessem trabalhando em uma arma com tecnologia supracitada nos anos 1930, alarmando os EUA após a descoberta da fissão nuclear por Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman.

Preparação para o primeiro teste de bomba nuclear dos EUA em Alamogordo.

Deste enorme e colateral programa atômico, deu origem ao teste Trinity conduzido pelo pai da bomba atômica Robert Oppenheimer, perfazendo a primeira explosão nuclear da história da humanidade em 16 de julho de 1945, após um dispositivo de plutônio içado no topo de uma torre de 30 metros ter sido detonado precisamente às 5h30 sobre o deserto do Novo México, liberando 18,6 quilotons de energia, vaporizando instantaneamente a torre e transformando o asfalto e a areia em vidro verde a 210 milhas ao sul de Los Alamos, nas planícies áridas da Cordilheira de Alamogordo, conhecida como Jornada del Muerto.

Explosão intensa no teste Trinity. Atomic Heritage Foundation

A explosão bem sucedida do Teste Trinity conferiu soberania aos EUA sobre todas as nações do planeta até 9 de agosto de 1949, após a URSS testar com sucesso a sua primeira bomba nuclear, abrindo caminho a tão almejada supremacia de destruição em massa, a responsável por suprimir um grande conflito de proporções inimagináveis entre as duas grandes potências na Guerra Fria.

De acordo com o grande estudo “Arsenal Global de Armas Nucleares entre 1945 a 2010” realizado por Robert Norris e Hans Kristensen, os americanos produziram mais de 70.000 ogivas desde 1945.

Só em 1965, estimava-se o arsenal nuclear americano na faixa acima de 31 mil ogivas nucleares contra 6 mil soviéticas, a maior quantidade registrada de toda a história, porém, após intensos programas e políticas de não propagação de produtos de alta destruição em massa com EUA e URSS (posteriormente Rússia) signatários dos acordos, o quantitativo bélico nuclear foi reduzido drasticamente.

Em pleno ano 2020 de muitas polaridades e tensões geopolíticas sem precedentes, o arsenal de armas nucleares americanos notoriamente não está nem perto de seu pico da década de 1960, entretanto ainda há milhares de ogivas, conferindo um arsenal impressionante e além de todas as nações.

Arsenal nuclear de bombas B61 americanas na Europa.

Conforme o levantado pela organização americana Bulletin of the Atomic Scientists, no ano passado, estima-se que o Departamento de Defesa Americano possuía um arsenal de 3.800 ogivas nucleares disponíveis para serem acopladas a qualquer instante em mais de 800 mísseis balísticos e em mísseis operados por caças ou bombardeiros, outras 1.300 ogivas definitivamente implantadas, e grande parte do arsenal total reservada para situações de calamidade de extrema urgência ou que estejam no processo de fim da vida útil.

O arsenal bélico nuclear americano está estrategicamente posicionado em setores sensíveis nos EUA como ofensiva retaliatória ou de ataque sem precedente contra alvos específicos em qualquer lugar do mundo, e acredita-se que essas armas estejam armazenadas em 11 estados norte-americanos, a grande maioria acoplada no Novo México, Washington e Geórgia, uma cruz virtual que fornece ações globais contra inimigos de qualquer posição.

artefatos nucleares americanos sendo manobrados.

Apesar do grande número de dispositivos nucleares em solo americano, o Pentágono, por meio da aliança OTAN, também mantém uma quantidade modesta na Europa e em regiões críticas de fácil acesso contra China, Rússia e Irã, como é o caso da Base Aérea de Incirlik, na Turquia.

Bombardeiro B-52H Stratofortress. US Air Force

Em 2016 havia rumores de que as armas americanas em Incirlik foram removidas após a tentativa de golpe contra Erdogan, algumas fontes diziam os B-52s Stratofortress cheios até “a boca” de bombas B61 foram transferidos à Grécia, outras especulavam Romênia, porém todas estavam erradas. Um artigo do New York Times de 2019, agregado com informações de funcionários americanos, confirmou que as armas nucleares ainda estão armazenadas na base turca.

Para se lançar um equipamento sensível, notório e altamente destrutivo como um míssil ou bomba nuclear, é necessário possuir a primeira fração dos fatores, a segurança.

Em termos genéricos e simples, existem três modos principais para lançar os equipamentos, o primeiro é por instalações subterrâneas chamadas de silos, engana-se quem acha o sistema pouco popular, mas grande parte dos americanos sempre especula onde um silo esteja ativo em sua cidade, e estima-se que a Força Aérea Americana ainda mantém 400 mísseis baseados em silos e outros 50 são mantidos de prontidão em caso de emergência; o segundo se faz por caças ou bombardeiros pesados que entregam os equipamentos a centenas de metros do alvo; e o terceiro através de submarinos, sendo o mais seguro e eficaz método de lançamento dos três modos.

Míssil nuclear UGM-73 Poseidon sendo lançado de submarino americano. US Navy

Se o pilar do lançamento do dispositivo nuclear é a segurança, um submarino de mísseis balísticos nuclear faz jus ao requisito, a sua discreta antecipação, furtividade e operação em qualquer mar do planeta, torna o instrumento ideal do Pentágono, e mesmo após os acordos de redução de ogivas nucleares, a Marinha Americana ainda opera cerca de 14 submarinos de mísseis balísticos, cada um carregando até 24 mísseis Trident II, isso equivale afirmar que 54% das ogivas (1.920) estão acondicionadas em submarinos lançadores de mísseis balísticos, contra 24% (850) em bombardeiros e 22% (800) em mísseis intercontinentais em silos ou plataformas móveis.

Míssil Intercontinental Americano na Base Aérea de Vandenberg. U.S. Air Force por Staff Sgt. Jonathan Snyder/RELEASED

Segundo a Federation of American Scientists, é importante lembrar que as forças nucleares russas e norte-americanas relatadas no acordo NEW START, que limita o número de mísseis nucleares, são apenas uma parte de seus estoques totais de armas nucleares, atualmente estimados em 4.330 ogivas para a Rússia e 3.800 para os Estados Unidos (6.500 e 6.185, respectivamente, contando ogivas aposentadas aguardando desmantelamento).

Caso o New Start não se valide no ano que vem, as duas nações poderiam carregar muitas centenas de ogivas extras em seus lançadores, ou seja, mais mísseis com ogivas seriam empregados.

Presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev durante assinatura do Tratado INF de 1988. Reuters

Os EUA se retiraram de grandes Tratados de controle de armas de alta destruição, como o Tratado INF de 1988, que atenuava o número de mísseis nucleares terrestres de médio alcance, e o Tratado Open Skies de 2002, que estabelecia voos do tipo vigilância aérea totalmente desarmada sobre qualquer território dos signatários do acordo, entre eles a Rússia.

Lockheed Martin

Certamente a tangência dos acordos permitirá ao Pentágono produzir novas ogivas nucleares, fato não consolidado desde a década 1990, inclusive a Marinha anunciou, no início deste ano, a contratação da Lockheed Martin como a responsável pela produção de novos dispositivos nucleares de destruição em massa, perfazendo assim o aumento progressivo do arsenal nuclear americano.

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