Estados Unidos ameaça ação militar em defesa dos sauditas

Em uma série de tuítes desde a noite do último domingo (15) o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está “com armas preparadas” para responder aos responsáveis pelos ataques a duas das principais instalações de produção e processamento de petróleo da Arábia Saudita, que fizeram o preço do petróleo disparar no mercado internacional.

Teerã nega algum tipo de ligação ou participação no ataque. Já o governo russo, por sua vez, chamou de ‘inaceitável’ a discussão sobre uma eventual resposta militar ao ataque na Arábia Saudita.

Os ataques com drones, ocorridos no sábado, foram reivindicados pelos rebeldes houthis, que são apoiados pelo regime iraniano e no final de 2014 derrubaram um governo pró-saudita no Iêmen.

Desde 2015, os houthis enfrentam a ofensiva militar de uma coalizão árabe liderada por Riad que tenta reinstalar o presidente deposto, Abdou Haidi. Na segunda-feira (16), fontes da Casa Branca e do regime saudita (apoiado pelo governo americano e por Trump) disseram, sem apresentar provas, que conclusões preliminares de suas investigações indicam que as armas usadas no ataque às instalações de petróleo da Arábia Saudita teriam vindo do Irã.

“Resultados preliminares mostram que as armas são iranianas e estamos agora trabalhando para determinar sua localização. O  ataque terrorista não partiu do Iêmen como a milícia houthi. “, afirmou o coronel Turki al-Malki.

Já os rebeldes houthis ameaçaram fazer novos  ataques. “Temos o braço longo e ele pode alcançar qualquer lugar em qualquer momento.” afirmou o porta-voz miliitar do grupo, Yahiya Saree.

Em seu primeiro tuíte, na noite de domingo, Trump havia sugerido que estava apenas esperando informações da Arábia Saudita sobre a origem dos ataques para iniciar uma ação militar.

“As reservas de petróleo da Arábia Saudita foram atacadas. Há razões para acreditar que nós sabemos quem é o culpado e estamos com as armas preparadas, dependendo da confirmação. Estamos esperando a Arábia Saudita nos informar sobre quem acredita ser os culpados desse ataque e sobre como devemos proceder!”, tuitou ele.

Trump duvidou da afirmação do Irã de que não teve envolvimento nos ataques. “Lembrem-se de quando o Irã derrubou um drone, afirmando que estava em seu espaço aéreo quando na verdade não estava nem perto. Eles defenderam essa versão sabendo que era uma mentira. Agora eles dizem que nada têm a ver com o ataque à Arábia Saudita. Veremos”, escreveu.

Trump disse ainda que, embora os EUA não sejam mais dependentes do petróleo e do gás do Oriente Médio, o país “ajudará seus aliados”.

Ainda na noite do domingo (15), funcionários do governo americano, sob anonimato, fizeram uma blitz de entrevistas aos meios de comunicação para divulgar uma série de imagens de satélite que mostram o que afirmam ser ao menos 17 pontos de impacto em diversas instalações de produção e processamento de petróleo sauditas.

Segundo Washington, as imagens mostrariam que o ataque, ocorrido no sábado, teria vindo do Norte ou do Noroeste, e não do Sul — o que indicaria que teria se originado no Irã ou no Iraque, e não no Iêmen, onde os rebeldes houthis assumiram responsabilidade pela ação, segundo eles realizada com dez drones equipados com explosivos.

Três especialistas ouvidos pela emissora CNN, entretanto, apontaram que, embora as imagens de satélite confirmem a precisão dos ataques, o que indicaria que eles tiveram apoio de algum Estado, elas não permitem conclusões sobre a  trajetória ou origem geográfica dos projéteis usados. As fotos  “não mostram, realmente, nada além de uma mira muito boa”, disse à emissora o coronel reformado Cedric Leighton.

No sábado (14), o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, já havia dito que o Irã estaria por trás do que disse ser “um ataque sem precedentes ao suprimento de energia no mundo” e que não havia evidências de que os drones e mísseis teriam vindo do Iêmen. Ele, contudo, não disse de onde os armamentos teriam se originado.

Funcionários do governo americano disseram ainda que os ataques foram possivelmente realizados não só com drones, mas também com mísseis de cruzeiro. Isso indicaria um nível de precisão, planejamento e tecnologia que estaria além da capacidade de ação dos rebeldes houthi sem o auxílio de outros grupos.

No domingo (15), o porta-voz da Chancelaria iraniana, Abbas Mousavi, classificou as alegações de que Teerã estaria por trás dos ataques como “inaceitáveis” e “sem fundamento”. Segundo ele, elas teriam o objetivo de “prejudicar a reputação” de seu país em preparação para “futuras ações contra” o Irã. O Iraque também nega que as armas usadas tenham partido do seu território, onde atuam várias milícias pró-Teerã.

Congressistas opinam

A tensão entre os Estados Unidos e Irã volta a crescer no momento em que se especulava sobre um possível encontro entre Trump e o presidente iraniano, Hassan Rouhani, à margem da Assembleia Geral da ONU, que começa nesta semana.

A demissão na semana passada do conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, um linha-dura em relação ao Irã, também sugeria uma inflexão na política de pressão máxima contra o país persa, iniciada quando Trump retirou os EUA do acordo nuclear firmado entre Teerã e as principais potências globais em 2015.

A ameaça de Trump de uma ação militar em defesa dos sauditas provocou reações contra e a favor entre os congressistas. Um dos principais aliados de Trump no Congresso, o senador Lindsey Graham sugeriu que o governo deveria considerar um ataque ao Irã em retaliação ao incidente na Arábia Saudita.

“O apoio iraniano aos rebeldes houthi que atacaram as refinarias sauditas é apenas mais um exemplo de como o Irã está causando o caos no Oriente Médio. O regime iraniano não está interessado na paz — estão buscando armas nucleares e dominância regional”, tuitou Graham no sábado.

“Agora é hora dos Estados Unidos considerarem um ataque às refinarias iranianas caso continuem com suas provocações ou aumentem o enriquecimento de urânio.”

Já o senador Bernie Sanders, pré-candidato democrata à Casa Branca, lembrou que o presidente americano não tem poder para declarar uma guerra sem a aprovação do Congresso:

“Sr. Trump, a Constituição dos Estados Unidos é perfeitamente clara. Apenas o Congresso — e não o presidente — pode declarar guerra. E o Congresso não lhe dará a autoridade para começar outra guerra desastrosa no Oriente Médio apenas porque a brutal ditadura saudita lhe disse para fazê-lo.”

  • Com agências internacionais


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