Donald Trump Acusado De SABOTAR O Tratado New Start

Donald Trump e o Teste Trinity. Por Felipe Moretti

O Tratado entre os Estados Unidos da América e a Federação Russa sobre Medidas para a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas, também conhecido como Novo Tratado START, entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011, uma bela melhoria em quase todas as circunstâncias de armas estratégicas de destruição em massa com base no Tratado START I de 1991 assinado pelos presidentes George Herbert Walker Bush e Mikhail Gorbachev.

Acordo New Start I de 2010. Google Imagem

Segundo o próprio Departamento de Defesa Americano, os Estados Unidos e a Rússia tinham o dever de cumprir os limites centrais do Tratado sobre armas estratégicas até 5 de fevereiro de 2018, ou seja, sete anos a contar da data de entrada em vigor do Tratado.

Cada Parte tem a flexibilidade de determinar por si mesma a estrutura de suas forças estratégicas dentro dos limites agregados do Tratado, pelos yankees, tais limites são baseados na análise rigorosa conduzida pelos planejadores do Departamento de Defesa Americano em apoio à Revisão da Postura Nuclear de 2010.

Forças nuclear americana. Google Imagem

Do Tratado New Start, os limites estipulados e concordados pelas partes são:

700 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), mísseis balísticos lançados por submarinos (SLBMs) e bombardeiros pesados equipados para armamentos nucleares; 1.550 ogivas nucleares implantadas em ICBMs, em mísseis balísticos de submarinos e em bombardeiros pesados equipados para armamentos nucleares (cada um desses bombardeiros pesados é contado como uma ogiva para esse limite); e 800 lançadores ICBM implantados e não implantados, lançadores de mísseis balísticos de submarinos e bombardeiros pesados equipados para armamentos nucleares.

Ogivas nucleares americanas sendo inspecionadas e conferidas para pronto emprego. U.S. Air Force

As medidas de verificação por parte de instituições verificadoras incluem inspeções e exposições no local, intercâmbio de dados e notificações relacionadas com armas e instalações estratégicas ofensivas abrangidas pelo Tratado e disposições para facilitar a utilização de meios técnicos nacionais para a monitorização do tratado.

Para aumentar a confiança e a transparência, o Tratado também prevê um intercâmbio anual de telemetria, um sistema de medição remota e a integração entre sistemas, em um número acordado de lançamentos ICBM e SLBM.

Até o momento, mais de 18 inspeções em solos americano e russo foram realizados, e até o fim do tratado em 5 de fevereiro de 2021 deverá ocorrer 16 inspeções finais, para assim disponibilizar meios o suficiente de provas às partes que ficarão frente a frente na Cúpula para um Novo acordo.

Arsenal nuclear soviético e russo. BBC News

Analistas especializados em tratados de armas estratégicas preveem que se o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New Start) de 2010 caducar e não houver nenhum outro acordo para substituí-lo, não haverá limites legalmente vinculativos para os arsenais nucleares dos EUA e da Rússia pela primeira vez desde 1972.

Para a Arms Control Association há uma pequena saída. O atual tratado em vigor permite uma pequena extensão na metade do tempo que o acordo foi firmado, ou seja, estender para cinco anos, desde que os presidentes das duas grandes potências concordarem com a resolução, um jogo mútuo e recíproco já previsto em 2010 em casos como estes que uma parte esteja resistente ou que determinado contexto mundial de crise esteja implantado no mundo.

Presidente Putin e Presidente Donald Trump durante a Cúpula do G20 em Osaka, 28 de junho de 2019. Mikhail KLIMENTYEV/AFP

O presidente Vladimir Putin ofereceu estender o New START por cinco anos sem quaisquer pré-condições, mas o governo Trump busca melhorar o corpo do tratado para uma nova estrutura que limita todos os tipos de ogivas nucleares e englobe também a República Popular da China, a mais emergente e perigosa força bélica do momento.

Além disso, os EUA querem mudanças significativas no atual modelo de verificação das instalações e atuais mísseis e ogivas nucleares das partes, o que fora rejeitado consideravelmente pela Rússia.

supervisão técnica russa do míssil de cruzeiro Burevestnik. East2west News

Essa pressão americana corre em paralelo aos atuais relatórios levantados pelo Pentágono que acusam a Rússia de violar o Tratado INF de 1987 após desenvolver vultosos mísseis de cruzeiro, o INF limita o desenvolvimento de mísseis balísticos ou de cruzeiro de alcance intermediário capazes de voar entre 500 km e 5.500 km, um dos motivos de Trump se retirar do Tratado, assustando a Rússia.

Planta de Yuzhmash em Dnipropetrovsk com dezenas de mísseis e foguetes russos. Mykhailo Markiv

A Arms Control considera que Donald Trump esteja num grande esforço para sabotar o New START, e o risco de uma corrida armamentista de grandes dimensões possa ser iniciada diante de fracassados debates na Cúpula de 2021.

As possibilidades são poucas e curtas, a renovação do New Start em 2021 ocorrerá se Trump pegar leve nos ajustes ou se Joe Biden for eleito em Novembro, caso contrário as resoluções do tratado serão extintas.

Durante um encontro com os chefes de grupos de mídia do Fórum Econômico de São Petersburgo, Putin declarou firmemente que “se ninguém quiser prolongar o acordo New START, então nós não o faremos […] já dissemos 100 vezes que estamos prontos para isso”, uma clara antecipação e projeção da impossibilidade de renovar o acordo e o arsenal pronto e vultoso com a indústria bélica comprometida com as demandas futuras.

Tubos de lançamento de mísseis de um submarino balísticos são desossados. US Defense Threat Reduction Agency

O Pentágono sabe que não há possibilidade de confiar em nenhuma nação, menos ainda nos russos. O termo “Confie, mas Verifique” do presidente Reagan nunca foi tão levado a sério nos últimos quatro anos com Trump no poder, e é muito provável que o acordo New Start não seja renovado sem ajustes importantes na inspeção, que hoje há possibilidades para que ambos os lados lancem um míssil com número de ogivas a mais que o declarado, e na inclusão de nações perigosas e emergente que organizações internacionais não ousam debater pelo politicamente correto e sustentabilidade financeira.

Trump busca o interesse da nação e a proteção contra redutos ilegais de desenvolvimento de armas, a Rússia por sua vez não quer inspeções melhoradas, está satisfeita com o atual acordo fragilizado, para assim continuar desenvolvendo suas armas nos subsolos moscovitas.

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