Entrevista Exclusiva com o presidente da Taurus do Brasil durante a LAAD Defense & Security 2019

Depois de ter sua marca ligada a vários incidentes, onde a credibilidade da empresa fora posta em xeque. A Taurus do Brasil, ressurge como uma nova empresa. Adquirida em 2014 pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), ganhou um folego extra com a chegada de uma nova diretoria em 2018, que estava empenhada em fazer com que as ocorrências do passado sejam apenas parte dos seus 80 anos de história.

Durante a 12ª edição da LAAD Defense & Security, tivemos a grata satisfação de entrevistar o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, onde o mesmo além de falar sobre as expectativas da empresa para 2019 e no trato da mesma com o novo governo, revelou coisas boas que estão por vir.

A empresa espera que haja um crescimento gradual da produção e venda de armas no Brasil após o decreto assinado em janeiro pelo presidente da República. “A mudança de governo deixou o segmento ‘arma’ em evidência no Brasil…e com a edição do decreto acreditamos que no nosso segmento as coisas vão melhorar muito”, afirmou ele.

O aumento da produção nos Estados Unidos (EUA), vai vir com a mudança da fábrica do Estado da Flórida para a Georgia. A nova unidade terá investimentos de U$S 42 milhões entre incentivos fiscais e aportes e vai dobrar a capacidade de produção da empresa nos EUA dos atuais 400 mil armamentos por ano para 800 mil. Acompanhe conosco a entrevista abaixo:

Presidente quais a perspectivas da Taurus para o ano de 2019?

O ano de 2019 no traz muitas esperanças de haver um saldo positivo, pois o que aconteceu já virou passado. Existem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, e vou falar de algumas.

Primeiro, o que nos dá muito gosto e à futura inauguração da fábrica na Gerorgia (EUA), que irá dobrar nossa capacidade de produção nos EUA, e assim podermos melhor atender as demandas deste país e do Canadá.

Segundo, a empresa está estudando uma ‘joint venture’, com o governo da Índia. Eles possuem um programa chamado de “Made in Índia”, onde a ideia do governo é fortalecer sua indústria de defesa.

Mas, apesar do ‘convite’ existe ainda uma expectativa sobre, pois apesar da vontade de ambas as partes, não significa que iremos fazer. Somos uma empresa de capital aberto, o que nos implica certas decisões, mas estamos estudando ainda.

Temos uma grade expectativa que o segmento no Brasil, há de crescer muito graças as promessas de campanha do atual presidente, que em janeiro assinou o decreto para o porte de arma no uso de legítima defesa.

Fale-nos um pouco sobre a concorrência que à empresa ganhou recentemente junto ao governo Filipino.

O governo Filipino abriu uma concorrência ampla, onde todas as fabricantes mundiais de armas estiveram presente. Depois de inúmeros testes e exigências deste governo, a Taurus foi declarada vencedora.

O governo escolheu a pistola Striker TS9, onde o fator predominante foi a qualidade do produto. Ela foi submetida aos mais diversos tipos de testes. E agora mesmo, após termos sido declarado vendedor, ainda existe o último teste de aceitação que são mais rígidos que muitos testes de qualidade mundo à fora.

O primeiro lote já está sendo enviado, conforme acerto na assinatura do primeiro contrato. Assim, que assinarmos o segundo, um novo lote começará a ser produzido. A polícia das Filipinas é composta por mais ou menos 200 mil policiais, haja visto então ser um contrato grande e de longa duração.

A pistola Striker TS9 é somente um produto tipo exportação ou também ela pode ser encontrada para aquisição no Brasil?

Sim. A pistola Striker está sendo comercializada também no Brasil, o que é algo muito importante. Ela foi recentemente homologada pelo IPSC (International Practical Shooting Confederation) facilitando assim a aquisição dela pelos colecionadores, Atiradores e caçadores (CAC).

Sobre o CAC que adquirir à pistola striker e fizer parte da categoria ‘Production’ (equipamentos praticamente originais de fábrica, com poucas ou nenhuma customização), ele terá dez anos de garantia total sobre qualquer mal funcionamento ou quebra de peça desta arma. Hoje o atendimento ao CAC ou a um policial ´é de três dias, após claro todos os tramites burocráticos inerentes à aquisição de uma arma forem resolvidos.

Quantos empregos diretos e indiretos são gerados pela Taurus? 

