Congressistas americanos tentam bloquear status do Brasil como aliado Extra-Otan dos EUA

Esse mecanismo foi concedido ao país em julho de 2019 pelo então presidente americano, Donald Trump

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Deputados do Partido Democrata apresentaram uma emenda ao orçamento de Defesa dos Estados Unidos que proíbe o governo americano de usar recursos públicos para beneficiar o Brasil em decorrência do status do país de aliado prioritário Extra-Otan.

Ser um aliado extra-Otan possibilita, de acordo com a Casa Branca, “colaboração no desenvolvimento de tecnologias de defesa, acesso privilegiado à indústria de defesa dos EUA, aumento em intercâmbios militares, exercícios e treinamento conjuntos, além de acesso especial a financiamento para equipamentos militares”.

A emenda do deputado democrata Jesus Garcia (Illinois), capitaneada por outros congressistas do partido, estabelece que recursos dos contribuintes americanos não poderão ser usados para “reconhecer a designação do Brasil como um aliado Extra-Otan prioritário ou para oferecer, conferir, facilitar ou dar ao Brasil os benefícios decorrentes desse status”.

Na prática, caso o texto seja incorporado ao Ato de Autorização de Defesa Nacional do Ano Fiscal 2022 (o orçamento da Defesa americana), essa cooperação militar entre os países fica inviabilizada.

A emenda ainda será votada na Câmara dos Representantes e, depois, segue para o Senado americano. Um projeto semelhante chegou a ser apresentado em 2019 e em 2020, mas não foi aprovado.

Desta vez, no entanto, há uma maioria, ainda que apertada, de democratas nas duas Casas do Congresso; 220 a 212 na Câmara, e 50 a 50, com o voto de desempate sendo da vice-presidente, Kamala Harris, no Senado.

No início de agosto, em visita para discutir um possível veto à participação da China na instalação da infraestrutura da tecnologia 5G no Brasil, o assessor de segurança nacional, Jake Sullivan, ofereceu ao governo apoio para que o Brasil se torne um sócio global da Otan.

A adesão dependeria do aval de outros integrantes da aliança militar, mas o apoio americano é considerado determinante.

A eventual ascensão do Brasil como “sócio global” da Otan permitiria aos militares condições especiais para a compra de armamentos de países que integram a organização e abriria espaço para a capacitação de pessoal nas bases da aliança ao redor do mundo.

  • Com informações da FolhaPress