Coronavírus….Tripulação encapotada, avião desinfetado: como são voos de resgate na China

Tripulantes de voos usam roupa especial de proteção contra o coronavírus Imagem: Divulgação

Depois do pedido de repatriação de um grupo de brasileiros que está em Wuhan, cidade que é o epicentro da epidemia de coronavirus na China, o governo brasileiro decidiu organizar uma missão para trazer o grupo de volta ao país.

Segundo o ministério da Defesa, dois aviões Embraer 190 da Força Aérea Brasileira decolam hoje, às 12h, da Ala 1 (Base Aérea de Brasília) para buscar os brasileiros que estão em Wuhan e desejam regressar ao Brasil. Cada avião tem capacidade para 36 lugares.

Os dois aviões da Força Aérea Brasileira devem fazer escala em Fortaleza (CE), Las Palmas (Espanha), Varsóvia (Polônia) e Urumqi (China) e devem chegar a Wuhan na próxima sexta-feira (7). A previsão inicial de regresso das aeronaves é para sábado (8) na base aérea de Anápolis (GO), onde os brasileiros devem ficar 18 dias em quarentena.

Diversos outros países já realizaram missões para a retirada de seus nacionais de Wuhan, seguindo protocolos internacionais. Os voos têm sido feito, geralmente, por aeronaves comerciais, mas também já foram usados aviões cargueiros e militares. A Europa utilizou um Airbus A380, o maior avião de passageiros do mundo, para retirar cidadãos de mais de 30 nacionalidades de Wuhan.

O avião pertence à companhia aérea português de voos fretados Hi Fly. Um Boeing 747 da companhia aérea Wamos também foi utilizado. Medidas de segurança para os tripulantes. Com o risco de infecção, porém, os voos recebem cuidados especiais para evitar a proliferação do vírus.

As medidas de segurança incluem roupas especiais para os tripulantes e equipes de solo, além de uma desinfecção completa do avião antes e depois do voo. A companhia aérea Sri Lanka Airlines revelou que 16 funcionários se voluntariaram para fazer o que a empresa chamou de “voo de misericórdia”, que foi operado por um Airbus A330-200.

Para evitar os riscos de contaminação, os 16 funcionários da empresa vestiram trajes especiais desde o início dos procedimentos de embarque, durante todo o voo e após o pouso no aeroporto internacional de Mattala Rajapaksa.

“Nossa nação sempre confiou em nossa companhia aérea nacional em tempos de crise, seja um tsunami ou um ataque terrorista, e temos orgulho em dizer que sempre cumpriremos nosso dever, independentemente dos desafios que enfrentaremos”, afirmou o presidente da Sri Lank Airlines, Ashok Pathirage.

Após o desembarque, mesmo tendo utilizado roupas de proteção, os membros da tripulação também passam por uma avaliação médica. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os tripulantes do A380 da companhia aérea portuguesa Hi Fly.

Após a liberação de todos, a sala onde foi feita a análise também foi descontaminada por medidas de segurança. Os tripulantes não precisam ficar em quarentena. Passageiros com máscaras durante todo o voo.

Os passageiros dos voos de repatriação também estão sendo submetidos a procedimentos especiais para o embarque. Ainda no aeroporto chinês, todos passam por uma avaliação médica, que mede a temperatura do corpo e analisa as condições básicas, para liberar a entrada no avião.

A bordo, todos permanecem usando máscaras para proteger nariz e boca. No caso do A380 da Hi Fly, o avião tem capacidade para 471 passageiros. Nos voos de repatriação dos cidadãos europeus, havia entre 250 e 350 pessoas a bordo.

Como um voo especial, o serviço de bordo também é completamente diferente. Em alguns casos, ele simplesmente não existe. A distribuição de cobertores, travesseiros ou outros acessórios foi completamente proibida. Quando há refeição, ela é distribuída inteiramente em produtos descartáveis.

Alguns países adotaram medidas de desinfecção dos passageiros logo no desembarque. O ministério das relações exteriores da Indonésia divulgou fotos dos 243 passageiros de um voo recebendo um spray logo ao descerem do avião.

O governo da Indonésia não divulgou qual seria o material utilizado. Após o desembarque, os passageiros dos diversos voos de repatriação têm sido levados para locais onde devem cumprir a quarentena.

O isolamento serve para verificar se eles não apresentam nenhum sintoma de infecção pelo coronavírus. O período de quarentena tem sido de pelo menos 14 dias. Avião também recebe cuidados especiais.

Antes e depois dos voos de repatriação, os aviões também passam por um processo de desinfecção. Após resgatar cidadãos da Jordânia, Palestina e árabes, um Boeing 787 da companhia aérea Royal Jordanian Airlines passou por uma esterilização completa, que incluiu assentos, instalações sanitárias e o sistema de ar-condicionado.

A empresa afirmou em uma rede social que o procedimento cumpre todos os protocolos internacionais para casos como o do coronavírus. Segundo a companhia aérea, o processo leva cerca de duas horas para cumprir as três fases de limpeza.

“Mata 100% de bactérias, fungos e vírus”, afirmou a Royal Jordanian Airlines. O trabalho é feito por equipes treinadas que também utilizam roupas especiais para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“Os melhores materiais e equipamentos de limpeza foram usados por uma equipe altamente qualificada de uma empresa local para esse fim”, afirmou a empresa.

Apesar de ainda não ter informado detalhes dos procedimentos de segurança, os voos com brasileiros devem seguir procedimentos similares ao adotado por outros países, já que são seguidos protocolos internacionais para esse tipo de missão.

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  • Por: Vinícius Casagrande / UOL

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