Se somarmos a Taurus e a CBC, temos quase cinco mil empregos diretos, sendo destes dois mil somente na Taurus, que gera ainda cerca de 10 mil empregos indiretos, então podemos afirmar que geramos algo em torno de 12 mil empregos diretos e indiretos.

Mas, uma coisa precisa ser salientada. No mercado não há especialistas e nós formamos a mão de obra necessária para trabalhar conosco, ou seja, não apenas empregamos como também qualificamos. Possuímos parecerias com o Senai e Universidades do Rio Grande do Sul, onde formamos profissionais para o mercado como um todo.

Além da ampliação da fábrica nos EUA e a possível parceria com uma empresa da Índia, a Taurus também irá abrir mais fábricas aqui?

Sim! Mas a expansão se dará em nossa fábrica no município de São Leopoldo (RS). Temos três fábricas no Rio Grande. Uma em Porto Alegre e duas em São Leopoldo. O que fizemos foi a junção destas três fábricas, transformando à fábrica de São Leopoldo em um grande polo industrial.

A fábrica de São Leopoldo foi a escolhida por ser nossa casa e de termos uma grande importância para este município. Hoje somos responsáveis por 35% das exportações de São Leopoldo, o que nos coloca como um grande parceiro da prefeitura local. No final de 2018, geramos 200 novos postos de trabalho.

Temos uma política simples de contratação. O nosso RH queria colocar anúncios em jornais, e eu falei não. Vamos divulgar entre nossos colaboradores que estamos contratando. E assim o fizemos. Usamos um slogan simples, que dizia: ”Traga seu familiar ou amigo (s) para trabalhar na Taurus, nós somos uma grade família”, e deu certo.

Qual a contribuição da Taurus para o Produto Interno Bruto (PIB)?

Somos uma empresa que gera empregos, pagamos impostos e divisas (pois exportamos para mais de cem países). Exportamos para os EUA onde a concorrência armamentista é enorme por conta da cultura local. A Taurus hoje é a quarta empresa (em vendas) no mercado norte-americano. Isso nos dá muito orgulho como brasileiros.

Aqui no Brasil, infelizmente vender uma arma ainda é algo muito difícil. Primeiro pelo fator burocrático e segundo por conta dos impostos que são atribuídos. Hoje por exemplo, uma arma que custe o valor hipotético de R$1000,00 tem sobre ela 70% de impostos, ou seja R$ 700,00 vão para o governo e a Taurus fica com R$ 300,00.

O mercado brasileiro, apesar de significar uma parcela muito pequena em nossa produção, ainda assim é o segmento que mais nós damos atenção e prioridade.

Como hoje a Taurus vê o novo governo e como está sendo o relacionamento com o mesmo?

Bom, somos uma Empresa Estratégica de Defesa (EED). Quando eu falo somos uma EED, não é que eu me denomino tal, na verdade somos nomeados por uma entidade governamental, no caso o Ministério da Defesa (MD), o qual nos coloca como EED para o Estado.

Temos um contato muito próximo com o governo via MD e Exército Brasileiro (EB), até por que somos ‘controlados’ por estes dois órgãos federais, onde eles fiscalizam as nossas exportações e com quem tratamos as mesmas.

Quando alguma empresa estrangeira deseja fazer negócio conosco, antes de qualquer tratativa, temos de ir ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ao MD pedir autorização para darmos início as conversas.

Após obtermos à autorização do MRE e do MD, aí sim que começamos a ter as conversas iniciais. Caso a conversa avance e se torne um negócio nova autorização deve ser feita junto ao MD para que o mesmo autorize a exportação.

Para finalizar, presidente, gostaríamos que o senhor deixasse suas considerações e um recado aos leitores.

Eu, Salesio Nuhs, em nome da Taurus, gostaria de agradecer a todos nossos clientes no Brasil. Aos CAC´s, aos policiais, as instituições brasileiras (Polícias e Forças Armadas) que acreditaram na gente.

Aos que acreditaram na capacidade da Taurus de passar por esse período ruim que tivemos lá trás. Confie na gente, somos uma nova empresa, nós acreditamos no Brasil e estamos aqui para servir aos nossos clientes.

E nesses 80 anos da Taurus, quero poder comemorar com cada um de nossos clientes brasileiros. Apesar de sermos uma empresa global e de exportarmos quase 90% de nossa produção, ainda assim o Brasil é o nosso País.

O Brasil é a nossa prioridade e nosso desejo é atender a cada um de nossos clientes no Brasil com a máxima eficiência e qualidade. Muito obrigado!



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