Exército Brasileiro gerencia maior crise de imagem desde sua chegada as Redes Sociais

Esse domingo, dia 14 de abril, está completando uma semana do lamentável caso do veículo branco atingido por diversos disparos de militares do Exército na região de Guadalupe. O incidente levou à morte o músico Evaldo dos Santos Rosa e vitimou outros dois homens.

Considero que, mesmo se tivesse sido apenas um disparo errado, já seria um absurdo. Essa é a maior crise de imagem vivenciada pelo Exército Brasileiro desde a chegada das redes sociais. O cenário é justamente o caso de como um incidente ocorrido no mais baixo escalão atravessa o nível estratégico de decisão e passa a ser gerenciado diretamente pelo mais alto escalão político do país.

Os indícios de descumprimento das regras de engajamento levaram a Justiça Militar a determinar o afastamento dos 12 militares envolvidos, dentre os quais, nove foram presos em flagrante; na sequência, a instância superior determinou que os mesmos passassem à condição de prisão preventiva.

Até agora, eu não consegui confirmar de que alguma perícia teria registrado o número exorbitante de 80 disparos sobre o veículo. O que consegui perceber é que um delegado da Polícia Civil teria mencionado esse número na base de estimativas.

Partindo da premissa de que o Exército vem conduzindo as investigações, considero que o número mais preciso em relação aos disparos sobre o veículo ainda está por vir e será divulgado oportunamente. Entretanto, mesmo se fosse apenas um disparo errado, já seria um absurdo porque qualquer morte de inocente é um caso gravíssimo.

Como oficial do Exército, desde 1992, por ocasião da ECO-92 (conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento) no Rio de Janeiro, eu estive participando de inúmeras atividades nas ruas da capital desse estado.

Carioca que sou, pude assistir à lamentável trajetória de um estado que atingiu o absurdo índice de ter cinco dos seus governadores nas últimas décadas atrás das grades. Não é à toa que chegamos a essa situação de Segurança Pública.

Eu gostaria de ressaltar que estive à frente dessa mesma unidade dos militares envolvidos no incidente, o Regimento Sampaio, em 2011 e 2012, por ocasião da ocupação do Complexo do Alemão e depois permaneci acompanhando a sequência de desdobramentos da atividade de GLO no Brasil, particularmente no Rio de Janeiro.

Passamos por inúmeras missões de lá para cá como a RIO+20, Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Copa 2014, Rio 2016 e Intervenção. Desde 1992, não há nenhum registro de um fato como esse, que está completamente fora dos padrões de atuação das Forças Armadas em todos esses anos.

Lembro-me bem que no dia 6 de setembro de 2011, um intenso tiroteio no Complexo do Alemão, na época em que eu era o Comandante daquela ocupação, não houve registro de ninguém atingido.

Ano passado, após 4h de confrontos na mesma região, os militares do Exército realizaram cerca de 8 mil disparos e não houve nenhum efeito colateral entre civis inocentes. Entretanto, em consequência desse mesmo tiroteio, 3 militares do Exército vieram a óbito. A dignidade humana é uma prioridade para os militares.

A cobrança das redes sociais tem levado sempre às instituições apresentarem um posicionamento rápido quando ocorrem as crises. Nesse caso, não foi diferente. O Exército emitiu uma nota inicial baseando-se na presunção de veracidade conforme primeira narrativa recebida da tropa e não na presunção de culpabilidade.

Entretanto, após verificar que as diversas narrativas apresentadas estavam inconsistentes, produziu um outro documento fazendo novas considerações. Entretanto, em nenhum momento negava a primeira nota sobre esse caso.

Um fato que chamou atenção e requer um aprofundamento é sobre a excessiva pressa em restaurar o veículo atingido. Após uma perícia da Polícia Civil, o veículo foi enviado diretamente para a restauração.

Tal fato só veio à tona porque quando o encarregado do Inquérito Policial Militar solicitou que fosse realizada uma perícia, tiveram que ir buscar o veículo numa oficina, após a ordem da juíza federal em questão.

O evento em questão ocorreu dentro do perímetro de segurança da Vila Militar, sendo uma área que é tradicionalmente patrulhada por militares do Exército. Através de dados de Inteligência, estima-se que a comunidade do Muquiço conta atualmente com cerca de 20 fuzis.

Por volta das 11h30 daquele domingo (7) de abril, os militares daquela mesma unidade haviam sido alvejados intensamente com tiros de fuzil durante um patrulhamento na região. Relatos também registram que, momentos depois, militares da mesma unidade teriam se envolvido em outro tiroteio com um carro branco ao chegarem durante um assalto.

Nessa ocasião, os criminosos teriam se evadido e rompido o contato. Cabe ressaltar, portanto, que o fator nervosismo faz parte das variáveis desse caso. Só depois é que essa tragédia teria acontecido.

O Comando Militar do Leste esclareceu que esse evento de Guadalupe não se caracteriza como um quadro jurídico de Garantia da Lei e da Ordem. Entretanto, os princípios básicos para o uso da força naquele cenário de patrulhamento de perímetro de segurança são os mesmos utilizados em operações de GLO.

“O CML repudia veementemente excessos ou abusos que venham a ser cometidos quando do exercício das suas atividades e lamenta o triste incidente”, destacou.

O caso desse incidente específico dos disparos com indícios de desrespeito das regras de engajamento será devidamente estudado, esclarecido e haverá uma resposta. Vale registrar que, naquela ocasião, a consternação instantânea causada na população inviabilizou que os militares pudessem se aproximar para prestar socorro aos feridos.

Mesmo assim, o atendimento do SAMU ocorreu com presteza e um homem que foi atingido por 3 disparos foi a primeira pessoa a ser socorrida pelo SAMU. É importante salientar que identificar, decidir e agir em frações de segundo é muito difícil, por mais que se treine.

