Destróier Classe Udaloy, A Aniquiladora De Submarinos

No caminhar da década de 1970, a União Soviética observou o seu maior rival, os EUA, colocar em atividade naval os mais poderosos submarinos de ataque nuclear e de mísseis balísticos nucleares da época, as classes Los Angeles e Ohio, respectivamente. Ainda sob o governo mais duradouro do premier Alexei Kosygin, os soviéticos de almas grandiosas e conhecidos pela engenharia resistente e formidável passaram a projetar uma classe de destróier que atendesse aos requisitos de embarcação anti-submarina altamente especializada e não somente projetada para servir contra defesa ou anti-superfície, mas particularmente para aniquilar submarinos de alta performance em mares, como as classes de submarinos americanos supracitadas, e para corrigir as deficiências encontradas nas fragatas do projeto 1135, notadamente a falta de helicópteros e um sonar fraco.

A criação da robusta classe só foi possível a partir do conjunto de projetos desenvolvidos entre o governo soviético, a Marinha Soviética e a empresa estatal russa Severnoye Design Bureau. Deste articulado arcabouço naval, deu início na segunda metade da década de 1970 a construção da primeira embarcação, a Vitse-Admiral Kulakov, a líder do Projeto 1155 Fregat I denominada de Classe Udaloy I. O desenvolvimento das embarcações da classe percorreu duas décadas de estaleiros, entre 1980 e 1999, com a líder Kulakov comissionada em janeiro de 1982 sob numeração de casco 400.

Após o encerramento da União Soviética em 26 de dezembro de 1991, a Rússia assumiu notável parte dos armamentos e equipamentos bélicos administrados até então pelos soviéticos, tanto os nucleares quantos os convencionais, que implicam soberania frente aos americanos e a OTAN, porém mostrou ser um grande problema a longo prazo, isso se deve aos projetos soviéticos em andamento e outros paralisados aguardando financiamento. A Rússia carregando a Perestroika soviética manobrou sua economia ao mercado global, posicionou-se novamente na indústria de defesa e continuou os programas, finalizando o último destróier comissionado em 1999, o Admiral Chabanenko da classe Undaloy II do Projeto 1155.1 Fregat II.

Ao todo, doze embarcações Udaloy I e uma classe Udaloy II foram construídas nos estaleiros Severnaya Verf, em São Petersburgo, e Yantar, em Kaliningrado, e todas se basearam no navio anti-submarino da classe Krivak inicialmente projetada e construída na década de 1960. A Marinha Russa observou que alocar as embarcações em pontos vulneráveis e potenciais de ataque e permanência de submarinos inimigos seria uma importante tática de ataque e contra-ataque, assim todos os Udaloys foram comissionados nas Frotas do Norte e do Pacífico, que hoje são conhecidos como Comando Estratégico Conjunto da Frota Norte e Distrito Militar Russo de Khabarovsk, respectivamente.

Os navios Udaloy I têm um longo alcance de cruzeiro, recursos anti-submarino e de reabastecimento, e podem ser implantados como apoio a qualquer frota de superfície, porém a especialidade de missão anti-navio e anti-submarino fica para Classe Udaloy II. A casa de máquinas do destróier comporta uma grande planta com dois motores combinados a gás M62 mais potentes que movimentam uma única hélice, o suficiente para gerar 72.000 shp de potência e velocidade máxima de 54 Km/H, o que perfaz, em tempo considerável e em velocidade de 26 Km/H, 19.400 km de distância.

Por ser uma classe de embarcação de superfície, as chances de ser atacada são altas, exatamente as linhas de contramedidas estão presentes e operam na função de engodo de mísseis e outros armamentos através do sistema PK-10 que engana os mísseis teleguiados anti-navio ao distribuir “iscas” eletrônicas e optrônicas.

O designer e as dimensões da classe são incríveis, assemelham-se ao destróier americano da classe Spruance, por possuir 163 m de comprimento total, boca de 19,3 m e calado de 6,2m. Para navegar de forma segura entre os mares do Norte da Rússia e o grande e desbravado Pacífico de grandes potências, a classe Udaloy disponibiliza um conjunto de sensores e radares que buscam identificar e engajar alvos inimigos de superfície ou submersos, sejam navios, submarinos, torpedos ou dispositivos aéreos, graças ao sonar de proa MGK-355 Polinom acoplado no Udaloy I e integrado a outros sonares, esse complexo oferece rastreamento automático, determinação de coordenadas e parâmetros de movimentação de submarinos em condições hidrológicas normais de 40-50 km, e torpedos e minas de até 5 km de distância a uma profundidade de 300 m.

