Corrida ao Ártico: Imagens de satélite mostram crescimento do poderio militar russo na região

Especialistas em armas e oficiais ocidentais expressaram preocupação especial com a 'super-arma' russa, o torpedo Poseidon 2M39, cujo desenvolvimento está avançando rapidamente

Google News

A Rússia vem acumulando poder militar sem precedentes no Ártico e os testes de novas armas numa área que ficou recentemente sem gelo devido ao aquecimento global, é aprova disso.

Estas ações Russas visão assegurar o controle de uma futura rota comercial na costa norte, mas também o local onde está sendo testada uma nova “super-arma”: um torpedo não-tripulado, movido por um reator nuclear e apto a escapar aos sistemas de defesa costeiros.

Várias imagens de satélite a que a Rede CNN teve acesso mostram uma nítida evolução de armamento russo nas bases militares da costa ártica do país.

As imagens mostram a acumulação de armas de alta tecnologia e um local para armazenamento subterrâneo para o torpedo movido a reação nuclear, o Poseidon 2M39.

O desenvolvimento deste torpedo, com capacidade de lançar uma ogiva de vários megatons, está avançando rapidamente. O lançamento deste tipo de arma provocaria ondas radioativas que tornariam áreas costeiras alvo inabitáveis durante várias décadas.

Em novembro, o então secretário de Estado responsável pela Segurança Internacional e Não-Proliferação, Christopher A. Ford, considerava que o Poseidon tinha sido projetado “para inundar as cidades costeiras dos Estados Unidos com tsunamis radioativos”.

O chefe da inteligência da Noruega, vice-almirante Nils Andreas Stensønes, diz à CNN que sua agência avaliou o Poseidon como “parte do novo tipo de armas nucleares de dissuasão” que está “em fase de testes”.

A acumulação militar russa foi acompanhada pelos movimentos de tropas e equipamentos da OTAN e dos EUA, revela a CNN. Os bombardeiros americanos B-1 Lancer, estacionados na base aérea norueguesa de Ørland, concluíram recentemente missões no leste do Mar de Barents, por exemplo.

“Há claramente um desafio militar dos russos no Ártico”, disse à CNN um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, que aponta para a reparação e melhorias nas antigas bases soviéticas, construídas durante a Guerra Fria.

Joias do arsenal russo

As imagens de satélite mostram o fortalecimento lento e constante de aeródromos e bases, como é o caso da base militar russa mais a norte, na ilha de Terra de Alexandra, construída durante os anos 50 e que tem sido alvo de intervenções desde 2015.

“Esta situação tem implicações para os Estados Unidos e para os seus aliados, até porque cria a capacidade de projetar força até o Atlântico Norte”, acrescentou o responsável.

Ainda que as bases em causa integrem território russo e façam parte um plano de legítima defesa, as autoridades norte-americanas expressam preocupação, até porque este poderio aumenta a presença russa na região e poderá permitir ao país contolar de facto as áreas do Ártico que estão mais distantes e que, no futuro, ficarão sem gelo devido à emergência climática.

“A Rússia está reestruturando aeródromos e instalações da era soviética, e construindo novos portos, centros de procura e resgate e a aumentando a frota de quebra-gelos, nucleares e convencionais”, afirmou o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel Thomas Campbell.

Paralelamente a isso, a Rússia está expandindo sua rede de sistemas de mísseis de defesa anti-aérea e costeira, o que dá a Moscou o poder de negar acesso “a porções importantes do Ártico”, acrescentou o responsável.

Thomas Campbell falou ainda de um teste bem-sucedido, em novembro último, do Tsirkon, um míssil de cruzeiro hipersónico. Tanto este como o torpedo Poseidon são armas estratégicas da Rússia anunciadas pelo Presidente em março de 2018.

Nos últimos anos, as mudanças climática na região removeu muitos dos obstáculos naturais da Rússia ao Norte a um ritmo inesperado, reconhecem os especialistas.

“O derretimento do gelo está acontecendo mais rápido do que os cientistas previram ou pensaram ser possível há vários anos. Esta será uma transformação dramática nas próximas décadas”, disse o alto funcionário do Departamento de Estado à CNN.

A Rússia não quis responder às questões formuladas pela CNN, mas o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros tem insistido em declarações recentes que as metas que tenta alcançar são “pacíficas” e de cariz económico.

Nova rota do comércio marítimo

Para além das questões de defesa, há também a vertente ligada ao transporte marítimo. As autoridades norte-americanas estão preocupadas com a tentativa por parte de Moscou em dominar a “Rota do Mar do Norte”, uma ligação direta entre a Noruega e o Alasca, através da costa norte da Rússia.

Esta rota é uma possível alternativa ao Canal do Suez, que ainda há poucos dias enfrentou uma situação de bloqueio que afetou o comércio mundial durante uma semana. Através da Rota do Mar do Norte, poderá reduzir-se para metade o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa.

Thomas Campbell, porta-voz do Pentágono, reconhece que a Rússia está epxlorando a possibilidade de uma nova e importante rota de navegação internacional, mas aponta para os perigos de um controlo exclusivo por parte do país.

Segundo este responsável, a lei russa “exige que qualquer navio em trânsito na Rota do Mar do Norte tenha um piloto russo a bordo para conduzir o navio”, mesmo que circule em águas internacionais. Por outro lado, a Rússia também está a tentar estabelecer que todos os navios estrangeiros necessitem de uma permissão por parte de Moscovo para fazer esta rota.

Estas movimentações e regras são “um esforço no sentido de estabelecer algumas regras de trânsito e obter alguma aceitação por parte da comunidade internacional para, de seguida, poder afirmar que é assim que as coisas terão de funcionar”, disse o responsável do Pentágono.

  • Com informações do jornal RTP (PT)


Receba nossas notícias em tempo real nos seguindo pelos aplicativos de mensagem abaixo:

Assine nossa Newsletter


Receba todo final de tarde as últimas notícias do DefesaTV em seu e-mail, é de graça!

Assista nosso último episódio:

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.