As regras de engajamento que pontuam a atuação das FFAA em GLO baseiam-se sempre nos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e legalidade. É com essas premissas que os militares vêm sendo preparados e, certamente, esse caso será estudado com detalhes para que esse tipo de evento nunca mais volte a acontecer.

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada após o trágico episódio de Guadalupe, as Forças Armadas permanecem sendo consideradas a instituição mais confiável do país: 45% dos brasileiros apontam os militares como “muito confiáveis”, contra os 37% de junho do ano passado.

Por fim, é lamentável o oportunismo com que um incidente como esse passe a ser explorado politicamente por alguns segmentos. Nesse contexto, o absurdo chegou ao ponto de misturar com a temática de racismo e também foi necessário que o Ministro da Justiça tivesse que vir a público defender o pacote anti-crime. 

Um forte abraço e até a próxima…

Força!!!

17 COMENTÁRIOS

  1. Diante de tanta coisa que vem acontecendo no Brasil, seu artigo foi a definição de Justo, o fato de que alguns militares possam ter errado não torna todos os militares ruins, dia e noite sem feriado, sem hora extra ou qualquer destas garantias homens e mulheres se sacrificam para salvar, se houve culpa que haja a pena devida porém me admira que quando morre um militar em combate não vemos o mesmo empenho das mídias engraçado isto. Sabe como classifico estes Juízes de redes sociais Abutres.

  2. Boa tarde fui militar por 12 anos infelizmente vivemos em um país onde o honesto não tem valor já o (cidadão)Que prática o errado e valorizado exaltado a mídia se for preciso vende a própria mar para defender enquanto isso os Cidadãos de bem tem que tentar se defende sozinhos, nossos militares são sempre mal reconhecidos ganham pouco sofrem pressão 24 por dia de seus superiores para fazerem oque estes mandam sem direito de questionar ;não estou defendendo os militares mas será que alguém sabe me dizer qual foi a ORDEM Dada a estes militares durante a operação e também saberia me dizer se está ORDEM não foce cumprida qual seria a punição e também oque poderia ter acontecido se o veículo fuzilado foce de um marginal com um poder de fogo onde alguns militares e civis viese a morte

    • “Se”. Se os militares que participaram desse “engano” fossem capacitados, teriam calma no momento em que deveriam ter sido calmos. O carro provavelmente não ofereceu um risco contra os militares, ate onde sei, e mesmo que oferecesse, atirar seria a última opção. Provavelmente todo militar capacidato sabe disso.

  3. As FFAA precisam seguir mais os exemplo dos venezuelanos. Precisam mudar a visão de mundo e adotar métodos de estreitamento com o povo. Mas para isso devem rever seus conceitos sobre democracia. Ainda há muita sequela por causa do obscuro período do governo civil-militar.

  4. No meu tempo de militar,qualquer tipo de operação que fosse real,somente militares altamente qualificados e com um psicológico muito bom, poderiam fazer parte dessa operação.hj vejo que as coisas mudaram infelizmente.mais sempre estarem confiante nesta instituição a qual fiz parte no passado.

  5. Acho que não trata-se de crise alguma, e sim uma campanha de difamação que ocorre vinte quatro horas por dia, por parte dessa imprensa que em governos anteriores, mamava nas tetas do dinheiro público.

  6. Então o exército não tem mais moral no seu ponto de vista,toma um chá de simancou,andam torcendo para verem os militares fazerem algo errado pra dizerem o que bem entender, não estou defendendo esse erro,aff. Não compensa falar muito deixa pra lá

  7. Porque o Brasileiro sempre defende o lado errado, lógico que os militares tinha que esperar ter calma igual aos comentários que li acima, mas vai saber se o carro entrou de uma vez na curva e como eles tinha perdido o carro branco de vista lógico que eles quando viu o veículo branco de uma vez entrando lógico que pensou que fosse os elementos, então eles não tem culpa, porque se fosse no meu caso perdi de vista e do nada aparece vai que eles deu a volta para pegar por trás, porque no Rio bandido só anda de Ak47 pra cima eles não tem treino e nem lógica de ver quem está ao redor deles querem saber de derrubar só isso…

  8. Enquanto tiverem fazendo de tudo para difamar o exército Brasileiro, essas ações serão como areia no mar, ninguém irá ligar. Logo passará como um leve chuvisco. Única poder que a população ainda tem fé é no exército que agora é comandado pelo presidente Bolsonaro que tem o apoio da População. Então nem adianta tentar ridicularizar a FAB. A população abriu o olho ea mamata acabou para a mídia que não fala a verdade sem suas ideologias.

  9. Quem tem o poder de matar tem que ter também o poder da informação. Antes de atirar deviam ter certeza em quem estavam atirando. Eu quero saber qual seria a opinião, caso fosse um parente naquele carro. Lamento pela morte dos militares em confronto com bandidos, mas um inocente a serviço morrer não pode ser usado como base para justificar novas mortes. Acho também que os militares envolvidos não estão treinados o suficiente para a guerra urbana que ocorre no Rio, pobres militares que são obrigados a cumprir ordens aí custo de punição, em caso desobediência, mas seus superiores não os qualificam o suficiente antes do combate.

  10. Polícia Militar: Força Auxiliar e reserva do Exército! Artigo 144, § 5º e 6º da Constituição Federal.
    A Polícia Militar é subordinada hierarquicamente ao Exército, por isso inclusive que nos seus quadros só temos até o posto de Coronel; acima deste vem um General 4 estrelas. Procure saber sobre a IGPM – Inspetoria Geral de Polícia Militar.

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