Ecos da Guerra: Piloto naval argentino relembra últimas horas nas Malvinas

Juan Membrana, um dos pilotos da L’Aviación Naval que participou de uma das últimas missões, em 14 de junho de 1982, quando a Argentina abandonou a tentativa de retomar através das armas o controle das ilhas Malvinas às forças britânicas, fala sobre este últimos momentos vividos na guerra.

O então tenente, Juan José Membrana, tinha 29 anos à época e sete anos de experiência como piloto do Grumman S-2 Tracker, uma aeronave concebida na década de 50 para guerra anti-submarina.

Os submarinos ingleses haviam afundado o ARA General Belgrano, motivo de mais da metade das perdas argentinas no conflito e que muitos consideram com um crime de guerra.

Durante os 74 dias do enfrentamento militar, como parte da Esquadrilha Aeronaval Antissubmarino (EA2S), Juan realizou 11 missões de combate, incluindo o último voo na guerra, que era uma busca por dois pilotos da Força Aérea que em 13 de junho à noite fizeram a última missão de bombardeio.

“O capitão Pastrán se ejetou quando seu avião foi abatido e acabou prisioneiro dos britânicos e o capitão Casado não conseguiu porque seu assento foi danificado por estilhaços. Nós não sabíamos disso. Na manhã do dia 14, voando na zona do abate, soubemos que Stanley tinha caído”, disse o piloto.

A esquadrilha começou a realizar operações com porta-aviões em 23 de março de 1982, alguns dias antes do início do conflito, desencadeado em 2 de abril. Juan explica que o desembarque para assumir o controle das ilhas os pegou de surpresa, depois que a embarcação partiu com suas escoltas e forças terrestres, sem saber qual era a missão específica.

Juan Membrana, fala de suas memórias

“Quando uma nação entra em combate, o faz com sua juventude, com as pessoas mais jovens que estão preparadas e treinadas para realizar uma ação de defesa de seu território. Nós fomos recuperar as Malvinas, com a menor quantidade de danos para a população. Não houve ninguém nas ilhas a ficar ferido, além do choque emocional”, revela ele.

“Um homem quando está prestes a entrar em combate nunca tem a certeza se vai voltar, se será seu último voo, mas isso ocorre no momento anterior, horas antes. Quando você se senta no avião e vai para cumprir uma missão, se cria como uma visão tubular e se concentra em fazer o que se sabe fazer, não há lugar para outra coisa”, lembra o piloto.

A guerra das Malvinas custou a vida de 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis. A Argentina e o Reino Unido retomaram relações diplomáticas apenas em 1990. O arquipélago está incluído na lista de territórios não autônomos do Comitê de Descolonização das Nações Unidas.pilotos

Ainda hoje, na Argentina, o tratamento aos ex-combatentes e sua readaptação é um tema sensível no imaginário coletivo.

Embora não haja dados, o número de soldados que cometeram suicídio devido às consequências do conflito foi estimado no início de 2019 entre 350 e 500, segundo associações de ex-combatentes das Malvinas.

Após o retorno dos soldados ao continente, Buenos Aires continuou sua demanda em fóruns multilaterais, como o Comitê de Descolonização e a Assembleia Geral da ONU.

Da mesma forma, a Constituição de 1994 consagra, numa disposição transitória, a sua reivindicação irrenunciável do território do Atlântico Sul.

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