Desconstruindo a Economia do Narcotráfico

Movimentação de policiais durante a invasão da favela da Grota no Complexo do Alemão. 28/11/2010. Foto: Wilton Júnior/AE

Os “Cultivos Substitutos***” 

Por: Henrique Bellarmino.

1. Os chamados “cultivos substitutos”, são vetores adequados para que haja a eliminação dos recursos provenientes do narcotráfico e seus crimes conexos. Em diversos lugares no mundo, onde foi adotado, demonstrou ser um eficiente mecanismo para o desenvolvimento econômico e social. Criando novas realidades que nem sempre interessam ao status quo político regional vigente, por sua vez muitas são as interferências que inviabilizam o prosseguimento do seu sucesso. O fator interesse político, pode ser um grande entrave, para a velocidade das mudanças e os resultados delas advindos.


2. Existe uma miopia da classe política e dos demais entes integrantes e líderes dos poderes constituídos, para realisticamente visualizar essas mudanças e entender as suas ramificações em todos os setores da sociedade. Existe a necessidade premente de fazer, é um caminho inicialmente trabalhoso, mas sua manutenção torna-se simples. Os resultados são de importância ímpar. Felizmente, não é uma proposta inovadora, nem se pretende reinventar a roda, mas a aplicação de um remédio que já comprovou a sua eficácia. No Brasil o representante dessas mudanças foram: a Operação/Projeto Mandacaru e o Projeto Moxotó Pajeú. Foram executadas entre 1999 e 2002, sendo suspensos a partir do ano de 2003.


3. Há que se entender que o narcotráfico, mesmo sendo uma atividade ilícita, tem presença marcante nas economias regionais, e, apresenta significativos resultados no somatório da movimentação financeira de alguns países.

Hasteamento da Bandeira do Brasil no Morro do Alemão, marcando o sucesso da operação. Foto de Marcelo Piu. Acervo o Globo 2010.

4. No Estado do Rio de janeiro, com particular intensidade em sua capital a influência do narcotráfico e seus crimes conexos na economia e sociedade e sociedade é uma mistura explosiva, cria dependência nas “comunidades carentes” (favelas) e são os grandes responsáveis pelo encolhimento continuado da atividade econômica em terras fluminenses e cariocas. 

5. Contrariando sua vocação histórica e geográfica para ser uma grande estrela e grande portão de entrada para um Brasil cultural e turístico, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, nos últimos trinta anos vem, sendo motivo de opróbrio e um resumo das mazelas que impedem o Brasil de seguir a sua vocação para uma potência caracterizada pela paz, respeito a dignidade humana e integração.

6. O poder das Organizações Criminosas (ORCRIM) que possuem seu braço armado aquartelado em zonas liberadas principalmente nas “comunidades” cariocas, porém atualmente possuem a capilaridade em outros estados da Federação e até em países da America do Sul.

Policial vigia droga apreendida no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. 24/11/2010. Foto: Wilton Junior/AE

7. O Brasil na totalidade de seu território possui os atrativos que encantam a qualquer indivíduo que deles tomar conhecimento. É um potencial que é explorado infimamente explorado, em verdade é capaz de  causar impactos positivos na Economia em geral, de forma significativa.


8. O Rio de Janeiro, a nossa conhecida Cidade Maravilhosa, pode e deve ser a base para a que a Indústria do Turismo floresça no Brasil e seja o “cultivo substituto” que irá neutralizar o impacto da retirada dos recursos gerados pelo narcotráfico na economia do Estado do Rio de Janeiro.

9. A injeção de poderosos recursos advindos da Indústria do Turismo irão certamente financiar o retorno do Estado do rio de Janeiro e sua Capital como vanguardistas da prosperidade econômica nacional.

Policiais do CORE da Policia Civil do RJ disparam contra traficantes na Vila Cruzeiro, zona norte do Rio. 25/11/2010. Foto: Wilton Junior/AE

10. Na situação de penúria que se encontram as finanças estaduais, não há condições materiais de serem executadas as ações necessárias a retomada pelo Estado das “zonas liberadas”, sob domínio das ORCRIM e bandos armados que proliferam sem a adequada repressão e ações coordenadas das instituições de Estado.