Radares e sensores do Vitse-Admiral Kulakov (DDG-659)

Já na classe Udaloy II, o sonar Polinom foi substituído pelo moderno sistema Zvezda M-2, o alcance de alvos é devidamente dobrado para 120 km. Se a detecção de ameaça de superfície e de submarinos está devidamente contemplada, as ameaças aéreas que se seguem também precisam ser localizadas, para isso os russos disponibilizaram os radares de varredura aérea MR-760MA conhecido como Top Plate 3D e um radar de busca aérea e superfície MR-320M Topaz-V.

Logo que as ameaças aérea, submarina ou de superfície são detectadas pelos sensores e radares, inicia-se uma série de preparo de ataque a fim de neutralizar o inimigo, e para isso a classe Udaloy conta com diversos sistemas de armamentos, como o canhão naval de 100 mm de cano duplo e quatro canhões Gatling de 30 mm, ou dois canhões 100 mm no convés. Mesmo diante da alta tecnologia conferida nos sensores e radares, a situação mais temível é a obscuridade que os submarinos impõem contra plataformas de superfície, mas para isso, a classe Udaloy conta com dois lançadores de foguetes anti-submarinos de 213 mm que pode chegar a mil metros de profundidade, como o RBU-6000 e o RPK8.

Caso os foguetes de 213 mm não sejam suficientes ou a missão exigir grandes profundidades ou função contramedida, o Udav-1 entra em cena ao envolver submarinos, dispositivos subaquáticos explosivos ou até operadores navais ao lançar tipos de foguetes de 300 mm numa probabilidade de acerto de 90% contra torpedos de chegada direta. O Udaloy Classe I está equipado com sistemas de tubos de torpedos de 553 mm contra submarinos em cada lado da embarcação, cada um com autonomia para quatro torpedos anti-submarinos SS-N-14, entretanto, já nas plataformas modernizadas da primeira classe e na Udaloy II, compartimentos foram postos nas laterais do convés para acoplar oito mísseis SS-N-22 sunburn e outros compatíveis como o próprio torpedo SS-N-14 ou 15.

Sistema Lançador de mísseis SS-N-14.

Os mísseis hipersônicos são uma importante arma de dissuasão, podem atingir forças de transporte de aeronaves, grandes navios de guerra e alvos terrestres prontamente com sua velocidade acima de Mach 9, praticamente impossível interceptá-los pelas tecnologias atuais. Apesar da Rússia ainda estar fundamentando a operacionalização total dos mísseis hipersônicos, segundo a mídia russa Izvestia via NavalNews, grande parte das embarcações da classe Udaloy serão armadas futuramente com os novos mísseis Tsirkon e Kalibr através de Lançadores Verticais que já se fazem presentes na proa através de quatro sistemas Kinzhal para mísseis terra-ar AS-N-9 a uma taxa de disparo de 24 por minuto, após a linha de modernização anunciada no ARMY 2016, estendendo a vida útil das embarcações.

Tal melhoria não se limitou apenas em lançadores verticais. Diversas fotos deste ano mostram a embarcação Shaposhnikov com a mais nova linha de defesa Pantsir-M contra aeronaves, mísseis de cruzeiro, bombas e drones em um raio de 20-30 km. Aparentemente o Udaloy se mostra limitado aos dispositivos externos e ao heliponto em sua popa, engana os olhos menos atentos. Há dois hangares lado a lado que utilizam elevadores que se inclinam e carreiam dois helicópteros Kamov Ka-27 ‘Helix’ até o convés de aeronave, e diferente das embarcações anteriores são mais largos e ergonômicos, duas grandes vantagens.

Pela sua excelência operacional, modernização, combate silencioso e resistência, no total, 8 destróieres anti-submarinos da classe Udaloy permanecem em serviço na frota do Norte e do Distrito de Khabarovsk, e resguardam os interesses da Rússia contra inimigos muito bem articulados em todos os espectros de mar, ar e terra na Sibéria e no Pacífico, ao engajar mísseis, torpedos e munições supressoras integradas aos sistemas de sensores e radares, aniquilando submarinos de todos os tipos.

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