Entrevista com subchefe de Inteligência do Ministério da Defesa

Contra-Almirante do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil Paulo Sergio Castello Branco Tinoco Guimarães, subchefe de Inteligência do Ministério da Defesa. (Foto: Marcos Ommati / Diálogo)

O subchefe de Inteligência do Ministério da Defesa (MD), contra-almirante (FN) Paulo Sergio Castello Branco Tinoco Guimarães, visitou o Comando Sul dos Estados Unidos (USSOUTHCOM) na primeira semana de dezembro de 2019, com o objetivo de definir os procedimentos de colaboração e troca de experiências no setor de Inteligência de Defesa entre os dois países.

O contra-almirante Tinoco também visitou o Comando de Operações Especiais dos EUA, onde aproveitou para divulgar a criação, em setembro de 2019, do Comando Naval de Operações Especiais da Marinha do Brasil (MB). Diálogo conversou com o CA Tinoco sobre temas como a troca de informações entre o Brasil e os Estados Unidos.

Diálogo: Como o Brasil faz intercâmbio de informação com os Estados Unidos e outros países do hemisfério sul?

Contra-almirante Tinoco: O intercâmbio de inteligência ocorre entre os países por intermédio de reuniões bilaterais anuais presenciais em ambos os países, e também através de videoconferências, para troca de experiências e desenvolvimento de trabalhos conjuntos, além do compartilhamento de informações através de canais digitais seguros.

Com o estrito apoio das embaixadas envolvidas, a aproximação dos países amigos no âmbito da inteligência tem se desenvolvido gradativamente e na velocidade que os atuais dias requerem, possibilitando, assim, o aprimoramento operacional no envio das informações e o aumento da confiança mútua das inteligências de defesa.

Diálogo: Como este tipo de informação é utilizada?

Contra-almirante Tinoco: A informação é analisada e devidamente classificada. A informação, após ser complementada junto a outros bancos de dados, seja do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) ou do Sistema de Inteligência de Defesa (SINDE), é transformada em conhecimento por um analista e difundida dentro dos sistemas, como forma de assessoramento à cadeia de comando do Ministério da Defesa e de cada força, visando a auxiliar nos respectivos processos decisórios.

Diálogo: Em que o processo de compartilhamento de informação entre países pode ser melhorado?

Contra-almirante Tinoco: O desenvolvimento de um sistema informatizado e direto na troca de informações envolvendo as inteligências de defesa dos países amigos iria modernizar o processo, dando dinamismo ao fluxo de informações.

Passos iniciais foram dados e estão sendo sempre debatidos nas conferências de inteligências que são realizadas todo ano.

Diálogo: Este tipo de informação é utilizado para auxiliar no combate ao crime organizado transnacional, especialmente no combate ao narcotráfico?

Contra-almirante Tinoco: Sim. Além de apoiar as operações de combate aos crimes transnacionais, estas informações têm sido fundamentais para uma melhor compreensão das estruturas das organizações criminosas que atuam em território nacional e nas fronteiras.

Dentro do SISBIN o fluxo de informações flui de maneira eficaz e pode ajudar os órgãos responsáveis por tal combate, particularmente os federais e estaduais.

Diálogo: E com relação à possível presença de células terroristas na região da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai?

Contra-almirante Tinoco: A Polícia Federal brasileira acompanha esse tema com atenção, e não temos registros de que isso esteja ocorrendo em território nacional.

Diálogo: Em que sua experiência como adido militar do Brasil no Paraguai contribuiu (contribui) na realização de suas funções atuais?

Contra-almirante Tinoco: A constante interação das comitivas dos países amigos com órgãos governamentais locais e instituições civis, tarefa rotineira da realidade de adido militar no exterior, possibilitou que eu pudesse aprimorar a minha compreensão da estrutura organizacional brasileira no exterior, em nível estratégico, e das ferramentas que a diplomacia, mesmo no âmbito militar, dispõe para proteger os interesses do governo brasileiro e das suas Forças Armadas.

Diálogo: Qual é seu maior desafio na função que desempenha atualmente?

Contra-almirante Tinoco: Integrar adequadamente todos os atores civis e militares que cooperam para o desenvolvimento do SINDE e prover uma eficiência cada vez maior na produção e divulgação do conhecimento conjunto no âmbito do Ministério da Defesa.

  • Por: Marcos Omatti, Diálogo Américas.


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