Documentos descrevem ajuda do “amigo invisível” Soviético ao governo Argentino durante conflito nas Malvinas

Os conflitos bélicos, geralmente, levam a outros eventos francamente inexplicáveis. O conflito ocorrido entre à Argentina e o Reino Unido, em 1982, pela posse das Ilhas Malvinas/Falkland não se tornou exceção.

No entanto, a confusão prevalecente também se refletiu de fato como aqueles que teve como protagonista à Armada Argentina, que chegou a alvejar navios de pesca soviéticos, em final dos anos 70 e início dos 80. Documentos (des)classificados que agora surgem, fornecem evidências da estranha colaboração entre a extinta União Soviética (URSS) e o governo Argentino.

O primeiro contato de integrantes do governo Argentino com diplomatas russos para se debater alguma ajuda sobre as Malvinas, ocorreu coincidentemente no mesmo dia 2 de abril (dia da invasão ao arquipélago), onde o embaixador Sergei Striganov foi convocado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina Nicanor Costa Méndez.

No mesmo dia houve também uma reunião em Moscou entre o embaixador argentino e altas autoridades do governo soviético à época e, pouco depois, começaram a chegar várias ofertas soviéticas, ambas de armamentos.

O posicionamento contrário dos Estados Unidos (EUA), à abordagem argentina a União Soviética era pela instabilidade e a segurança Hemisférica (argumento usado pelo governo dos EUA). Pois em 14 de abril o presidente dos EUA, Ronald Reagan, já havia expressado: “Gostaria que eles (os soviéticos) parassem de se intrometer no conflito das Malvinas”.

Em maio, o chefe da Força Aérea Argentina (FAA), brigadeiro Basilio Lami Dozo, disse a um interlocutor Americano que “os soviéticos ofereceram equipamento militar e assistência a ‘preços moderados’, mas o dinheiro é apenas parte da oferta e a Argentina nunca pagará esse valor. “

O “preço” tinha a ver com a demanda soviética pela transferência de armas, que foram feitas ao presidente Leopoldo Fortunato Galtieri no início de maio pelo embaixador Striganov. Estes foram os pontos mais importantes da demanda russa:

  1. Retirada imediata dos conselheiros argentinos da América Central;
  2. Abstenção ao veto contra a União Soviética nas Nações Unidas, quando fossem votadas questões como a ocupação do Afeganistão;
  3. Soviéticos seriam autorizados a realizar pesca na região do Ushuaia; e
  4. A Argentina deixaria de apoiar a junta militar de direita do general Torello na Bolívia.

O problema para a Argentina era que não havia meios efetivos para permanecer em alto mar, com a frota britânica rondando, o que era vital ao país sul-americano. Assim, dois Brigadeiros da FAA foram a Washington, nos dias 12 e 13 de abril, para pedir ajuda aos americanos na busca por informações privilegiadas.

O argumento usado fora, que eles sabiam que estavam ajudando os britânicos e, embora fossem neutros, eles alegaram que tinham que compensar de alguma forma à Argentina. Eles também disseram que se não aceitassem – o que era claramente evidente – recorriam à oferta soviética.

 

E foi o que acabou acontecendo. No Centro de Controle, em Moscou, chega um telex, via embaixada soviética em Buenos Aires, para que fosse entregues envelopes de forma secreta a oficiais da FAA. Nenhuma imagem fora entregue, mas havia dados de objetivos de interesse militar em figuras codificadas.

A informação recebida foi enviada a vários meios furtivos estacionados no Atlântico Sul. A URSS fez durante o ano de 1982, 101 lançamentos de satélites ao espaço, sendo que alguns destinados à acompanhar quase que ‘in loco’ o conflito no Atlântico Sul.

Em 02 de abril, foi posto em órbita o satélite Kosmos-1347 e no dia 15 do Kosmos-1350, ambos da série Yantar de satélites de reconhecimento. Esta movimentação intensa soviética fez com que a Casa Branca se manifestasse, em considerar que o “grau da área de cobertura fotográfica para os soviéticos era incomum “.

Mas com uma grande demanda de uso naquele momento, a maioria dos satélites da URSS de reconhecimento espacial por imagens, tiveram de fazer uso de câmeras com filme, que eram lançados assim que o satélite passava por cima do continente soviético.

O atraso no processamento das imagens e dados, então, os tornava não especialmente aptos a seguir os movimentos dinâmicos de um teatro de operações, além do mais não eram ajudados pelo clima sempre nublado sobre a região do conflito.

No entanto, a melhor informação fornecida fora feito pelo sistema conhecido como mkrts (Leyenda), que estava em funcionamento desde 1975. Este grupo de satélites incluiu dois subsistemas de informação que passava para um centro de controle em Moscou.

O sistema funcionou bem. Tanto que em 8 de Junho de 1982, um alto funcionário do Ministério da Defesa Britânico, fora interrogado no Parlamento britânico, onde o mesmo disse que “não havia nenhuma evidência de que a URSS estaria passando informações derivadas de satélites à Argentina “.

O “amigo invisível” era um dos segredos mais bem guardados do conflito. E isso, ainda hoje, é apenas comentado entre sussurros nos bastidores de ambos os países.

  • Com informações do site Diário26 (AR)
  • Tradução e Adaptação: Anderson Gabino (DefesaTV)

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