Dissuasão Nuclear, Capacidades Militares e Transformação da Defesa das Forças Armadas francesas

O Exército Brasileiro (EB) diagnosticou a necessidade de se transformar em um processo de transição da Era Industrial para a Era do Conhecimento para que as suas capacidades se tornem compatíveis com o anseio político estratégico do Brasil de se tornar uma potência mundial.

A atual conjuntura do EB, mais do que a modernização da Força Terrestre, demanda por transformação, capaz de ser operacional e estar em prontidão em qualquer área de interesse geoestratégico do Brasil. Este processo sistemático de Transformação do EB exige, portanto, um planejamento de longo prazo coerente com a conjuntura nacional que determine um conjunto de ações estratégicas baseado em capacidades militares.

Muitos países e organizações militares internacionais têm adotado o Planejamento Baseado em Capacidades (PBC) como parte de seu processo de Transformação da Defesa. Neste segundo ensaio, foi estudado como o tripé dissuasório nuclear do século XX influenciou na adoção de novas capacidades militares e no processo de transformação das Forças Armadas francesas no século XXI.

Sumário Executivo

Os primeiros artigos publicados na revista Análise Estratégica pelo Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx) na linha de pesquisa Planejamento Estratégico & Gestão da Defesa datam de 2016.

Diversos ensaios e artigos científicos foram publicados a partir deste ano resgatando o debate científico sobre Transformação da Defesa, oportunidades e seus desafios em ambientes interno e externo marcados por incertezas, mudanças político-sociais, reorientações estratégicas e, principalmente, fluxos contingenciados de orçamento.

Desde o início do século XXI, em virtude da acensão de novos atores, o ambiente de incerteza, da necessidade de se aprimorar a capacidade de atuação conjunta das Forças Armadas e/ou o fluxo irregular de recursos, diversos países e organizações militares internacionais adotaram o Planejamento Baseado em Capacidades (PBC).

Estados Unidos, Organização dos Países do Atlântico Norte (OTAN) e diversos países europeus já adotaram o PBC ainda na primeira década do século XXI. Na América do Sul, por exemplo, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Equador estão em pleno processo de implementação do PBC.

Estes países citados apresentam características comuns, como serem países em desenvolvimento e terem seus orçamentos destinados as Forças Armadas reduzidos e/ou contingenciados. O último ensaio publicado por esta autora na revista Análise Estratégica analisou e debateu o processo de transformação da defesa e a implantação do PBC no Chile.

Especificamente no caso chileno, diagnosticou-se que a modernização é compreendida como parte do processo de transformação da defesa e a adoção do PBC tem contribuído na readaptação e no aumento das capacidades de polivalência, flexibilidade e interoperabilidade das Forças Armadas para atuar em distintos cenários prospectivos.

Se pautando sob o inovador conceito de segurança ampliada, as Forças Armadas chilenas têm desenvolvido capacidades e programas de modernização para atuar em diversos cenários nas áreas de interesse geoestratégico do Chile, como a América Latina, a América do Sul, a Ásia-Pacífico e a Antártica.

No entanto, nem todos os países que adotaram o PBC com as mesmas finalidades e/ou as mesmas percepções. É o caso da França que utiliza o PBC como instrumento metodológico para implantação do seu planejamento estratégico com foco em ameaças objetivando garantir a superioridade e liderança tecnológica, a independência e autonomia da sua base industrial de defesa e soberania do território francês dentro e fora do continente europeu.

Nesse sentido, este texto se configura como o segundo ensaio científico do ano de 2019 que tem por objetivo estudar como o tripé dissuasório nuclear do século XX influenciou na adoção de novas capacidades militares, na criação de uma estrutura prospectiva e no processo de transformação das Forças Armadas francesas no século XXI.

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Por: Profa. Dra. Fernanda das Graças Corrêa: Pós-doutora em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME). Doutora em Ciência Política na área de concentração Estudos Estratégicos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Diplomada no Curso de Altos Estudos em Política e Estratégia e no Curso Superior de Defesa pela Escola Superior de Guerra (ESG). Mestre em História Comparada com ênfase em Relações Internacionais, Segurança e Defesa Nacional/ Pro-Defesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em História Militar Brasileira pelo Convênio Instituto de Geografia e História Militar do Brasil/ Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (IGHMB/ UNIRIO). Graduada em História pela Universidade Gama Filho (UGF). Atualmente, é Assessora na Assessoria de Planejamento Estratégico da estatal Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (AMAZUL). Exerce atualmente a função de pesquisadora do Núcleo de Estudos Prospectivos (NEP) do Centro de Estudos Estratégicos do Exército (CEEEx) na área Planejamento Estratégico e Gestão de Defesa.