Europa em alerta! tudo sobre as tensões Polônia e Bielorrússia

A crise na fronteira entre a Bielorrússia e a Polônia fez com que milhares de migrantes do Oriente-Médio ficassem presos e surgisse um conflito a nível regional grave.

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Photo by Leonid Shcheglov / BELTA / AFP / Belarus OUT

A crise na fronteira entre a Bielorrússia e a Polônia fez com que milhares de migrantes do Oriente-Médio ficassem presos no meio de um terrível jogo de gato e rato, indesejados por qualquer um dos países e frequentemente incapazes de buscar ajuda apesar das temperaturas quase congelantes.

As autoridades polonesas disseram que há cerca de 4.000 migrantes esperando na fronteira do país com a Bielorrússia, e acredita-se que outros 15.000 estejam em Minsk esperando para serem transportados para a fronteira.

Em contraponto, o governo polonês assumiu uma postura dura com os migrantes, aprovando uma lei de “recuo” para permitir que a polícia, soldados e guardas de fronteira forcem os ingressantes ilegais de volta a origem. Enquanto isso, os guardas de fronteira bielorrussos e, segundo informações polonesas, criminosos disfarçados de migrantes estão impedindo violentamente qualquer um que tenha retornado ou desistido de cruzar fronteira.

Como represália direta, a União Europeia está agora a concentrar-se em impedir que as pessoas voem para a Bielorrússia com tanta facilidade, como tem feito desde então.

A Turkish Airlines concordou na sexta-feira, 12 de novembro, em suspender a venda de passagens só de ida para migrantes do Oriente-Médio, proibindo cidadãos sírios, iemenitas e iraquianos de embarcar em voos para Minsk, na Bielorrussia, uma afronta da Turquia contra seu parcerio regional, a Rússia, um claro sinal que mostra a duplicidade de ação de Erdogan.

Após negociações com Bruxelas, o Iraque estendeu a proibição de voos de seus aeroportos, estabelecida em setembro. De acordo com a Comissão Europeia responsável pela migração, deve ser construída uma coalização nacional contra o uso de pessoas como peões políticos por Alexander Lukashenko em resposta às sanções europeias, especialmente da Polônia.

Nos próximos dias, acredita-se que a União Europeia irá anunciar novas sanções diretas a Bielorrussia, mas tem um obstáculo a ser enfrentado que pode custar a segurança e a vida de milhões de europeus, o fornecimento de gás natural de Lukashenko, que já alertou o corte, caso houver outra sanção.

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A vice-presidente americana, Kamala Harris, disse que os EUA estão muito preocupados com a crise, e os olhos do mundo e seus líderes estão observando o que está acontecendo na região, e Lukashenko, está envolvido em atividades muito problemáticas ao enviar pessoas para a UE ilegalmente.

O chefe do Estado-Maior de Defesa da Grã-Bretanha, o general Nick Carter, disse que agora existe um “risco ainda maior” de uma guerra acidental com a Rússia do que em qualquer estágio da Guerra Fria.

Os muitos dos mecanismos diplomáticos tradicionais que existiam décadas atrás com a Rússia não existem mais, o que significa que a ameaça de “escalada levando a erros de cálculo” é um “verdadeiro desafio”.

No meio da semana, dois navios de guerra dos EUA, o USS Porter, um contratorpedeiro armado com mísseis Tomahawk, e o navio de comando USS Mount Whitney, chegaram ao porto de Batumi, na Geórgia, no Mar Negro, esta semana.

Na sexta-feira, os militares russos disseram que estavam rastreando estes navios no Mar Negro e acusaram Washington de estudar a região como um potencial teatro de guerra.

Em decorrência da crise migratória sobre sua fronteira, a Polônia transferiu 15 mil soldados para sua fronteira para ajudar a administrar a crise que se desenrolava, enquanto a Ucrânia enviou 8.500 soldados para a região da fronteira oriental, onde travou uma guerra de anos contra rebeldes separatistas apoiados pela Rússia.

Como forma de adestramento conjunto e apoio aos bielorrussos, o Ministério da Defesa da Rússia disse que houve um treinamento não anunciado de pára-quedistas com a Bielorrussia na cordilheira Gozhsky, a apenas 20 milhas de onde milhares de migrantes estão reunidos na fronteira com a Polônia, onde eles praticaram a captura de pontes, bem como a caça e destruição de patrulhas inimigas.

A Bielorrússia disse que o exercício foi em resposta ao aumento da atividade militar na fronteira polonesa, onde 15.000 soldados foram posicionados para conter os migrantes, enquanto a Rússia disse que era para testar a prontidão de combate de suas tropas.

