Competição Nacional SAE BRASIL AeroDesign testa capacidade de jovens universitários brasileiros

Estudantes de engenharia aeronáutica de vários locais do Brasil, fazem os ultimos ajustes para participarem da 21ª Competição SAE BRASIL AeroDesign, que será realizada entre os dias 24 a 27 de outubro, no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP).

No total, mais de 1,3 mil participantes (entre estudantes, professores orientadores e pilotos) irão representar 71 instituições de ensino superior do Brasil (16 Estados e o Distrito Federal) e do Exterior (México e Venezuela).

Uma destas equipes a “Mamutes do Cerrado” da Universidade de Brasília (UnB), inscrita na Classe Micro, inovou na utilização de materiais e configuração da aeronave.

“Para os desafios da categoria micro, utilizaremos uma aeronave asa baixa, contrário à convenção, apostando em material biodegradável em impressão 3D, e inovando na forma de construção ao utilizar técnicas de laminação para fabricar a asa”, explica o capitão da equipe, Victor Rodrigues Cunha.

A equipe otimizou todos os aspectos possíveis da aeronave, a geometria foi otimizada para que tivesse a maior área alar sem comprometer o espaço disponível para transporte, contando também com soluções diferenciadas para a estrutura da asa.

“Seguindo o modelo de aviões de alto desempenho em competições de planadores, a asa e superfícies sustentadoras desse ano são feitas inteiramente de fibra de vidro com pequenos suportes de madeira que servem de junção para as seções desmontáveis”, destaca o capitão.

Veteranos na competição, a equipe Urubus Micro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aposta em um avião convencional com empenagens all-moving, movido ao motor elétrico.

“O diferencial da nossa aeronave é sua versatilidade, sendo facilmente desmontável, além de seu mecanismo de alijamento de carga”, destaca o capitão da equipe, Victor Tassini.

A Urubus já realizou três voos de teste, e aposta nos valores de companheirismo e ajuda mútua, além de foco e determinação no objetivo de vencer a competição, apesar de todas as barreiras econômicas.

“Em 2019, a equipe procurou implementar novas tecnologias para a área de construção e manufatura, visando aumentar facilidade e precisão construtiva, além de possibilitar a redução de peso da aeronave”, ressalta o capitão.

Ao todo se inscreveram para a competição 27 equipes de São Paulo, 18 de Minas Gerais, nove do Rio Grande do Sul, oito do Paraná, e cinco de Santa Catarina.

Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, e Espírito Santo contam com três equipes cada; Bahia, Maranhão, Piauí, Pernambuco e Mato Grosso têm duas cada; e Amazonas e Ceará levam cada um uma equipe. Do exterior, uma equipe é venezuelana e outra do México.

Aeronaves

Com mudanças no Regulamento da Competição, as 95 equipes enfrentarão novos desafios, conforme as categorias Micro, Regular e Advanced.

Na Classe Micro concorrem 25 equipes. Nesta categoria, as aeronaves poderão transportar como carga útil materiais de quaisquer tipos e dimensões; exceto chumbo.

Para 2019, as equipes têm o desafio de executar duas missões distintas: missão LAPES (Low-Altitude Parachute-Extraction System), em que as equipes deverão lançar a carga durante os voos com o uso de paraquedas para aumentar a pontuação da equipe.

Nesta categoria não há restrição de geometria ou número de motores (todos elétricos), porém, as equipes deverão ser capazes de desmontar o avião depois dos voos e transportar a aeronave desmontada em caixa de volume de 0,030 m³.

Na Classe Regular, que tem 60 equipes inscritas, os aviões deverão ter dimensões compatíveis com as restrições de tamanho, onde a soma da envergadura (comprimento da maior asa) e comprimento da aeronave (da ponta do motor até o final da aeronave) deve ser no máximo 3,70 metros.

A categoria segue restrita a avião monomotor. As aeronaves poderão transportar como carga útil, materiais de qualquer tipo e dimensões, exceto chumbo.

Na Classe Advanced, com 10 equipes, os aviões seguem com o desafio de avançar na eletrônica embarcada. Além do tempo de voo, os sistemas a bordo deverão computar informações de voo e eficiência aerodinâmica.

