Dia do Marinheiro: Mais do que uma data…um sentimento!!!

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Quando o convite para escrever, um texto em homenagem ao Dia do Marinheiro, me fora feito, sem saber fui colocado em uma situação no mínimo extremamente complicada. Lhes explico o motivo. Para fugir do obvio de escrever que a data é em homenagem ao nascimento do Almirante Tamandaré o patrono de nossa Força, tive de buscar mentalmente em narrativas que pudessem explicar não o que é a data mas o que ela significa dentro de nós que temos a alma “maruja”.

Como explicar ao leitor, o tanto de heroísmo de nossa recém nascida armada sob o comando de John Taylor, na Fragata  Nichteroy, lutando contra a enorme frota de Portugal,  onde o mesmo expulsou os portugueses de Salvador (…) esta mesma Fragata Nichteroy atacou a Corveta Calipso e seguiu até a boca do rio Tejo capturando e apresando navios da frota da coroa portuguesa o que é um dos maiores  feito navais de todas as eras e esquecido na historia. Ou será que eu  conto da historia do herói, João Botas, que  com  uma flotilha de saveiros na Bahia, enfrentou em táticas de ataque e fuga a mesma força portuguesa que era imensamente maior que flotilha deste esquecido herói.

Ah já sei!, devo contar da vida de Tamandaré e suas ações desde a guerra da Cisplatina, ser capturado e tomar o navio do captor, ações que incluíram até enfrentar um jacaré na água para salvar  uma criança, lutar contra revoltas em toda a costa brasileira, impedindo que nosso território se fragmentassem em diversas nações, lutar depois contra a agressão paraguaia, onde se coroa de heroísmo junto com Barroso ao definitivamente virar a maré da guerra na Batalha do Riachuelo. Como falar que este herói já tinha se consagrado em Humaitá e Paissandu e nas ações que levariam apoiando o exercito brasileiro até o fim daquele  sangrento  conflito.

Será que devo explicar, dos feitos de um marinheiro chamado, Marcilio Dias, ou do  Guarda-Marinha Greenhalgh, que nomeia minha turma da EFORM, morreram  heroicamente  em defesa  de nossa pátria e de seus navios. Dura tarefa, não  sei como explicar o dia do Marinheiro sem ser obvio, como ter o sentimento da tradição naval, de passar  na  frente do Primeiro Distrito Naval  e não se  conter  em saudar  nosso Pavilhão maior, de passear entre a Praça quinze e a Praça Mauá só para  rever o prédio que fui lotado e de relembrar as historias ali viividas.

Dos papos com o Almirante e Ministro Maxiliano, aonde um dia ele me perguntou sobre a ideia que ele teve de construir avisos de instrução, olho para o píer e fico a imaginar o Guanabara e o Almirante Saldanha lado a lado ali no píer com suas magníficas velas brancas. Como não lembrar que em minha infância meu pai me levou ali mesmo em um navio do extinto Loyde Brasileiro, um cargueiro já em fim de vida, visitando um amigo de meu falecido tio, e que estava prestes a passar para aposentadoria.

Como explicar para quem ler um artigo, do sentimento de um garoto que ao invés de carrinhos  pedia  barcos para brincar  na bacia  de  lavar  roupa, e que naquele momento o que sentia ao estar  dentro de um navio real, aonde o silencio  que ele fazia  transbordava  por  dentro em gritos  de alegrias  efusivas, sentimento este que mais tarde revivi ao embarcar no S11 Rio Grande do Sul. Temo ser ridicularizado em explicar que meu primeiro escritório era voltado  para  a boca da baia de Guanabara e ficava  com olhar  petrificado na  barra me deixando levar em espírito, junto com os  irmãos que  saiam para o mar, me levando  em pensamento e desejos de  boa derrota aos irmãos nautas.

Como narrar que este amigo de meu pai, o senhor Wilson, era sobrevivente  dos  navios que foram afundados na segunda guerra e que meu tio Edgar também da Marinha mercante teria dado a vida nestes mesmo episódios, eque meu pai  via aquele mesmo brilho nos  meus olhos de seu  falecido irmão e que nada do que ele  podia  fazer me afastaria do mar e da Marinha. Aonde eu poderia colocar nesta narrativa as conversas com a Dona Nena, minha vizinha da Tijuca, aonde  falava de seu irmão Manoelito que era tenente da marinha  e morrera no afundamento do Cruzador Bahia, afundamento este que mais tarde  vim conversar por  horas no Clube Naval com o almirante Mauro, sobrevivente deste afundamento.

Em um momento  que tanto falam em ditadura militar, e que tantos apontam tantos, como narrar que não há um só acusado de qualquer  ato contra brasileiros na Marinha, como explicar e contar que o Ministro Maximiliano evitou que  militares impedissem  a abertura democrática. Pensando nisto, acho que não deveria  falar de ações heróicas e sim  sociais, tais como o apoio as populações  no  norte do país, aonde medico e dentistas provem a cidadania de povos  isolados neste país continental. Nem deveria falar  de segurança de fronteiras fluviais,  que  sequer  ouvimos  falar  nos  mais distantes rincões desta nação e nos que estão em pesquisas na Antártida.

Tarefa impossível que me deram, tarefa hercúlea para quem não veste mais o branco ou o cinza de serviço por cima do corpo, mas ainda tem a farda por debaixo da pele e amor por  esta data dentro do coração. Assim sinto muito, mas vou dizer  ao editor  que não achei uma linha de narrativa para explicar esta data e que não consigo  fazer  um artigo  que explique ela em sua real importância sem me deixar levar pelo marinheiro em minha alma .

Um viva a Marinha!!! Viva, Viva…

João Gilberto

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