As tropas britânicas estão ajudando o exército polonês a fortalecer sua fronteira com a Bielorrússia em uma demonstração de apoio. O ministro da Defesa da Polônia, Mariusz Blaszczak, disse que militares britânicos já iniciaram uma missão de “reconhecimento” com seus pares poloneses na tensa fronteira.

Tudo acontece muito rápido. Em resposta, uma concentração importante de tropas russas foram postas perto da fronteira com a Ucrânia e não se trata de exercícios rotineiros, indica que Moscou pode estar se preparando para uma operação nos próximos meses.

Filmagens de mídia social e imagens de satélite mostraram uma grande quantidade de armamentos e veículos militares blindados em movimento pela Rússia recentemente e os EUA advertiram privadamente os aliados europeus de que a Rússia poderia estar planejando invadir a Ucrânia em uma repetição da anexação da Crimeia em 2014.

Dezenas de blindados foram enviados através do país para o oeste da Rússia, a cerca de 250 km da Ucrânia, de acordo com Ruslan Leviev, fundador do grupo de investigação forense russo Conflict Intelligence Team, que tem documentado atividades militares incomuns nas últimas semanas.

O Serviço de Ação Externa, braço de relações exteriores da União Europeia, acredita que o crescimento da Rússia nos extremos fronteiriços é uma violação das regras internacionais relativas a exercícios militares, porque os parceiros internacionais não foram informados pelo Kremlin.

Pelo menos 60 blindados, apoiados por veículos de combate de infantaria e obuses autopropulsados, foram enviados no início desta semana das regiões de Moscou para uma estação no sudoeste a cerca de 250 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.

Acredita-se que o novo equipamento pertença a várias unidades do 1º Exército Blindado de Guardas, que estão agora a cerca de 500 km de suas bases permanentes habituais.

A unidade foi avistada bem fora das áreas normais de operação do exército durante uma lacuna nos ciclos de treinamento de verão e inverno das forças armadas russas, quando a Rússia normalmente não realiza exercícios em grande escala, de acordo com uma análise da Janes.

As unidades também parecem estar se movendo principalmente na área de fronteira com alto grau de sigilo, principalmente à noite para minimizar avistamentos pelo público e imagens de satélites. O equipamento visto inclui um batalhão de blindados de batalha T-80U (MBTs) e um batalhão de T-72B3 MBTs.

Não é de hoje que a OTAN realiza investidas pesadas de embarcações, operações aéreas e missões de Forças Terrestres nos limites da periferia de fronteira com a Rússia, que tenta também realizar exercícios de adestramento ou similar como resposta, vem sendo acusada de querer invadir a Ucrânia ou militarizar separatistas ao longo da fronteira.

O Kremlin negou, ainda na sexta-feira, que planejasse enviar soldados à Ucrânia, segundo Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, “essas manchetes nada mais são do que uma tentativa inútil e sem fundamento de aumentar as tensões […] dissemos repetidamente que o movimento de nossas forças armadas em nosso território não deveria ser motivo de preocupação […] a Rússia não representa uma ameaça para ninguém”.

Peskov também rebateu acusações diante da atividade militar russa recente, incluindo o envio rápido de um caça para interceptar um avião britânico que teve que mudar seu curso para longe da Crimeia, como uma resposta às provocações ocidentais.

Segundo ele, “não podemos ficar indiferentes ao que está acontecendo. Temos que estar alertas”.

Ainda na sexta-feira, dois bombardeiros estratégicos russos Tu-160 Blackjack cruzaram as regiões da Holanda e foram interceptados por F-16 da Bélgica, e seguiram rumo ao espaço aéreo do Reino Unido em apoio ao presidente da Bielorrússia, desta forma, caças Typhoons britânicos interceptaram os bombardeiros russos.

Sabe-se que o interesse de Putin sob o leste europeu, especificamente na Ucrânia, é grande, pelo fato de restaurar a história passada de domínio territorial, e também pelo controle marítimo sob o Mar Negro e dos recursos energéticos vultosos sob a região e que também passam pela nação antes de chegar à Europa.

Entretanto, o acúmulo militar russo atual e próximo da Ucrânia ecoa atividades russas semelhantes entre abril e maio deste ano, quando cerca de 100.000 soldados foram destacados, gerando temores de uma invasão iminente, o desfecho foi… absolutamente nada, as especulações de invasão vieram do ocidente, principalmente do governo Biden, da Ucrânia e da OTAN e, na atualidade, é preciso cautela, haja vista que as mesmas narrativas se fazem presentes.

Análise de Felipe Moretti, Área Militar