Em campo com os caçadores do Corpo de Fuzileiros Navais

Na atualidade da guerra moderna em todos os seus espectros, desde as montanhas do Afeganistão, passando pelas savanas africanas e chegando à selva urbana do Rio de Janeiro, a simples presença de um atirador de elite, atirador de precisão ou sniper, já é suficiente para que a tropa saiba que o combate vai ser duro e o inimigo já tem a batalha por perdida…

Eles chegam como uma sombra…

Independente da glamourização do cinema, quem estuda profundamente o tema, sabe que a atividade de um atirador de precisão é algo complexo, com exigências muito acima da média para outros tipos de operadores em todos os sentidos, e, em todos os processos de seleção e cursos específicos, somente os realmente mais capazes conseguem o êxito de se formar “Atirador de Precisão”, Caçador ou Sniper (o nome varia conforme a Força).

Para ser um “Operador/Atirador de precisão” nos Comandos Anfibios é exigido muito mais do que apenas saber se camuflar e ter boa pontaria, coisas que o cinema não mostra e atividades que o leigo nem imagina que existam…

Durante minha experiência na Operação Formosa, realizada pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, tive a grata oportunidade de acompanhar um dos muitos tipos de treinamento super realista de um grupamento de atiradores de elite,  integrantes de uma equipe de operações que simulava uma emboscada à um comboio terrorista, tudo ao melhor estilo anti-Talebãn que as vezes vemos no cinema, com a diferença que eu senti na pele uma pequena amostra de todos os duros percalços que tal missão oferece aos que se voluntariam para tal.

A preparação da missão começa muito antes

Somente com o empenho da preparação prévia com estudos diversos que vão desde a análise topográfica do terreno, a checagem de todos os equipamentos, checagem da saúde e capacidade física dos operadores envolvidos, entre outros detalhes restritos.

E tudo orbita ao redor do planejamento da emboscada; a espera, tocaia ou cilada, que é o ato de esperar às escondidas pelo inimigo para atacá-lo de surpresa. È uma técnica que vem da guerra de guerrilha, onde os atacantes escondem-se em lugares por onde irá passar a tropa inimiga ou grupo dessa,  para se prepararem e   atacarem de surpresa esse inimigo que passa pelo local escolhido. E tudo isso mesmo estando em desvantagem numérica, mas aproveitando a configuração do terreno e as muitas habilidades táticas características da doutrina operacional dos COMANF’s.

Todos os detalhes de equipamentos são checados e re-checados minuciosamente, cada detalhe importa muito!

Pelo que pude observar superficialmente, para cada hora de ação em campo, ocorreram pelo menos 48h ou mais de estudos e planejamentos diversos para a ação.

A marcha até o alvo

A missão começa às 04:00ham, com um deslocamento diferenciado para nosso pequeno grupo de observadores que acompanhou a missão, pois o grupamento de COMANF’s que estava empenhado na missão partiria embarcado em um helicóptero EC-725 “Super Cougar” do Esquadrão HU-2 “Pégasus” da Marinha do Brasil para o reconhecimento aéreo prévio do local, e, nosso grupo partiria ao local da infiltração inicial de caminhão, para observar e registrar o desembarque inicial a partir da chegada da aeronave no ponto de infiltração.

O local da infiltração é abrigado por vegetação mais alta e densa para fornecer proteção aos Comandos Anfìbios. O que também ajuda a não levantar a poeira ambiênte e prejudicar a visibilidade dos operadores e do piloto do helicòptero. Depois de desembarcados, ainda marchariam aproximadamente 10km até o local da emboscada.

 

Depois de registrar o desembarque por via aérea no ponto de infiltração, acompanhamos a marcha, com navegação por bússola, GPS e outros métodos que não pude observar (restritos aos operadores COMANF’s). Em meus cálculos, acredito que percorremos aproximadamente 10km pela região de vegetação mais alta e espessa até o ponto onde aconteceria a ação da emboscada, em uma marcha que não foi nada fácil devido à vegetação espinhosa do cerrado goiano, e principalmente ao calor estava beirando os 45°C ou mais!

Agora com o grupo desembarcado, a pròxima etapa seria achar o local da emboscada usando um mixto de navegação ora com bùssola, ora com GPS e outros métodos de uso restrito. Além de tudo, manter a discrição para evitar ser detectado por eventuais patrulhas inimigas. E tudo isso em um calor de mais de 45°C.

Sabiamente aproveitamos as paradas de reorientação para descansar e recompor a alimentação de maneira mais leve possível para não comprometer o desempenho físico na marcha. Entre minhas câmeras, equipamentos de sobrevivência e água/alimentos eu tinha aproximadamente 10kg de carga, mas os operadores COMANFS carregavam 30KG ou mais, pois no caso do operador que portava o fuzil  Hécate II  calibre 12,7 mm (.50 BMG) o peso unitário do mesmo é de 16kg  fora a munição e acessórios!

O momento mais “perigoso” da marcha é nos trechos que a vegetação não pode te dar o devido abrigo…

A emboscada

Ao chegar ao ponto aproximado da emboscada todos diminuíram o passo até que fosse obtido contato visual com o local aonde ocorreria a emboscada e também o contato visual com os respectivos alvos. Como existiam outros dois grupamentos com armas diferentes, ocorreu a coordenação do reposicionamento dos operadores em seus respectivos grupos, tudo em uma geometria devidamente estudada nos dias anteriores e readaptada conforme alguns pequenos detalhes surpresa do terreno.

E os primeiros impactos acontecem! Jamais o inimigo saberà de onde veio o que lhe atingiu…

E quando o momento “ZERO” chegou, todos dispararam suas armas em uma sincronia perfeita para causar o máximo de destruição e confusão ao inimigo… E então, o “grand finale“, com o comboio de terroristas sendo completamente “neutralizado” pela ação dos Commandos Anfíbios…

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