11. Não existe vácuo de poder, se o Estado constituído não se faz presente, é omisso e/ou conivente, alguém ou algo  irá ocupá-lo.

12. Chegamos ao ponto onde o governo estadual não tem condições reais de promover as modificações estruturais, reformas e presença institucional necessárias. Sendo assim, faz-se necessário a presença do Governo Federal (que não pode mais se omitir), por tempo definido, para reunir e coordenar os esforços para promover todas as ações indispensáveis para retomada da soberania do estado e o atendimento das populações reféns da criminalidade e abandono estatal, mais do que os interesses políticos e/ou partidários ou ainda, de associações políticas locais. Temos a premência de resolver de uma vez por todas. O Brasil não pode mais esperar.

De acordo com a Marinha, seriam empregados na operação seis veículos blindados M-113, quatro carros-lagarta anfíbios e três viaturas Movag Piranha, para transporte de tropas. 25/11/2010. Foto: Fabio Motta/AE

13. Mais do que a solução tática, que já demonstrou em situações anteriores ser o menor dos problemas e, sim a articulação e coordenação da presença do Estado e suas instituições para ocupar os espaços e assumir as suas responsabilidades.

14. As coordenações nos três níveis da Administração Pública, Federal, Estadual e Municipal e a chegada das instituições de Estado deverá ser concomitante à estabilidade e verdadeira pacificação.

15. Algumas ações indispensáveis:

15.1. Combate a corrupção em todos os níveis (gavetas fechadas);

15.2. Coordenação dos preparativos para entrada e atuação das instituições de Estado;

15.3. Programa de Habitação ( Projeto Cingapura);

15.4. Operações de Interdição e Bloqueio, já foram definidas e aprovadas por unanimidade pelo Conselho Nacional Antidrogas e Coordenadas pela SENAD/GSIPR;

15.5. Reaparelhamento, adestramento e motivação das polícias estaduais, com particularidade as do Estado do Rio de Janeiro o mais afetado pelas organizações criminosas e bandos armados;

Ônibus é incendiado na Favela do Rio Comprido, no Rio. 25/11/2010. Foto: Silvia Izquierdo/AP

16. Na área tática, a redução dos efetivos, bloqueio e estrangulamento da cadeia logística e financeira das organizações criminosas e bandos armados.

17. As obras realizadas para atendimento dos grandes eventos que foram realizadas no Rio de Janeiro, deveriam ter sido um grande investimento para modernizar a cidade e lançar as condições para que a vocação turística seja amplamente explorada.


18. O Projeto Singapura ainda é uma solução viável para que sejam atendidas as necessidades de habitação digna dos moradores das “comunidades” carentes.

Dezenas de carros são queimados por traficantes, no RJ. 26/11/2010. Foto: Robson Fernandes/AE

19. Agir é uma necessidade, uma obrigação, é uma questão de recuperar a Soberania do Estado e o rompimento em definitivo do ciclo de corrupção e deterioração sempre crescente do tecido social, empobrecimento generalizado e comprometimento do futuro de todo um Estado Federado, bem como suas consequências imprevisíveis para o restante do País.


20. O impacto positivo do sucesso da Indústria do Turismo, sua diferenciada capacidade de gerar postos de trabalho e distribuição de renda, numa velocidade que a indústria comum e outros segmentos da economia  não possuem.

21. Segurança, presença do Estado, fiscalização, distribuição da riqueza, valorização das instituições de Estado, nos três níveis da Administração pública, desenvolvimento e paz social.

Veículos blindados da Marinha do Brasil foram utilizados pelo Bope. 25/11/2010. Foto: Tasso Marcelo/AE

22. O mais importante é a Vontade Política para dar solução ao Problema.

Helicóptero Huey UH1-H da Policia Civil do RJ da sobrevoa a Favela da Grota. 28/11/2010. Foto: Wilton Júnior/AE

*** Cabe observar que esse texto foi lavrado em agosto de 2016. O atual Governador do Estado do Rio de Janeiro Wilson Witzel e o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, com o verdadeiro e total apoio da população do Estado do Rio de Janeiro reverter A atual situação pode e deve ser modificada. 


Rio de Janeiro, 25 de Fevereiro de 2019.

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