Decifrando o Projeto Starlink: Como Elon Musk quer universalizar o acesso à internet.

50% da população mundial não tem acesso a internet.

A constelação de starlinks será capaz de cobrir todo o planeta, incluindo áreas remotas. Fonte: Bussines Insider.

O Projeto Starlink da SpaceX tem como objetivo a universalização do acesso à internet com fornecimento de conexão para qualquer ponto do planeta, através de uma extensa constelação de satélites cobrindo todo o globo.

Constelação de Satélites: O termo deriva das constelações de estrelas, que são um agrupamento destes corpos celestes. No caso dos satélites, chama-se constelação o conjunto de unidades do mesmo equipamento, ou um agrupamento de diferentes modelos, mas que compartilhem de um objetivo em comum. As constelações possibilitam a criação de uma malha que pode ter até centenas de satélites conectados entre si de forma a cobrir toda a órbita terrestre. Esta malha deve ser totalmente orquestrada e sincronizada de modo que um satélite complemente a área de cobertura dos seus irmãos, sem interferir na missão dos mesmos, cada membro da família tem sua responsabilidade.

Representação de uma constelação de satélites em volta do globo. Fonte: Research Gate.

O Plano da SpaceX: O objetivo principal é que os satélites starlink sirvam como roteadores espalhando o sinal de internet do espaço até o solo, cobrindo áreas remotas onde a conexão é ineficaz ou até mesmo não existe. Segundo dados da ITU (Internacional Telecom Union), cerca de metade da população global ainda não tem acesso à  internet; isso se deve principalmente devido ao padrão de fornecimento de conexão atual, baseado em cabeamentos ou rádios, o que muitas vezes é economicamente inviável para locais de difícil geografia ou baixa demanda. Mas como ficam as pessoas que não tem acesso a conexão? – Imagine-se morando em comunidades amazônicas ou em locais desérticos do planeta, sem a possibilidade de conexão para estudar, ler notícias, ver streaming, fazer compras ou até mesmo ser atendido remotamente por um médico praticando a telemedicina. Terrível né? – É justamente esse problema que a SpaceX planeja solucionar e sua aposta para levar conexão a estes locais é o projeto Starlink.

A constelação de starlinks será capaz de cobrir todo o planeta, incluindo áreas remotas. Fonte: Bussines Insider.

Este tipo de investimento não é novidade, em 1990 Bill Gates já teve ideias do tipo com a Teledesic, porém o custo de desenvolvimento e principalmente de lançamentos de constelações de satélites na década de 90 era tão alto que os planos foram por água abaixo e a empresa acabou falindo. Hoje em dia, com o barateamento dos custos por kg de carga enviado a órbita, este tipo de investimento parece se tornar realidade. É neste cenário que a SpaceX sai na frente justamente por ter uma boa capacidade operacional e um custo por lançamento muito reduzido.

A aposta da SpaceX: Sem dúvidas, o serviço de fornecimento de conexão de internet via satélite é um mercado inexplorado e se mostrará altamente lucrativo para quem o dominar primeiro. Musk aposta tão alto neste segmento que se espera que a Starlink em funcionamento pleno seja tão rentável que possa ser a principal custeadora da própria SpaceX, possibilitando que seus lucros possam patrocinar as missões tripuladas para Marte planejadas pela empresa para esta década.

Já existem cerca de 500 starlinks orbitando a Terra, e segundo o CEO da SpaceX, Elon Musk, 800 deles conectados já são capazes de fornecer uma cobertura moderada. Elon já havia publicado um tweet em sua conta no Twitter usando conexão dos starlinks: “Funciona!”.

A SpaceX deve lançar entre 12 mil e 42 mil unidades ainda esta década. A conexão fornecida deve ter latência de 20 ms e deverá servir para reprodução de vídeos em alta qualidade, jogar games e acessar conteúdo multiplataforma. Isto é o ideal para zonas remotas, porém, para áreas mais populosas esta largura de banda não é ideal, por esta razão a conexão via satélite não é uma substituta para as conexões via cabos ou fibra ótica nas grandes cidades. O foco do projeto realmente é atender zonas isoladas dos grandes centros urbanos.

Por que um investimento tão alto? Os fins justificam os meios! – Levar conexão de internet a mais pessoas não significa somente levar a possibilidade de fornecimento de informação, estudo ou atendimentos remotos, mas também que teremos mais pessoas consumindo plataformas de streaming, sites de e-commerce, jornais e todo o conteúdo disponibilizado na rede, o que pode significar um aumento significativo nos lucros com vendas de produtos e serviços de publicidade.

Previsões: O sistema já funciona na América do Norte, com uma conexão básica e não aberta. A SpaceX planeja um beta teste ainda em 2020 em toda América do Norte e em 2021 em outras áreas do planeta. Exitem outras empresas neste desafio, como a Amazon de Jeff Bezos com o projeto Kuiper, a inglesa Oneweb e até mesmo a Apple intencionando investimentos em aventuras como o Projeto Starlink.

 

Sobre o Autor
Mateus de Paula Vieira é Engenheiro Aeroespacial e Pesquisador, é Colunista no DefesaTV desde maio de 2020. Escreve principalmente sobre Tecnologia Aeroespacial e projetos acadêmicos de foguetes e aeronaves.
Laboratório de Jato Propulsão / Bravo Rocket Team – Univap. bravorocketteam.github.io/homepage

 

 





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