Além disso, o sistema embarcado deve detectar e fotografar alvos posicionados em solo e transmiti-los ao vivo via sistema para uma estação no solo. Permanece opcional a escolha do tipo de propulsão (combustão ou elétrica).

A única restrição relativa à motorização é a tração estática máxima (a potência entregue pelos motores segundos antes do início da corrida de decolagem é restrita). A exemplo da Classe Regular, as aeronaves poderão transportar como carga útil materiais de quaisquer tipo e dimensões, exceto chumbo.

Provas

As avaliações são realizadas em duas etapas: Competição de Projeto e Competição de Voo, conforme regulamento.

Na Competição de Projeto, as equipes realizam apresentações orais dos projetos para a Comissão Técnica da Competição, formada por engenheiros da indústria aeronáutica.

Na Competição de Voo, os aviões passam por baterias de voos e devem ser capazes de decolar e transportar cargas sempre crescentes, até as condições limite do projeto.

Ao final do evento, duas equipes da Classe Regular, uma da Advanced e uma da Classe Micro, que obtiverem as melhores pontuações, ganharão o direito de representar o Brasil na SAE Aerodesign East Competition, em 2020, nos EUA, onde equipes brasileiras já acumulam histórico expressivo de participações: oito primeiros lugares na Classe Regular, quatro na Classe Advanced e um na Classe Micro. A SAE Aerodesign East Competition é realizada pela SAE International, da qual a SAE BRASIL é afiliada.

Organizado pela Seção Regional São José dos Campos, da SAE BRASIL, o Projeto AeroDesign é programa de fins educacionais que tem como objetivo propiciar a difusão e o intercâmbio de técnicas e conhecimentos de engenharia aeronáutica entre estudantes e futuros profissionais da engenharia da mobilidade; por meio de aplicações práticas e competição entre equipes, formadas por estudantes de graduação e pós-graduação de Engenharia, Física e Tecnologia relacionada à mobilidade. A Competição é realizada anualmente desde 1999.

Reconhecida pelo Ministério da Educação, a competição é patrocinada pelas empresas: Airbus, Embraer, GE, Liebherr Aerospace, Parker Hannifin, Rolls-Royce e United Technologies.

Também conta com o apoio das instituições: ADC Embraer, APVE, DCTA, ITA, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Prefeitura de São José dos Campos e São José dos Campos Convention & Visitors BureauMantém parcerias com:  Emercor Pronto Vida, Hotel Nacional Inn, Novotel e Portal de Engenharia Aeronáutica.

21ª Competição SAE BRASIL AeroDesign

  • Dia 24 – das 8h30 às 17h – solenidade de abertura, showroom dos projetos e apresentações orais das equipes no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) – Prédio de Eletrônica e Computação.
  • Dias 25, 26 e 27 – das 7h30 às 18h – Competição de voo no Aeroporto do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) – aberta ao público. Entrada pela avenida Faria Lima, ao lado do MAB, em São José dos Campos/ SP.

SAE BRASIL

A SAE BRASIL é uma associação sem fins lucrativos que congrega engenheiros, técnicos e executivos unidos pela missão comum de disseminar técnicas e conhecimentos relativos à tecnologia da mobilidade em suas variadas formas: terrestre, marítima e aeroespacial.

A SAE BRASIL foi fundada em 1991 por executivos dos segmentos automotivo e aeroespacial, conscientes da necessidade de se abrir as fronteiras do conhecimento para os profissionais brasileiros da mobilidade, em face da integração do País ao processo de globalização da economia, ora em seu início, naquele período.

Desde então a SAE BRASIL tem experimentado crescimento, totalizando mais de 6 mil associados e 10 seções regionais distribuídas desde o Nordeste até o extremo Sul do Brasil, constituindo-se hoje na mais importante sociedade de engenharia da mobilidade do País.

A SAE BRASIL é filiada à SAE INTERNATIONAL, associação com os mesmos fins e objetivos, fundada em 1905, nos EUA, por líderes de grande visão da indústria automotiva e da então nascente indústria aeronáutica, dentre os quais se destacam Henry Ford, Orville Wright e Thomas Edison, e tem se constituído, ao longo de mais de um século de existência, em uma das principais fontes de normas, padrões e conhecimento relativos aos setores automotivo e aeroespacial em todo o mundo, com mais de 35 mil normas geradas e mais de 138 mil sócios distribuídos por cerca de 100 países.

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