Enfermeira que atuou na Segunda Guerra é homenageada pela UniRio

“Lembrar para não repetir” é a máxima que fez com que a produção intelectual e artística sobre o Holocausto tenha sido tão numerosa após o fim da Segunda Guerra Mundial. E foi neste dia 27 de janeiro, mas há 75 anos, que o Exército Vermelho da União Soviética libertou mais de 7 mil sobreviventes somente do Campo de Concentração de Auschwitz, na Alemanha.

A data ficou marcada para a memória do massacre nazista contra judeus, mas também contra homossexuais, ciganos, pessoas com deficiência, opositores políticos, entre outros. Milhões foram mortos.

Neste ano, completam 76 anos que as tropas brasileiras retornaram da Guerra contra o regime de Adolf Hitler e, entre eles, pelos menos, 73 eram mulheres, que trabalham como enfermeiras. Virgínia Maria de Niemeyer Portocarrero foi parte da primeira turma, embarcando para a Itália em 1944, e uma das últimas a retornar, no ano seguinte.

Ela vai ser homenageada com o título de Doutora Honoris Causa pela UniRio. A capitã tem 103 anos e vive com a família em Iguabinha, no município de Araruama, na Região dos Lagos. A qualificação vai ser entregue em março.

A trajetória de Virgínia e dessas mulheres foi tema de pesquisa da também enfermeira Margarida Bernardes. A pesquisadora conta que ela ficava na porta de entrada da emergência daqueles feridos.

“Acho uma característica interessante. As enfermeiras norte americanas não pulsionavam as veias dos doentes. As nossas enfermeiras faziam esse serviço com muita tranquilidade e isso foi muito valorizado pela tropa aliada”, afirma a pesquisadora.

Ela revela que os arquivos e registros da veterana capitã estão sob os cuidados da Fundação Oswaldo Cruz. Mas há três anos, Margarida apresentou parte desse material em um mini-documentário.

Virgínia revela experiências inéditas que levantam o debate sobre o papel da mulher na sociedade: “quando o Brasil começou o movimento, eu, terminando o curso, achei que tinha a obrigação de me apresentar. Juntei todos os documentos e fui. Não conversei com ninguém porque, se conversasse, não podia. Me apresentei na Diretoria de Saúde do Exército, uns me elogiando e outros achando que eu não devia”.

Em maio deste ano, a Prefeitura do Rio deve inaugurar um memorial em homenagem às vítimas do holocausto nazista. O Mirante do Pasmado está sendo construído em Botafogo, na Zona Sul. O espaço vai ter quase 2 mil metros quadrados, com recursos multimídia e interativos, além de um espaço para exposições permanentes que vão lembrar holocausto.

No ano passado, a construção foi alvo de um impasse. A Associação de Moradores de Botafogo alegava que o museu poderia afetar a área ambiental do Mirante do Pasmado, considerado patrimônio cultural da humanidade.

Fonte: Band News FM